Cuiabá quita dívida de transfer ban e cobra R$ 45 milhões de clubes brasileiros
Cuiabá recebe punição por dívida com ex-técnico Petit, e presidente culpa calotes de grandes clubes
O Cuiabá quitou integralmente a dívida de aproximadamente R$ 5,5 milhões com o técnico português Petit e sua comissão técnica, referente à condenação determinada pela Fifa. Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira, o clube confirmou o pagamento e aproveitou para cobrar providências sobre valores que afirma ter a receber de outras equipes do futebol brasileiro.
Segundo o comunicado, o montante foi pago com recursos próprios e comprometeu de forma significativa o caixa do clube em 2026. O Cuiabá afirmou que o dinheiro poderia ter sido destinado ao elenco profissional, às categorias de base e à estrutura da instituição. Com a quitação, a restrição de registro de atletas imposta pela Fifa foi encerrada.
Petit foi técnico do Cuiabá em 2024
Asscom Dourado
O caso envolve a saída de Petit do comando técnico do Dourado, em agosto de 2024. Na ocasião, o treinador português deixou o cargo depois de uma reunião com a diretoria. O contrato tinha validade até 31 de dezembro de 2025.
Em agosto deste ano, o Cuiabá confirmou ao ge que havia sofrido um transfer ban da FIFA por causa da dívida. Na época, o presidente Cristiano Dresch atribuiu a situação a valores que o clube aguardava receber de outras equipes brasileiras.
— O Cuiabá não teria chegado a essa situação se não fosse os calotes que sofremos do Corinthians, do Santos, do Grêmio e do Atlético-MG. Como que um clube que tem mais de R$ 42 milhões a receber passa por essa situação? Vou dar um jeito de pagar — declarou o dirigente na ocasião.
Cuiabá 0 x 1 Avaí | Melhores momentos | Brasileirão Série B | Rodada 33
Cuiabá cobra coerência nas regras
Na nova manifestação, o clube afirmou que não questiona a obrigação de cumprir decisões, mas criticou as regras aplicadas às rescisões antecipadas de contratos de treinadores. Segundo o comunicado, a legislação desportiva brasileira prevê o pagamento integral dos salários restantes do vínculo, sem considerar o tempo de serviço ou as circunstâncias do encerramento do contrato.
O Cuiabá defendeu a revisão desse modelo junto às instâncias competentes e às entidades do futebol. Na avaliação apresentada pelo clube, as regras podem gerar obrigações financeiras elevadas e comprometer o planejamento das equipes.
A diretoria também voltou a cobrar medidas para receber valores pendentes de outros clubes. De acordo com a nota, o Cuiabá tem cerca de R$ 45 milhões a receber por negociações já concluídas e não pagas.
Dívidas de clubes que compraram atletas do Cuiabá chegam a 40 milhões
Entre as negociações envolvendo clubes citados pelo Cuiabá estão a transferência do volante Raniele para o Corinthians, a negociação do zagueiro Joaquim Henrique com o Santos, que posteriormente vendeu o jogador ao Tigres, do México, e a operação envolvendo o meia Pepê e o Grêmio. A nota, porém, não detalha quais transações compõem os cerca de R$ 45 milhões cobrados pelo clube nem os valores pendentes em cada uma delas.
O clube citou a necessidade de coerência na aplicação das regras de fair play financeiro e cobrou da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e dos órgãos de controle o mesmo rigor na cobrança dos débitos entre equipes.
Ao encerrar o comunicado, o Cuiabá afirmou que cumpriu a decisão da FIFA e que seguirá concentrado nas competições, na formação de atletas e no planejamento esportivo.
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