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De Clube da Garotada ao Banco do Leão: conheça campanhas que marcaram o Fortaleza

De Clube da Garotada ao Banco do Leão: conheça campanhas que marcaram o Fortaleza

De Clube da Garotada ao Banco do Leão, o Fortaleza passou por diversas fases no seu marketing para ganhar mais torcedores em diferentes épocas ao longo dos 108 anos de história. Campanhas históricas dentro e fora das quatro linhas ocorreram para trazer novos fãs e embalar diferentes gerações de admiradores do clube tricolor. O ge destaca algumas ações marcantes para os amantes do time das cores vermelho, azul e branco.
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Uma das principais alcunhas do Fortaleza foi criada na década de 1970 e foi idealizada por José Raimundo Costa e Sílvio Carlos. Para bater de frente com o Ceará, que tinha um vovô como mascote caricato junto às crianças, os dirigentes tiveram a ideia do Clube da Garotada, que mudaria os rumos do clube nas arquibancadas.
Sílvio Carlos é daqueles personagens que a própria história se entrelaça com o Fortaleza. O autêntico torcedor já exerceu diversas funções intramuros do Pici, de presidente da diretoria executiva, passando pelo comando do Conselho Deliberativo até o cargo de diretor de Marketing em diferentes décadas. E todas eles foi um pêndulo nas decisões que deram norte à instituição.
A grande promoção que eu fiz na minha vida para o Fortaleza foi denominá-lo de ‘Clube da Garotada’. O José Raimundo Costa, que foi diretor do jornal O Povo, me chamou para assumir o departamento de marketing. Ele mandou fazer 100 mil cadernos onde na capa tinha o escudo do Fortaleza e na contracapa o hino do clube. Eu saí de colégio em colégio distribuindo esses cadernos e sorteava uma camisa do clube em cada local.”
Com bigode que virou marca e centralizado na foto, Sílvio Carlos sorri enquanto tomava posse como presidente do Fortaleza em 1986
Agência Diário
A campanha no Fortaleza era fortalecida ainda mais no período do dia das crianças, com ações que iam de brincadeiras, lanche e revistas ilustradas junto aos pequenos no Alcides Santos. Sílvio Carlos acredita que a campanha Clube da Garotada aumentou significativamente o número de torcedores da equipe do Pici.
O movimento que começa na década de 1970 deságua em campanhas que continuam muito mais que vivas no calendário do clube. Elas contam a história do Fortaleza e de suas crias, em todos os bairros e estádios em que o time jogar pelo Brasil.
Nesse tempo, o ‘Clássico das Multidões’ era Ceará e Ferroviário. Com essa campanha do caderno, o Fortaleza superou o Ferroviário e passou a ser o novo Clássico, contra o Ceará. Houve um aumento significativo de torcedores, a nossa torcida cresceu muito. A partir dali eu comecei a fazer grandes promoções com a garotada, instituindo que criança até 12 anos não pagava em clássicos e em jogos do Fortaleza.”
“Corridinha Clube da Garotada” foi uma ação do Fortaleza voltado às crianças em 2018
Luciana Carvalho
Revista Super Leão
Cravada na memória dos tricolores que viveram o Fortaleza da década de 1970, a revista “Super Leão” foi um marco no marketing do clube. Radialista e torcedor, Sandro Monteiro afirma que a torcida abraçou a ideia na época do lançamento. Apaixonado pelo clube, o comunicador guarda na lembrança de menino as histórias encontrada nas páginas lidas.
– A revista Super Leão foi uma coletânea de 12 exemplares que circulou nos meados dos anos 1970 e contava a história do clube, seus feitos e personagens que marcaram o período. Foi uma iniciativa pioneira de marketing do Fortaleza, que teve grande aceitação por parte da torcida à época – destaca Sandro Monteiro.
3ª dição da revista Super Leão, do Fortaleza, década de 1970
Arquivo/Reprodução
Além do conteúdo exclusivo, com entrevistas, crônicas e análises sobre o momento vivido pelo Fortaleza, a revista trazia sorteios de brindes para os associados do time, lembra o jornalista Gioras Xeres. As fotos nos arquivos fazem ainda ligação com o “Clube da Garotada”, com a intensa presença dos pequenos em cada registro.
– O torcedor comprava as revistas e tinha etiquetas, que concorriam a vários prêmios, como bicicleta, geladeira, carro do ano, fogão e sofá. O torcedor pagava o boleto e o clube arrecadava. Essa foi uma das primeiras campanhas de marketing do Fortaleza, na década de 1970 – pontua Gioras Xeres.
Revista Super Leão sorteava prêmios aos associados do Fortaleza na década de 1970
Reprodução/Arquivo revista Super Leão 3ª edição
Revista Super Leão sorteava prêmios aos associados do Fortaleza na década de 1970
Reprodução/Arquivo revista Super Leão 4ª edição
A ideia da revista saiu no mandato do então presidente tricolor Airton França Rebouças, que assinava o material como diretor responsável e tinha ainda Blanchard Girão como editor-chefe. A pesquisa tinha à frente Luciano Santos, enquanto Antônio Geraldo fechava a diagramação do material. O acervo de quem guarda o material, digital ou impresso, é de uma riqueza ímpar.
A coletânea trazia ainda reportagens que enalteciam os jogadores, dirigentes e até contavam histórias de outros agremiações cearenses da época. Em uma dessas matérias, na 4ª edição, trazia destaque para o jovem lateral-direito Alexandre, que subiu da base leonina, e tinha a missão de substituir Louro, ídolo do clube no período.
Formado nos campos de treinamento voltados aos juniores do Fortaleza, Alexandre ganhou espaço no profissional tricolor na década de 1970, logo depois de retornar de empréstimo ao Icasa. A personalidade em campo e os cabelos longos, estilo jovial da época, Alexandre logo foi ganhando o afeto da torcida.
Revista Super Leão com reportagens sobre jogadores do Fortaleza na década de 1970
Reprodução/Arquivo revista Super Leão 4ª edição
As contribuições dos torcedores e a adesão às revistas veio com o tempo. Em um texto, a revista pontua a relevância das ações da Super Leão para as melhorias estruturais do Pici. De sorteio e parcerias, os dirigentes tricolores driblavam as dificuldades sempre com o apoio do fiel torcedor, na arquibancada e na compra dos materiais extras do clube.
O sonho de transformar o campo de treinos no Alcides Santos em estádio não veio nos anos 2000, mas bem antes disso. O sucesso da promoção junto aos tricolores rendeu uma verba de 2 milhões de cruzeiros que seriam convertidos para a estrutura do local.
8ª edição da revista Super Leão
Reprodução/Arquivo revista Super Leão 8ª edição
Banco do Leão
A virada do século para o Fortaleza veio como uma alvorada, esperança para virar a página de sete anos sem levantar o título estadual e mergulhado em uma grave crise financeira. As dificuldades eram dribladas com o apoio dos torcedores e a criatividade dos dirigentes do clube. Uma delas foi idealizada por Sílvio Carlos que, para montar um time forte para brigar pelo campeonato, criou o Banco do Leão, também conhecido como campanha “tostão contra milhão”.
Nós buscávamos recursos, aí eu criei o Banco do Leão, onde o torcedor depositava dinheiro na conta e, com esse valor, eu comprava camisas e sorteava brinquedos. Essa ideia também nasceu da vontade de fazer a torcida crescer. Mas eu devo tudo isso ao Seu Costa, José Raimundo Costa, foi quem ajudou para executarmos essas ideias.”
Segundo Gioras Xeres, a campanha foi impulsionada a partir da rivalidade do Clássico-Rei. O Ceará buscava o pentacampeonato cearense em 2000 e, para isso, sob comando de Eulino Oliveira, montou um time que tinha o goleiro Jéfferson, os meio-campistas Carlos Alberto Dias, Claudinho Baiano e César, e no comando do ataque Alex Mineiro e Reinaldo.
– O banco Icatu Hartford estava investindo no Ceará e queria modernizar o clube, criar a sede própria, enquanto o Fortaleza estava mal financeiramente. Até que o Sílvio Carlos teve a ideia do ‘tostão contra o milhão’, que saiu arrecadando dinheiro junto à torcida – lembra Gioras Xeres.
Naquele ano, o Fortaleza vinha de sete temporadas sem levantar o troféu de campeão cearense, jejum negativo comparado ao período de 1975 e 1981, em que a equipe viu seus rivais emplacarem títulos. Apaixonado pela camisa tricolor, Orlando Patrício foi um que contribuiu à época, e até lembra mesmo a frase que vinha junto da ação.
– O Sílvio Carlos lançou a campanha: ‘mais vale um pouco de muitos, do que muito de nada, temos o banco do Leão, a nossa torcida’, era algo mais ou menos assim – destaca o torcedor Orlando Patrício.
O Banco do Leão era o responsável por arrecadar fundos que ajudaram, também, na montagem do elenco tricolor. O movimento vinha das arquibancadas, com estádios cheios e criava conexão com os jogadores em campo.
Fortaleza e Ceará na final do Campeonato Cearense de 2000
José Leomar/Agência Diário
Conquista em Sobral
Orlando Patrício lembra que a força da campanha de marketing de Sílvio Carlos fez a torcida comprar a ideia até o último jogo. A inviabilidade do Castelão e do Presidente Vargas, fez a decisão do estadual ser transferida para o estádio do Junco, em Sobral, cerca de 243 quilômetros da capital cearense.
– Todo jogo, a gente lotava o PV e o Castelão, levando caravanas de ônibus ao interior do estado para ver as partidas. Acabou que a gente levantou o título em Sobral, onde levamos milhares de torcedores, e conquistamos o campeonato com o histórico gol do Daniel Frasson – coloca Orlando.
Fortaleza empata com Ceará em 1 a 1, e conquista título de campeão Cearense em 2000
LC Moreira/Agência Diário
O título Cearense de 2000 marcou a virada de vez para o Fortaleza. O elenco viria a se tornar a “Jangada Atômica”, que colocaria o time na Série A do Campeonato Brasileiro em 2003, além da década de ouro no estadual, com nove troféus levantados na década.
Mesmo em realidade distante, a revista Super Leão, na década de 1970, e o Banco do Leão, ideia de Sílvio Carlos no início do século XXI, são exemplos de campanhas abraçadas pela torcida tricolor em diferentes períodos. A queda para a Série B, ano passado, expôs o clube tricolor a um novo momento turbulento de sua história. Em um mundo cada vez mais digital, o Fortaleza precisa encontrar alternativas para driblar adversidades e se converter novamente com as arquibancadas.
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