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Do “quase” na comissão ao gramado: Maurício vive sonho de infância e ajuda o São José a voltar ao cenário nacional

Do “quase” na comissão ao gramado: Maurício vive sonho de infância e ajuda o São José a voltar ao cenário nacional

Maurício realiza sonho de infância e ajuda o São José a voltar ao cenário nacional
O volante Maurício, de 37 anos, está prestes a viver o capítulo mais marcante de sua relação com o São José. Com passagens por Corinthians, Fluminense e pelo futebol europeu, o jogador é um dos pilares da Águia do Vale, que decide o título da Copa Paulista contra o União São João a partir deste domingo. O que poucos sabem é que a trajetória do atleta no clube da cidade em que nasceu começou com uma reviravolta de bastidores: ele quase vestiu o agasalho de membro da comissão técnica antes de assumir a camisa 8 em campo.
Tudo começou com uma frase de Renato Santiago, diretor das categorias de base do São José: “Tenho um desafio para você. Vem aqui para conversarmos”. Ao ouvir o chamado, Maurício imaginou que seria um convite para defender o clube na Copa Paulista. Seria a oportunidade ideal de jogar pelo time da cidade onde nasceu e no estádio onde assistiu aos primeiros jogos na infância.
Maurício, volante do São José
Danilo Sardinha/ge
A expectativa era essa, mas a realidade se mostrou diferente. Maurício, que estava em processo para obter as licenças de treinador da CBF e participava dos treinos da base do São José para concluir a retirada da licença B, ouviu que o desafio seria integrar a comissão técnica do sub-20. Ele aceitou o convite, mesmo sendo uma proposta diferente da imaginada. Porém, após uma semana de trabalho fora das quatro linhas, veio a reviravolta: Rodrigo Pastana, executivo de futebol do clube, o convidou para reforçar o elenco profissional no segundo semestre.
Enfim, o jogador pôde vestir a camisa do clube que acompanhava no fim da década de 1990. Maurício estreou no Martins Pereira nesta Copa Paulista e, ao liderar o time até a final, ajudou a recolocar o São José em uma competição nacional.
Elenco do São José na Copa Paulista
Victor Cônsoli/SJEC
Agora, ele busca coroar a história com uma taça. O primeiro jogo da final contra o União São João ocorre neste domingo, às 10h, em Araras. A segunda e decisiva partida será disputada no dia 17 (sábado), às 18h, no estádio Martins Pereira.
– É muito satisfatório, independentemente de tudo o que eu já passei. Graças a Deus, tive uma carreira consolidada, consegui viajar bastante e realizar o sonho de ir para fora do país. Mas estar aqui me deixa muito feliz. Posso retribuir esse carinho, esse amor e a dedicação que as pessoas próximas sempre tiveram comigo – disse Maurício em entrevista ao ge.
Estreia no Martins e busca pelo título
Anunciado em junho deste ano, Maurício foi o primeiro reforço do São José para a Copa Paulista. O atleta, que defendeu a Inter de Limeira na temporada 2025, foi contratado não apenas pelo desempenho técnico, mas pela liderança e experiência que agrega ao elenco.
São José vence Noroeste e vai à final da Copa Paulista
Embora seja natural de São José dos Campos, ele ainda não havia atuado profissionalmente no Martins Pereira. A estreia ocorreu em 22 de agosto, no empate sem gols com o São Caetano, pela fase de classificação.
– É uma coisa inexplicável, de verdade. Porque realmente é uma realização de um sonho quando você é criança. A primeira coisa foi logo no vestiário. Foi chegar no vestiário e falar: “meu, as coisas estão realmente acontecendo”. Parece que vai caindo um pouco a ficha. Depois, você começa a se trocar, você vai ficando um pouco ansioso. “Meu primeiro jogo, será que vai dar certo? Não vai dar? Qual que vai ser a reação? Tua família está ali fora, você não pode decepcionar”. Enfim, uma série de fatores – contou.
Maurício em Comercial x São José, pelas quartas de final da Copa Paulista
Victor Cônsoli/SJEC
– Mas também, em contrapartida, você sabe que você está trabalhando muito. Que você está se preparando muito. Então essa ansiedade, a partir do momento que você já vai entrando no campo, já vai entrando no aquecimento, você começa a ter um contato com a bola, esse receio vai passando, vai sumindo. É uma sensação inexplicável. Inúmeros pensamentos, inúmeros fatores. Mas, como eu falei, estou feliz que deram certo – acrescentou.
O jogador tem sete jogos com a camisa do São José e um gol marcado. Tem sido titular da equipe e, no último fim de semana, ajudou a Águia a vencer o Noroeste no estádio Martins Pereira e garantir a classificação à final da Copa Paulista. A chegada à decisão representa a volta do São José ao cenário nacional do futebol.
Maurício, do São José, em entrevista ao ge e TV Vanguarda
Victor Cônsoli/SJEC
Além da vaga na Série D do Brasileiro ou na Copa do Brasil, a campanha pode ser coroada com o título.
– Temos uma equipe bem qualificada, evoluímos muito durante a competição. Temos que melhorar ainda algumas coisas, o que é normal. Acredito, sim, que temos grandes possibilidades de sermos campeões. Mas também entender que do outro lado tem uma equipe também qualificada. Que é importante a gente respeitar, ter humildade, porque eles também têm os objetivos deles. Se Deus quiser, vai dar tudo certo – afirmou.
Na companhia do pai
Nas arquibancadas do Martins Pereira, a torcida de Maurício é especial. Além da esposa Fernanda e dos três filhos, o pai do jogador, que também se chama Maurício, é presença garantida. No fim dos anos 90, os dois costumavam dividir o cimento da arquibancada para ver o São José enfrentar grandes do futebol brasileiro na elite do Campeonato Paulista.
Maurício, volante do São José, ao lado do pai
Danilo Sardinha/ge
– Lembro perfeitamente de todos os detalhes, por onde eu entrei, onde sentei aqui na arquibancada. Tive essa felicidade de ver alguns jogos na época. Lembro que tinha o São Paulo, tinha o Corinthians. Se não me engano, o Denilson veio aqui, o Marcelinho Carioca. São nomes muito conhecidos. Naquele momento, eu já ia me espelhando neles. “Um dia eu quero, talvez, poder jogar aqui, torcida cheia”. Só lembranças positivas – relembrou Maurício.
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O pai de Maurício foi um incentivador da carreira do filho. Levava o garoto para treinar e, nos momentos de lazer, para assistir aos jogos no estádio Martins Pereira.
– Como a gente já gosta do futebol e sempre participei aqui na cidade, eu via que ele gostava muito de futebol. Eu acreditava muito nele. Desde moleque era um espuleta, tinha dia que chegava com o dedão do pé com a unha caída. Fui incentivando, trazia ele aqui para curtir. Ele foi vivendo esses momentos e tomando esse rumo – afirmou o pai de Maurício.
– Para mim, foi uma alegria (ver Maurício no São José), principalmente para a nossa cidade. Como a gente acompanhou o São José há muito tempo. Para mim, é uma alegria. A gente conversou bastante, porque representar essa torcida da cidade não é fácil. O peso da camisa. Mas a emoção vem. Isso é comum no ser humano, né? Vendo as vitórias, os agradecimentos. A emoção vem. O que passa na cabeça é agradecimento – completou.
Maurício, volante do São José, ao lado do pai
Danilo Sardinha/ge
Um joseense em grandes clubes e na Europa
Maurício nasceu em São José dos Campos e chegou a jogar em escolinhas de futebol da cidade. Mas, aos 12 anos, já passou em um teste no Corinthians e passou a atuar pelo Alvinegro. Maurício fez toda a base no Corinthians e chegou a atuar no extinto Corinthians B.
Do Corinthians foi ao Fluminense, onde atuou como profissional. A passagem pelo time carioca ficou marcada pelo vice da Libertadores e por participar da campanha no Brasileiro de 2009, em que o Fluminense quase foi rebaixado e teve uma reação impressionante para garantir a permanência na elite. Em entrevista ao ge, o atleta já relembrou essa passagem.
Maurício comemora um dos quatro gols que marcou pelo Fluminense
Divulgação
Depois de defender o Flu, Maurício foi para Rússia. Atuou por cinco temporadas pelo Terek Grozny e mais três com a camisa do Zenit. Esse longo período no país russo fez o atleta ter a naturalização cogitada para defender a seleção russa na Copa do Mundo de 2018, que seria disputada no país (clique aqui e relembre).
Maurício acertou com o PAOK, da Grécia, em 2018. Jogou três temporadas na equipe e, ainda no país greco, atuou pelo Panathinaikos por mais dois anos. Depois, jogou no Rodina Moskva, da Rússia, e no Portimonense, de Portugal.
Maurício comemora gol do título pelo Zenit
Divulgação
Em 2024, voltou ao Brasil para defender o Athletic, de Minas Gerais. Em 2025, conquistou o acesso à Série C do Brasileiro com a Inter de Limeira. Nesta temporada, estava focado na obtenção das licenças para ser treinador até o acerto com o São José.
O jogador já tem a Licença B para ser treinador e está retirando a Licença A. Maurício espera ainda quer obter a licença PRO, da CBF, para atuar como técnico no futuro. Mas, por enquanto, segue ainda com intenção de seguir dentro de campo. O contrato com o São José é válido até o fim deste ano, mas, do que depender da vontade dele, a ideia é seguir no clube para a disputa da Série A2 em 2027.
Maurício, volante do São José
Victor Cônsoli/SJEC geRead More