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Eleições no Volta Redonda: entenda o que projeta a chapa de Murilo Pragana

Eleições no Volta Redonda: entenda o que projeta a chapa de Murilo Pragana

Candidato à presidência do Volta Redonda, Murilo Pragana envia mensagem à torcida
O Volta Redonda está em período eleitoral para definir a diretoria que comandará o clube no biênio 2027-2028. O ge abriu espaço para as duas chapas inscritas no pleito apresentarem ao torcedor suas propostas e o que projetam para o futuro do Volta Redonda.
A primeira chapa inscrita é composta pelo candidato à presidência Murilo Pragana e pelo vice Ernani Ferreira, enquanto a segunda chapa tem Edilson Silva como candidato à presidência e Alex Bosco como vice.
Murilo Pragana, candidato à presidência do Volta Redonda
Arquivo Pessoal
A relação oficial dos candidatos e chapas deferidos será publicada até 9 de outubro, após a análise de documentos, eventuais impugnações e recursos. A votação foi marcada para 19 de outubro, uma segunda-feira, na sede social do clube, no bairro São Lucas.
A entrevista do ge abordou os seguintes eixos: Torcida e relação com o clube; Estrutura e patrimônio; Futebol e ambição esportiva; Categorias de base; Austeridade e responsabilidade financeira; e um espaço aberto para considerações finais dos candidatos. Apenas a primeira chapa, de Murilo Pragana e Ernani Ferreira, enviou ao ge a resposta para os questionamentos dentro do prazo estipulado, com término na manhã desta quinta-feira. Confira abaixo: os principais destaques:
Torcida e relação com o clube
Precisamos criar motivos para que o torcedor queira viver a experiência do estádio e, ao mesmo tempo, fortalecer permanentemente a ligação entre o Volta Redonda, sua torcida, a cidade e a região. Queremos transformar o jogo novamente em um evento da cidade.
O sócio-torcedor precisa ser visto como muito mais do que alguém que compra ingresso antecipadamente ou com desconto […] Precisamos avaliar e modernizar o programa de sócio-torcedor, criando modalidades que atendam diferentes perfis de torcedores e oferecendo benefícios que realmente façam sentido.
Temos que entrar nas escolas, nos bairros e nos projetos sociais, aproximar os atletas das crianças, valorizar nossos ídolos e contar melhor a história do Volta Redonda. As crianças são os nosso futuro.
Estrutura e Patrimônio
O ideal para um clube que pretende crescer de forma consistente seria, no futuro, termos um centro de treinamento próprio e cada vez mais completo. Mas eu não quero fazer uma promessa que hoje não esteja amparada pela realidade financeira.
Uma das prioridades será trabalhar pela melhoria dos campos utilizados pelo clube, especialmente no CT do Aero, conforme já mencionei. Como se trata de uma estrutura vinculada ao poder público municipal, pretendemos procurar a Prefeitura e manter um diálogo permanente para buscar essas melhorias.
Futebol e Ambição esportiva
O primeiro objetivo esportivo é muito claro: o Volta Redonda precisa buscar o acesso à Série B. Depois disso, não basta subir. É necessário criar condições para permanecer e ser competitivo. […] Hoje, scouting, análise de mercado, dados e análise de desempenho são instrumentos fundamentais no futebol profissional. Precisamos avançar nesse setor.
Categorias de base
A base precisa ser tratada como parte estratégica do clube. Queremos aprimorar gradualmente a estrutura, a metodologia de formação, a captação de atletas, a preparação física e, principalmente, a integração entre base e profissional. O jovem precisa enxergar que existe um caminho real para chegar ao time principal.
Austeridade e responsabilidade financeira
Precisamos olhar para essa questão por dois lados: aumentar receitas e, ao mesmo tempo, reduzir déficits que hoje pesam no orçamento do clube. Hoje, o Volta Redonda tem um déficit anual em torno de R$ 600 mil ou até mais relacionado à realização dos jogos no estádio.
Nossa ideia é sempre preservar o equilíbrio fiscal e financeiro do Volta Redonda, seguindo uma linha que vem sendo adotada pela atual gestão e que considero fundamental para a segurança do clube. Não acredito que seja responsável comprometer o futuro da instituição simplesmente para aumentar uma folha de pagamento ou fazer uma aposta esportiva acima da nossa capacidade financeira.
Confira a entrevista na íntegra:
Torcida e relação com o clube
1) O Volta Redonda tem uma dificuldade histórica de levar um público proporcional à importância do clube ao Raulino de Oliveira. Quais soluções a chapa propõe?
Não existe uma solução isolada, e essa também não é uma dificuldade exclusiva do Volta Redonda. O futebol mudou muito nos últimos anos. Com as novas mídias, transmissões cada vez mais acessíveis e diferentes formas de acompanhar as partidas, muitas pessoas passaram a assistir aos jogos de casa, e isso é uma realidade enfrentada por diversos clubes. Por isso, não adianta imaginar que apenas reduzir o preço do ingresso vai resolver uma questão que é mais ampla. Precisamos criar motivos para que o torcedor queira viver a experiência do estádio e, ao mesmo tempo, fortalecer permanentemente a ligação entre o Volta Redonda, sua torcida, a cidade e a região. Queremos transformar o jogo novamente em um evento da cidade, com ações voltadas para famílias, jovens, escolas, bairros, empresas e projetos sociais. Precisamos trabalhar campanhas de ingressos, ações promocionais em determinados jogos, maior presença dos jogadores junto à comunidade e diálogo permanente com as torcidas. Queremos, literalmente, levar o Voltaço para as ruas da cidade. Faremos ações nas ruas, nos bairros, nas escolas, no comércio, nos eventos e em outros espaços de convivência, aproximando o clube das pessoas e fazendo com que o Volta Redonda esteja cada vez mais presente no dia a dia da população. O Voltaço precisa estar presente na vida da cidade também nos dias em que não há jogo. Quanto mais a população se identificar com o clube, naturalmente teremos mais gente no Raulino.
2) Como o candidato avalia atualmente a política de sócio-torcedor, como benefícios, preços diferenciados, ações de marketing e programas de fidelização? Existe um projeto de reformulação do plano de sócio – torcedor?
O sócio-torcedor precisa ser visto como muito mais do que alguém que compra ingresso antecipadamente ou com desconto. Nós já tivemos uma evolução importante. Na Série B, chegamos a aproximadamente 220 sócios-torcedores, saindo de uma inércia muito grande, de um cenário em que não tínhamos sequer 40 associados nesse programa. Hoje, salvo engano, e considerando a última informação que tive, temos algo em torno de 110 sócios adimplentes. Esse crescimento também precisa ser reconhecido como fruto do trabalho do atual diretor responsável pela área e do apoio individual de torcedores que ajudaram a movimentar e fortalecer o programa. É importante dar esse crédito. Mas acredito que ainda podemos avançar bastante. Sem criar qualquer ilusão ou trabalhar com números irreais, considero perfeitamente possível chegarmos, até o final de 2028, a uma faixa de 350 a 400 sócios – torcedores ativos. Para isso, precisamos avaliar e modernizar o programa, criando modalidades que atendam diferentes perfis de torcedores e oferecendo benefícios que realmente façam sentido. Podemos trabalhar vantagens com parceiros e patrocinadores, experiências com o clube, prioridade em determinados eventos, programas de fidelidade e benefícios relacionados aos jogos.
Também precisamos trabalhar melhor a comunicação e a permanência do sócio. Não basta apenas conquistar novas adesões; é fundamental criar razões para que esse torcedor continue no programa ao longo do tempo. Nosso objetivo é fazer com que o torcedor tenha orgulho, identificação e também vantagens concretas em pertencer ao programa durante os doze meses do ano. Se fizermos isso com organização, presença e diálogo com a torcida, acredito que a meta de 350 a 400 sócios até o fim de 2028 é realista.
3) Como acredita que o Volta Redonda possa conquistar novos torcedores e reconquistar quem se afastou?
Estando perto das pessoas. Temos que entrar nas escolas, nos bairros e nos projetos sociais, aproximar os atletas das crianças, valorizar nossos ídolos e contar melhor a história do Volta Redonda. As crianças são os nossos futuros torcedores e precisamos criar essa identificação desde cedo. Nesse trabalho, pretendemos contar também com o apoio in stitucional do prefeito Antônio Francisco Neto, Presidente de Honra do clube, para desenvolver, dentro dos limites legais, projetos que aproximem ainda mais o Voltaço das crianças e da população. Queremos fortalecer a imagem do Volta Redonda como um verdadeiro patrimônio esportivo, histórico e afetivo da cidade. Uma criança que conhece o Voltaço, entra no Raulino, encontra um jogador, participa de uma atividade do clube ou passa a conhecer melhor a nossa história pode criar uma ligação para a vida inteira. Ao mesmo tempo, precisamos olhar para quem se afastou , apesar de muitos serem pela facilidade das mídias de transmissões dos jogos, e de maneira geral, isso não é exclusivo do Voltaço . Queremos recuperar esse sentimento de pertencimento e fazer com que essas pessoas voltem a enxergar o clube como parte da sua cidade e da sua própria história. O Volta Redonda é mais do que um time de futebol. Ele representa uma cidade e uma região. Nosso desafio é fazer com que cada vez mais pessoas voltem a sentir que o Voltaço também é delas.
Estrutura e Patrimônio
1) Quais são hoje as principais deficiências estruturais do Volta Redonda que o candidato considera incompatíveis com um clube que pretende subir de patamar no futebol brasileiro? E quais delas seriam prioridade no mandato?
O ideal para um clube que pretende crescer de forma consistente seria, no futuro, termos um centro de treinamento próprio e cada vez mais completo. Mas eu não quero fazer uma promessa que hoje não esteja amparada pela realidade financeira do Volta Redonda. Um investimento dessa dimensão somente poderia ser tratado com responsabilidade, por exemplo, a partir de uma receita extraordinária importante, como uma futura negociação envolvendo algum atleta formado pelo clube e que hoje esteja vinculado a um grande clube, ou por meio de outra fonte de recurso que não comprometa o caixa do Volta Redonda. Não pretendo contrair dívidas para realizar esse tipo de projeto. Nesse aspecto, quero preservar a linha de responsabilidade financeira adotada pela atual gestão. Dentro de uma realidade mais imediata e plenamente possível, uma das nossas prioridades será buscar a melhoria das condições dos campos utilizados pelo clube, especialmente o campo do CT do Aero, além de outros espaços utilizados pelo futebol profissional e pelas categorias de base. Como todos sabem, o CT do Aero pertence ao poder público municipal. Por isso, pretendemos estabelecer um diálogo permanente com a Prefeitura e com o poder público de maneira geral para buscar essas melhorias. Conhecemos a sensibilidade do prefeito Antônio Francisco Neto quando o assunto é o Voltaço e tenho convicção de que encontraremos abertura para construir, em conjunto, soluções que beneficiem o clube. A qualidade dos campos interfere diretamente na qualida de dos treinamentos, no desenvolvimento técnico dos atletas e também pode contribuir para a prevenção de determinadas lesões. Portanto, melhorar esses espaços não é apenas uma questão estética ou patrimonial: significa oferecer melhores condições de trabalho aos nossos jogadores, tanto do profissional quanto da base. Nosso princípio será esse: sonhar grande, mas executar com responsabilidade. Vamos dialogar, buscar parcerias e fazer primeiro aquilo que é possível, necessário e que efetivamente possa melhorar o dia a dia do futebol.
2) Existe alguma obra ou ampliação que o candidato projeta para a estrutura do clube?
Existe a intenção de melhorar gradualmente a estrutura do clube, especialmente aquilo que tenha impacto direto no futebol. Uma das prioridades será trabalhar pela melhoria dos campos utilizados pelo clube, especialmente no CT do Aero, conforme já mencionei. Como se trata de uma estrutura vinculada ao poder público municipal, pretendemos procurar a Prefeitura e manter um diálogo permanente para buscar essas melhorias. Também vamos buscar o apoio de patrocinadores e parceiros que possam participar desse processo. Além disso, considero importante avaliar a ampliação e o aprimoramento da estrutura destinada à recuperação dos atletas e do depa rtamento de análise de desempenho. Hoje, no futebol profissional, não basta apenas montar um bom elenco. É necessário oferecer condições adequadas para treinamento, prevenção, recuperação e acompanhamento individual dos jogadores. Estrutura de treinamento e estrutura de recuperação impactam diretamente o resultado dentro de campo. Quanto melhores forem as condições oferecidas ao atleta, maiores serão as possibilidades de prevenção de lesões, recuperação mais eficiente e manutenção do jogador em condições de atuar durante a temporada. Da mesma forma, queremos fortalecer cada vez mais a análise de desempenho, utilizando tecnologia e informação para auxiliar a comissão técnica na avaliação do próprio elenco, dos adversários e na tomada de decisões. Ao longo desse período, conversei com diversos funcionários de diferentes áreas do clube para ouvir de quem vive diariamente a rotina do Volta Redonda quais são as principais necessidades e os pontos que podem ser aprimorados. Caso sejamos eleitos, essas demandas serão colocadas na mesa e avaliadas em conjunto. Vamos estabelecer uma ordem de prioridades, identificar aquilo que é mais urgente e analisar o que efetivamente será possível realizar já em 2026, dentro da realidade financeira do clube.
Não quero chegar com uma lista pronta de obras ou ampliações sem antes avaliar tecnicamente cada necessidade e conhecer os recursos disponíveis. Prefiro trabalhar por etapas, buscar apoio do poder público e da iniciativa privada e entregar melhorias concretas que possam pro duzir reflexos reais no desempenho esportivo, sempre com planejamento e responsabilidade.
3) Caso exista alguma obra ou construção como objetivo, qual seria o planejamento financeiro?
Nenhuma obra deve comprometer o funcionamento do futebol ou gerar um problema financeiro futuro. Vamos buscar recursos próprios, parcerias, patrocinadores direcionados a projetos específicos e outras formas legais de captação. Uma obra só deve começar quando houver planejamento, orçamento e segurança sobre a origem dos recursos.
Futebol e Ambição Esportiva
1) O Volta Redonda está na Série C, mas qual é o patamar esportivo que o candidato considera possível para o clube nos próximos dois anos?
O primeiro objetivo esportivo é muito claro: o Volta Redonda precisa buscar o acesso à Série B. Depois disso, não basta subir. É necessário criar condições para permanecer e ser competitivo. Em um horizonte de quatro anos, quero ver o Volta Redonda estruturado para ser um clube de Série B, disputando a competição com estabilidade e tendo condições de sonhar ainda mais alto. O clube precisa ter ambição, mas uma ambição acompanhada de planejamento.
2) Quanto o candidato acredita que será necessário investir no futebol para que o Volta Redonda conquiste o acesso na Série C e seja efetivamente competitivo na Série B?
Eu teria muita cautela em estabelecer agora um número fechado, porque o próprio Volta Redonda já mostrou que futebol não se resume simplesmente ao tamanho da folha de pagamento. Em 2024, quando fomos campeões da Série C, tínhamos uma das menores folhas da competição, a 16ª entre os 20 clubes, e ainda assim conquistamos o título e o acesso. Na Série B, entramos novamente com o menor investimento da competição e, infelizmente, por detalhes, acabamos retornando à Série C. Esses exemplos mostram duas coisas. A primeira é que responsabilidade financeira e organização são fundamentais. A atual gestão sempre teve como princípio o compromisso com as dívidas e com a saúde financeira do clube, e pretendo preservar essa linha. Mas também precisamos buscar cada vez mais eficiência na montagem do elenco. Não basta contratar em quantidade. Precisamos trazer jogadores que efetivamente tenham condições de ser aproveitados e contribuir dentro de campo. Quanto mais acertarmos nessas contrata ções, menos recursos serão desperdiçados e maior será nossa capacidade de direcionar parte do orçamento para uma ou outra peça de maior impacto, quando isso for necessário. Ao mesmo tempo, precisamos abrir cada vez mais espaço para os atletas formados nas nossas categorias de base. Além de fortalecer a identidade do clube e valorizar nossos próprios jogadores, isso também pode ajudar na composição do elenco e na utilização mais eficiente dos recursos.
E, observando as movimentações que vêm sendo feitas até aqui pela atual gestão, acredito que esse caminho já começou a ser percorrido: buscar um elenco mais funcional, com contratações mais criteriosas e maior possibilidade de aproveitamento dos jogadores da base. Nosso objetivo será continuar evoluindo ness e modelo: responsabilidade financeira, inteligência nas contratações, valorização da base e investimento maior apenas onde realmente fizer diferença dentro do elenco.
3) Existe a intenção de modernização da gestão de futebol com a contratação de uma equipe de scouting?
Sim. Hoje scouting, análise de mercado, dados e análise de desempenho são instrumentos fundamentais no futebol profissional. Precisamos avançar nesse setor e integrar cada vez mais a análise de mercado, o scouting e os dados com a comissão técnica e também com as categorias de base. Quanto mais informação tivermos antes de uma contratação, menores serão as chances de erro. A ideia é conhecer melhor o perfil técnico, físico e até a adaptação do atleta ao modelo de jogo antes de investir recursos do clube. Isso não elimina totalmente o risco, porque futebol não é uma ciência exata, mas certamente aumenta a possibilidade de acerto e evita desperdícios com jogadores que acabam tendo pouco aproveitamento. Para um clube que precisa administrar seus recursos com responsabilidade, errar menos nas contratações também significa ter mais capacidade financeira para investir melhor nas posições em que realmente houver necessidade.
Categorias de base
1) Qual será o papel das categorias de base no proje to esportivo? O candidato pretende aumentar o investimento na formação? O que projeta para a base?
A base precisa ser tratada como parte estratégica do clube. Ela tem importância esportiva, financeira e também institucional. É através da base que podemos formar jogadores identificados com o Volta Redonda e criar patrimônio para o clube. Queremos aprimorar gradualmente a estrutura, a metodologia de formação, a captação de atletas, a preparação física e, principalmente, a integração entre base e profissional. O jovem precisa enxergar que existe um caminho real para chegar ao time principal.
2) Como o Volta Redonda pretende evitar que talentos formados pelo clube deixem a base sem gerar retorno esportivo ou financeiro significativo?
O clube já viveu, no passado, uma experiência ruim com um atleta que se destacou aqui, seguiu para o exterior e acabou saindo sem que o Volta Redonda recebesse aquilo que lhe caberia pela formação e valorização daquele jogador. Esse episódio serviu como aprendizado e ajudou o cl ube a avançar institucionalmente. Hoje, o Volta Redonda possui o Certificado de Clube Formador da CBF, que oferece uma proteção muito maior ao trabalho desenvolvido nas categorias de base e reduz significativamente a possibilidade de situações como aquela voltarem a se repetir.
Obviamente, nossa intenção é manter esse certificado, cumprir todas as exigências necessárias para sua renovação e continuar fortalecendo os mecanismos jurídicos, contratuais e de acompanhamento dos atletas desde as categorias inferiores. Também precisamos identificar cedo os jogadores de maior potencial, trabalhar corretamente os contratos e a relação com as famílias e, principalmente, oferecer perspectiva esportiva dentro do próprio clube. Quanto mais o jovem perceber que existe um caminho real da base para o profissional, maior será a chance de conseguirmos retorno dentro de campo e também financeiro no futuro. A base precisa formar jogadores, mas também precisa proteger o investimento que o Volta Redonda faz nesses atletas.
3) A estrutura oferecida hoje para as categorias de base é considerada satisfatória? Há projetos para melhorar essa estrutura?
Existem avanços importantes, e isso precisa ser reconhecido. Mas, se queremos que a base tenha um papel cada vez maior no futuro es portivo e financeiro do clube, ainda precisamos evoluir em alguns pontos. Entre as prioridades, está a melhoria dos gramados utilizados pelas categorias de base, uma estrutura mais adequada para musculação e preparação física, além do aprimoramento de outras áreas ligadas ao desenvolvimento, acompanhamento e recuperação dos atletas. Quanto melhor for a estrutura oferecida, maiores serão as condições para formar jogadores mais preparados técnica e fisicamente e também para aproximá-los do nível de exigência do futebol profissional.
A ideia é avançar de forma gradual, dentro da realidade financeira do clube, mas com uma direção clara: oferecer à base condições cada vez melhores para que possamos formar mais atletas, aproveitar mais jogadores no profissional e, consequentemente, gerar também maior retorno esportivo e financeiro para o Volta Redonda.
Austeridade e Responsabilidade Financeira
1) Se o futebol exigir um investimento maior do que o caixa permite, qual será a decisão do candidato? Recorreria, em alguma circunstância, a gerar endividamento ao clube?
Nossa ideia é sempre preservar o equilíbrio fiscal e financeiro do Volta Redonda, seguindo uma linha que vem sendo adotada pela atual gestão e que considero fundamental para a segurança do clube. Não acredito que seja responsável comprometer o futuro da instituição simplesmente para aumentar uma folha de pagamento ou fazer uma aposta esportiva acima da nossa capacidade financeira. O futebol precisa ter ambição, mas essa ambição precisa caminhar junto com responsabilidade. Por isso, a regra será trabalhar dentro daquilo que o clube efetivamente pode pagar, mantendo os compromissos em dia e evitando a criação de novos passivos. Se surgir uma necessidade extraordinária de investimento no futebol, antes de pensar em qualquer tipo de endividamento, nossa primeira atitude será buscar alternativas. Vamos procurar patrocinadores, empresários, parceiros do clube e apoiadores que possam contribuir de maneira pontual para aquela situação específica, sempre dent ro das regras e com total transparência.
Acredito muito mais na capacidade de construir parcerias e encontrar soluções do que simplesmente recorrer a uma dívida. Uma eventual operação que pudesse gerar algum tipo de endividamento seria tratada somente em uma situação realmente excepcional, como último recurso, depois de esgotadas essas alternativas, e nunca por uma decisão isolada do presidente. Antes de qualquer medida dessa natureza, eu faria questão de ouvir principalmente os diretores responsáveis pelas áreas financeira e administrativa, além dos demais profissionais envolvidos, e levar o tema aos órgãos competentes do clube, especialmente ao Conselho, para uma análise ampla e responsável. E mesmo nessa hipótese, seria indispensável haver uma justifi cativa concreta, uma fonte de pagamento claramente definida e a segurança de que aquela decisão não colocaria o futuro do Volta Redonda em risco. Meu princípio será simples: podemos ter ambição dentro de campo, mas nunca às custas da saúde financeira e institucional do clube.
2) Como o candidato pretende aumentar as receitas recorrentes do Volta Redonda para diminuir a dependência de premiações, cotas e eventuais transferências de jogadores? Há uma meta de faturamento para o fim do mandato?
Precisamos olhar para essa questão por dois lados: aumentar receitas e, ao mesmo tempo, reduzir déficits que hoje pesam no orçamento do clube. Hoje, o Volta Redonda tem um déficit anual em torno de R$ 600 mil ou até mais relacionado à realização dos jogos no estádio. Isso acontece porque toda a operação de uma partida gera custos para o clube — como o chamado quadro móvel, além de outras despesas necessárias para a realização dos jogos — e, em cerca de 99% das partidas, a arrecadação de bilheteria não é suficiente para cobrir esse conjunto de gastos. Esse é um ponto que precisa ser enfrentado. Talvez não consigamos eliminar completamente esse déficit, mas qualquer redução já representará um ganho importante para o clube. Cada real que conseguirmos deixar de perder nessa operação passa a ser recurso que pode ser direcionado ao futebol, à contratação de jogadores, à base, à estrutura e a outras necessidades do Volta Redonda. Por isso, caso sejamos eleitos, uma das minhas prioridades será trabalhar fortemente para trazer mais torcedores de volta aos jogos e fortalecer cada vez mais a identificação do clube com a cidade. Precisamos fazer o Voltaço ocupar mais espaço no cotidiano da população, nas ruas, nos bairros, nas escolas e nos eventos da cidade. Quanto maior for a presença da torcida e o envolvimento da população com o clube, maior também será a visibilidade da marca Volta Redonda. E um clube com mais público, mais engajamento e maior exposição naturalmente se torna mais atrativo para empresas interessadas em associar suas marcas ao Voltaço. Isso pode ampliar nossa capacidade de buscar novos patrocinadores e, consequentemente, melhorar os valore s das propriedades comerciais do clube. Também quero trabalhar melhor a exposição das nossas categorias de base. Dentro das possibilidades legais, dos direitos de transmissão e da viabilidade técnica de cada competição, podemos ampliar a transmissão de jogos da base pelos nossos próprios meios digitais.
São transmissões que, dependendo da competição e das condições disponíveis, podem ser realizadas com custo relativamente baixo e gerar benefícios importantes: dar visibilidade aos nossos jovens, aproximar familiares e torcedores, valorizar os atletas e criar novas propriedades comerciais específicas para patrocinadores interessados em investir nas categorias de formação. Quanto mais conseguirmos mostrar o trabalho realizado na base, maior será também a possibilidade de atrair parceiros para esse setor. A ideia é utilizar nossos canais digitais não apenas como ferramenta de comunicação, mas também como instrumento de valorização esportiva e geração de novas oportunidades comerciais para o clube. Ao mesmo tempo, precisamos continuar diversificando as fontes de receita com sócio-torcedor, novos patrocinadores, propriedades comerciais, licenciamento de produtos, ações em dias de jogos, eventos, presença digital, parcerias com empresas da cidade e da região e valorização dos atletas formados pelo clube. Também acredito muito no fortalecimento da relação institucional com o poder público, sempre respeitando os limites legais, e com o setor empresarial. Sobre estabelecer agora uma meta fechada de faturamento para o fim do mandato, prefiro agir com responsabilidade. Uma meta séria precisa partir dos números completos do clube, do orçamento e das perspectivas esportivas e comerciais dos próximos anos. Mas uma coisa é clara: se conseguirmos aumentar receitas recorre ntes e, ao mesmo tempo, reduzir esse déficit relacionado às partidas no estádio, teremos mais autonomia financeira e mais capacidade de investimento em todas as áreas do clube.
3) O candidato conhece o panorama da quitação de dívidas do clube atualmente? Qual será o planejamento para esse panorama financeiro?
O Volta Redonda já viveu momentos financeiros muito difíceis ao longo de sua história e chegou a ter um endividamento bastante elevado. Tenho convicção de que todos os presidentes que passaram pelo c lube deram o seu melhor dentro das circunstâncias de cada época, principalmente nos momentos de maior dificuldade financeira. Cada gestão enfrentou desafios diferentes e, de alguma forma, contribuiu para que o Volta Redonda chegasse até aqui. Posso destacar, inclusive, a passagem do atual prefeito Antônio Francisco Neto pela presidência do clube. Existem diversos registros nos livros do Conselho Deliberativo fazendo referência às contribuições e ao apoio dado por ele ao Volta Redonda, inclusive em mo mentos delicados da vida financeira da instituição. Chegamos então à atual gestão, que durante anos precisou administrar não apenas as despesas do presente, mas também compromissos acumulados no passado. Ao longo desse período, aproximadamente R$ 7 milhões em dívidas foram pagos. Ainda existem obrigações a serem quitadas, evidentemente, mas hoje o cenário é muito diferente daquele que o clube já enfrentou. O volume de dívidas é consideravelmente menor e, mais importante, temos hoje um clube financeiramente saudável, cujo patrimônio supera o total de suas obrigações. Isso é algo que precisa ser valorizado, especialmente porque sabemos como é difícil encontrar esse tipo de equilíbrio no futebol brasileiro.
Nossa intenção é preservar esse patrimônio construído ao longo dos anos. Queremos continuar honrando os compromissos existentes, reduzir ainda mais o endividamento sempre que possível e evitar a criação de novos passivos que comprometam o futuro do clube. O objetivo é simples: entregar ao próximo presidente um Volta Redonda ainda mais saudável financeiramente do que aquele que recebermos.
Espaço aberto
1) Como você projeta o Volta Redonda após o fim do seu eventual mandato?
Quero deixar um Volta Redonda maior do que aquele que recebermos. Um clube financeiramente organizado, esportivamente mais forte, com categorias de base valorizadas, estrutura melhor, novas fontes de receita e, principalmente, muito mais próximo da torcida, da cidade e da região. Quero que uma criança de Volta Redonda tenha orgu lho de vestir a camisa do Voltaço e queira acompanhar o clube. E quero que o Volta Redonda seja reconhecido nacionalmente como um clube sério, competitivo e organizado.
2) O que você considera, hoje, prioridade no Volta Redonda?
Uma das minhas principais prioridades é voltarmos a ter um Raulino com mais público e fortalecer cada vez mais a identificação entre o Volta Redonda e a população da cidade.
Quero que o cidadão volte a sentir cada vez mais que o Voltaço faz parte da vida de Volta Redonda, que é um patrimônio da cidade e que o clube também pertence a ele. Isso passa por estarmos presentes nas ruas, nos bairros, nas escolas, nos eventos e por criar novamente o hábito e o desejo de acompanhar o time no estádio. Também considero prioridade ampliar o nosso quadro de sócios – torcedores. Quanto mais pessoas participarem diretamente da vida do clube, maior será nossa força institucional, nossa receita recorrente e a ligação da torcida com o Voltaço. Outro ponto fundamental será aprimorar ainda mais nossa relação institucional com o poder público em todas as esferas. No âmbito municipal, queremos manter um diálogo especialmente próximo com o prefeito Antônio Francisco Neto, Presidente de Honra do clube, que tem uma longa história com o Volta Redonda e um sentimento pelo clube que todos na cidade conhecem. Essa relação deve sempre ser institucional, transparente e voltada para projetos que possam beneficiar o Voltaço e, ao mesmo tempo, a própria população. Essas prioridades estão interligadas: mais identificação com a cidade ajuda a trazer mais público; mais público fortalece nossa marca; uma marca mais forte atrai sócios, parceiros e patrocinadores; e boas relações institucionais ampliam nossa capacidade de desenvolver projetos. Quero um Volta Redonda cada vez mais presente na cidade e uma cidade cada vez mais presente no Volta Redonda.
3) Que mensagem você deixa ao torcedor em geral e aos associados que vão votar na eleição?
Minha relação com o Volta Redonda vem de muito tempo e também de uma história familiar ligada ao clube. Sou neto do saudoso Coronel Pragana, que muitos dos mais antigos conheceram e que ocupou a mesma cadeira que hoje ocupo, na presidência do Conselho Deliberativo, entre 1985 e 1987, ano de seu falecimento. Sou nascido em Volta Redonda e acompanho o clube mais de perto desde 2005, quando de fato me tornei torcedor, frequentador do estádio e passei a viver o dia a dia do Voltaço com muito mais intensidade. Nos últimos oito anos, tive a honra de presidir o Conselho Deliberativo do clube. E, nos últimos quatro, contei com Ernani como vice -presidente do Conselho. Portanto, não estamos chegando agora à vida institucional do Volta Redonda. Conhecemos o clube por dentro, suas dificuldades, sua história, seus profissionais e também o enorme potencial que ele possui. Se formos escolhidos, eu e Ernani queremos uma gestão baseada no diálogo, no trabalho, no equilíbrio e, principalmente, na presença. No meu caso, pretendo ter presença física diária no clube, salvo raras exceções. Quero estar na sede, nos treinos, nos jogos, conversando com funcionários, diretores, comissão técnica, atletas, associados e torcedores, acompanhando de perto aquilo que estiver acontecendo e participando efetivamente das decisões. E essa presença não ficará restrita às dependências do clube. Em muitas das ações que pretendemos realizar pela cidade, quero estar pessoalmente nas ruas, nos bairros, nas escolas, no comércio e nos eventos, conversando com a população e ajudando a aproxima r cada vez mais o Voltaço das pessoas. Se queremos levar o Voltaço para as ruas, acredito que o presidente também precisa estar nelas, participando e ouvindo a população.
Também quero aprimorar cada vez mais a relação institucional do Volta Redonda com o poder público municipal. Isso significa manter um diálogo permanente com a Prefeitura, com suas secretarias e também com a Câmara Municipal e seus vereadores, sempre de maneira institucional, transparente e respeitando os limites legais. O Volta Redonda é um patrimônio da cidade e, por isso, acredito que deve manter as portas abertas ao diálogo com todos aqueles que ocupam funções públicas e que possam contribuir, dentro de suas atribuições, para projetos que beneficiem o clube, o esporte e a própria popu lação. Temos enorme respeito pelo que foi construído até aqui. Não chega remos com a intenção de apagar o passado ou desmerecer quem trabalhou pelo Volta Redonda. Pelo contrário: queremos preservar aquilo que funciona, corrigir o que puder ser aprimorado e construir novos caminhos para o clube continuar crescendo. Também quero deixar uma mensagem muito clara aos associados: a eleição é um momento democrático e legítimo, mas ela termina no dia da votação. Depois disso, não pode existir Volta Redonda de uma chapa ou de outra, de um grupo ou de outro. Tem que existir apenas o Volta Redonda Futebol Clube. Quero ter a oportunidade de retribuir ao clube tudo aquilo que ele representa para mim, para minha família e para a nossa cidade. Se recebermos a confiança dos associados, vamos trabalhar todos os dias para entregar, ao final do mandato, um Volta Redonda mais forte, mais próximo de sua torcida, mais presente na cidade, financeiramente responsável e preparado para crescer ainda mais. Voltaço mais perto de você. geRead More