Entenda por que corrida na Malásia deve ser uma das mais desafiadoras da F1 2026
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Depois de nove anos de ausência, a Fórmula 1 retorna à Malásia excepcionalmente para a corrida no Circuito Internacional de Sepang, batizado como GP do Bahrein na Malásia após o cancelamento da prova em Sakhir, no mês de abril. E a expectativa é de que a disputa deste fim de semana seja uma das mais desafiadoras da temporada para os pilotos.
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Circuito de Sepang, palco do GP da Malásia e do GP do Bahrein de 2026 da F1, no ano de 2016
Lars Baron/Getty Images
Localizada em Kuala Lumpur, capital da Malásia, a pista tem 15 curvas e combina trechos de média e alta velocidade com longas retas. A característica da pista de 5,543km costuma proporcionar ultrapassagens; especialmente pela largura do traçado, que proporciona diferentes pontos para que as manobras sejam realizadas.
No entanto, o traçado não é o único fator que deve tornar a corrida na Malásia desafiadora. Abaixo, o ge mostra algumas razões pelas quais a prova em Sepang deve ser complicada para os pilotos.
Pouca familiaridade
Para começar, um fator primordial: a maioria dos pilotos no grid da Fórmula 1 nunca correu nesta pista na elite do automobilismo mundial. Ao todo, apenas dez dos 22 nomes da F1 2026 estavam presentes na última prova realizada em Sepang, em 2017. São eles: Fernando Alonso, Max Verstappen, Lewis Hamilton, Carlos Sainz, Nico Hulkenberg, Esteban Ocon, Sergio Pérez, Lance Stroll, Valtteri Bottas e Pierre Gasly.
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Curiosamente, Hamilton é o único dos cinco primeiros colocados do campeonato que estiveram presentes naquela corrida. Kimi Antonelli, George Russell, Lando Norris e Charles Leclerc vão correr pela primeira vez na Malásia neste domingo.
Para driblar a falta de experiência no traçado malaio, os pilotos que nunca correram por lá vão ter que recorrer bastante aos simuladores – cenário semelhante ao que ocorreu antes do GP da Espanha, no novo circuito Madring. Russell, por exemplo, disse conhecer bem o local porque Sepang era sua pista favorita nas disputas virtuais.
– Sepang era, na verdade, minha pista favorita quando criança quando eu jogava no jogo de F1. Nunca dirigi lá, mas sinto que conheço muito bem porque dirigi com frequência – explicou o britânico.
George Russell em entrevista coletiva em Kuala Lumpur, na Malásia
Arif Kartono/AFP
O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Audi, é outro piloto que vai ter sua primeira experiência na pista da Malásia e acredita que os treinos livres serão cruciais para o fim de semana:
– É um circuito novo para mim, e será importante aproveitar ao máximo as sessões de treino para aprender tudo sobre ele, mas estou animado para ir lá. Estivemos perto dos pontos nas últimas corridas, então espero conseguir dar mais um passo na direção certa e estar na disputa novamente – disse o piloto.
Falta de dados
Conhecer uma pista nova é sempre um desafio para os pilotos, especialmente em um ambiente de alta pressão como a Fórmula 1. No entanto, isso não quer dizer que os veteranos vão ter vida fácil em Sepang. Afinal de contas, os dados e a experiência deles em 2017 pouco valem para 2026, com uma geração de carros que funciona de forma muito diferente daquela.
Max Verstappen venceu o último GP da Malásia de F1, em 2017
Mark Thompson/Getty Images
Um dos pontos mais importantes tem a ver com o desgaste de pneus. Embora as características da pista não tenham mudado desde a última prova na Malásia, os trechos localizados entre as curvas 6 e 12 tiveram o asfalto recapeado, e a curva 9 recebeu maior atenção.
Isso deve ser particularmente importante porque o Circuito Internacional de Sepang costuma gerar um alto nível de desgaste nos pneus, com bastante estresse na parte lateral dos compostos. Por mais que as equipes trabalhem no simulador, ainda não há dados reais sobre o nível de degradação, e quem fizer o dever de casa corretamente nos testes virtuais pode levar vantagem.
Outro ponto de atenção é o gerenciamento de energia, sempre importante nas etapas da F1 2026. Como a pista combina curvas velozes e longas retas, as equipes terão que escolher com cuidado os pontos em que vão aplicar mais ou menos potência.
Alerta de calor
Outra característica importante do Circuito Internacional de Sepang é o desgaste físico que ele costuma provocar nos pilotos, e a corrida deste fim de semana pode ser ainda mais complicada para os competidores neste aspecto, graças às altas temperaturas esperadas para os três dias de atividades.
A Malásia fica pouco acima da Linha do Equador e está situada no hemisfério norte do planeta; isso significa que, na teoria, a estação do ano vigente no país é o outono. Entretanto, as estações não são tão definidas no território malaio, que registra períodos mais secos e mais chuvosos.
Circuito de Sepang recebe preparativos para o GP do Bahrein na Malásia, da F1 2026
Hazrin Yeob Men Shah/Icon Sportswire via Getty Images
A previsão do tempo oficial da F1 projeta que a temperatura máxima pode alcançar os 32ºC na sexta-feira e no sábado, com sensação térmica beirando os 36ºC por causa da alta umidade. A tendência se mantém no domingo, quando espera-se que os termômetros beirem os 31ºC.
O serviço de meteorologia do governo do Reino Unido, por sua vez, projeta uma variação de umidade entre 63% e 98% em Kuala Lumpur, o que aumenta a sensação de calor ao impedir que o corpo se resfrie de forma eficiente.
Desde o ano passado, a FIA tem implementado medidas para mitigar os efeitos do calor quando há previsão de temperatura acima dos 31ºC. A principal exigência é a instalação de um sistema de refrigeração de pilotos no carro, mas também é possível utilizar um colete de resfriamento caso os pilotos queiram – entretanto, nem todos são adeptos da medida.
Calor… e chuva?
Para embolar ainda mais a situação na Malásia, os serviços de meteorologia também apontam risco de chuva para os três dias de atividades em Sepang. A F1 divulgou na quarta-feira (30) que há 50% de risco na sexta-feira, 40% no sábado e 30% no domingo.
Neste momento, o país passa por uma transição climática para o período de monções, e é justamente esta fase que afeta mais a cidade de Kuala Lumpur. Esta época do ano é marcada por chuvas fortes e alta umidade, e a água costuma cair durante a parte da tarde.
A prova será realizada na madrugada do Brasil, mas acontece durante a tarde no horário local. Portanto, embora as previsões indiquem apenas 30% de chances, não será uma surpresa se o Circuito de Sepang for atingido pela chuva durante a realização do grande prêmio.
Lewis Hamilton pilota Mercedes sob chuva na Malásia
EFE
A chuva ainda pode trazer uma nova questão: a utilização dos pneus de pista molhada. A Pirelli, fornecedora da Fórmula 1, fez mudanças nos compostos intermediários e de chuva extrema para essa temporada, mas eles ainda não foram testados em corridas; afinal, todas as provas do ano aconteceram com pista seca.
Pilotos como Pierre Gasly, Carlos Sainz e Lando Norris já expressaram preocupação com a forma como esses pneus operam; o francês da Alpine, por exemplo, disse que se surpreendeu ao testar os compostos no circuito de Magny-Cours. De acordo com Sainz, Gasly teria contado que os pneus não funcionaram corretamente e fizeram os carros aquaplanarem.
O GP do Bahrein na Malásia acontece às 4h (de Brasília) do domingo (4) e vai ter transmissão ao vivo do sportv 3. O ge.globo acompanha todas as atividades do fim de semana em tempo real.
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