Protesto estudantil contra cortes em universidades termina em confronto com a polícia na Argentina
Manifestantes se protegem com escudos improvisados contra jatos de água durante um protesto em apoio à comunidade universitária argentina, em 15 de outubro de 2026
Pedro Lazaro Fernandez
Milhares de estudantes e professores argentinos foram às ruas nesta quinta-feira (15) em protesto contra o governo de Javier Milei. Em Buenos Aires, a manifestação terminou em confronto entre policiais e manifestantes, com lançamento de pedras e disparos de gás lacrimogêneo.
Os incidentes ocorreram durante o ato central, na praça em frente ao Congresso argentino. Dezenas de pessoas atiraram pedras, enquanto policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.
Os protestos também foram registrados em outras cidades do país. Os manifestantes exigem que o governo cumpra uma lei que prevê a atualização do financiamento das universidades públicas, incluindo a reposição das perdas salariais dos professores e a recomposição das bolsas estudantis.
A mobilização ocorre após dias de greve, protestos dentro das universidades e decisões judiciais que determinam que o Executivo aplique a chamada Lei de Financiamento Universitário.
Os recursos destinados às universidades argentinas caíram 40,5% em termos reais no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2023, segundo um estudo do Centro de Pesquisa em Economia Nacional da Universidade de Buenos Aires.
Na capital, milhares de pessoas se concentraram perto do Congresso após o meio-dia, com bandeiras de entidades estudantis e sindicatos de professores. Entre as mensagens exibidas estavam “Milei, cumpra a lei” e “A universidade pública é um direito, não um privilégio”.
“Estamos exigindo que nos paguem o que nos devem”, disse à AFP Francisca Staiti, secretária-geral do sindicato de professores Conadu Histórica.
Segundo a dirigente, as restrições orçamentárias levam professores a acumular empregos ou abandonar seus cargos.
Um homem lança gás lacrimogêneo durante uma manifestação que exige que o governo do presidente argentino Javier Milei cumpra uma lei que atualiza o financiamento das universidades públicas
Emiliano Lasalvia/AFP
A lei foi aprovada pelo Congresso em agosto de 2025, mas vetada por Milei. Em outubro daquele ano, o Parlamento derrubou o veto. Apesar disso, o governo não aplicou a norma.
Desde então, decisões judiciais, incluindo uma da Suprema Corte em junho, determinaram que o Executivo efetue os pagamentos.
Na terça-feira, o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, afirmou que “não é verdade que essa lei não esteja sendo cumprida”. Segundo ele, a aplicação da norma está interrompida enquanto o governo recorre à Justiça.
O Executivo também argumenta que a legislação não especifica de onde virão os recursos para financiá-la.
Esta é a quinta marcha federal universitária desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023. Desde então, o governo anunciou aumentos nas verbas destinadas às universidades, mas as instituições consideram os valores insuficientes.
A mobilização também reuniu partidos de oposição, sindicatos, organizações sociais e aposentados.
Os grupos convocaram ainda um ato em frente ao Congresso para pedir a revogação de um megadecreto de Milei que, entre outras medidas, elimina restrições à venda de terras rurais a estrangeiros.g1 > Mundo Read More


