Recordista mundial, nadador de 102 anos impressiona em torneio master contra atletas mais jovens
Nadador de 102 anos compete em torneio master no Rio de Janeiro e é homenageado
Ao ser anunciado para entrar na água no Master Games Brasil, Anton Karl Biedermann foi ovacionado pelo público e por outros competidores. Os três recordes mundiais, 53 brasileiros e 48 sul-americanos conquistados pelo atleta não foram os principais motivos de tantos aplausos na piscina da Escola de Educação Física do Exército, na Urca. Anton disputou as provas de 50 e 100 metros costas no Rio de Janeiro aos 102 anos. Ele precisou competir na categoria 70+ por não ter adversários de idade próxima.
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Recordista mundial, nadador de 102 anos impressiona em torneio master contra atletas mais jovens
Reprodução
– Qual é o objetivo? Se com 100 anos você ainda tem algum objetivo. Tem que ter um objetivo. Tem que ter. Não pode ficar sentado em uma cadeira esperando chegar a hora de morrer. Tem que fazer alguma coisa, seja lá o que for. Nem que seja nadar e fazer musculação – disse Anton.
Com a ajuda da filha Rosane, o nadador chegou ao bloco de partida e, como se tivesse 50 anos a menos, saltou na piscina com o corpo ereto e os pés apontados para baixo. Para algumas pessoas, atravessar uma piscina de costas seria uma desafio e tanto. Para Anton, não é sacrifício, mas um dos segredos para se manter ativo e saudável.
– 102? Significa que valeu a pena. Eu não vou falar em sacrifício. As pessoas têm uma mania de dizer que é um sacrifício treinar todos os dias. Não é, é uma alegria. A gente gosta, se sente bem. De manhã, quando eu acordo, isso é quase que invariável. Todas as manhãs eu tenho uma preguiça. Mas se eu não fizer nada, o sentimento de culpa é tão grande que não vale a pena o fato de não ter feito exercício naquele dia.
Recordista mundial, nadador de 102 impressiona em torneio master contra atletas mais jovens
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Natural de Rio Grande do Sul, o nadador nasceu em 22 de setembro de 1924 e foi testemunha de alguns dos momentos mais marcantes da história recente do mundo. Passou pela Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria, pandemia e viu a ciência evoluir ao longo de um século. Quando era criança, sua mãe não acreditava que esportes faziam mal para a saúde e o incentivou a praticar exercícios desde pequeno.
– A regra geral das pessoas mais velhas da minha época, quando eu era pequeno, era de que o esporte fazia mal ao coração. E minha mãe não acreditava nisso. Minha mãe achava que o coração era um músculo e que tem que se desenvolver como os outros músculos também. Estava certíssima, né. Então desde muito cedo ela nos encaminhou a fazer algum tipo de exercício. Até hoje em dia eu pratico exercícios todos os dias. É 1 hora e 15 minutos de musculação e depois 1 hora e meia de natação – lembrou Anton.
A trajetória de Anton na natação começou ainda na infância, em 1937, quando nadou pela primeira vez no Rio Paraíba do Sul, em Guaratinguetá (SP). Anos depois, já morando em São Paulo, integrou a equipe do Corinthians. Em 1941, se mudou com a família para Porto Alegre, onde passou a defender o Grêmio Náutico União, clube ao qual permanece ligado até hoje.
Nadador de 102 anos impressiona em torneio master contra atletas mais jovens
João Ribeiro
Contador, economista e administrador, Anton nunca desistiu do esporte. Aos 102 anos, é detentor de 3 recordes mundiais.
– O primeiro recorde mundial que eu bati foi 50 costas em Curitiba, cinco ou seis anos atrás. Era uma outra categoria, de 95 anos. Foi uma festa para mim, um objetivo quase inatingível. Depois, já na categoria 100+, bati o de 50 metros no ano passado, em Buenos Aires. E ainda bati o recorde mundial de 100 costas no ano retrasado.
O centenário Anton não parece disposto a parar. Para ele, ter um objetivo é fundamental, independentemente da idade. Seja na piscina ou na musculação, o importante é continuar em movimento e encontrar motivos para seguir em frente. E, quando o assunto são os adversários, o bom humor também segue em dia.
– Os adversários não me preocupam porque os coitados morreram no caminho, não chegaram a ser adversários. Não tenho culpa disso, mas tenho pena de que não tenham conseguido chegar – brincou Anton, às gargalhadas. geRead More


