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Robo processa paiN em ação de R$ 3,4 milhões e revela ter sido demitido por justa causa

Robo processa paiN em ação de R$ 3,4 milhões e revela ter sido demitido por justa causa

O jogador Leonardo “Robo” está processando a paiN Gaming, com pedidos cujos valores somam R$ 3,457 milhões. Trata-se da ação judicial de maior cifra envolvendo atleta de esportes eletrônicos de que se tem notícia no Brasil.
No processo iniciado na Justiça do Trabalho, o jogador de League of Legends revela ter sido demitido por justa causa devido ao baixo desempenho no início da temporada e contesta os argumentos e a condução do processo interno para a decisão da diretoria.
Robo pede, além do reconhecimento de vínculo empregatício com a organização, do pagamento de verbas rescisórias e da reversão da justa causa, que a paiN seja condenada a indenizações por danos morais e materiais. O processo está no início, e ainda não há decisão da Justiça.
Em nota, a paiN diz que a demissão ocorreu após “criteriosa análise” e que respeita questionamento judicial, mas que “confia no procedimento adotado” (leia a nota na íntegra no fim do texto).
Robo, jogador de League of Legends, em partida pela paiN Gaming no Campeonato Brasileiro (CBLOL)
Bruno Alvares/Riot Games
Contratado para a temporada 2026, Robo deixou de fazer parte do time da paiN em 28 de abril, depois das duas primeiras edições do Campeonato Brasileiro (CBLOL). Ele saiu da organização em julho, demitido por justa causa pela paiN.
Demissão por justa causa é o encerramento de contrato por decisão do empregador, motivada por uma falta considerada grave pela legislação. Neste caso, o empregado perde direitos e verbas trabalhistas.
Robo sustenta que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) “não prevê baixo rendimento esportivo, desempenho inferior à expectativa empresarial ou frustração quanto ao retorno de uma contratação como causas autônomas para dispensa por justa causa”, segundo escreveram os advogados Helio Tadeu Brogna Coelho Zwicker e Ana Paula Smidt Lima, defensores do jogador no processo.
Conforme a ação, a paiN abriu em 8 de junho “procedimento de análise de desempenho insatisfatório”, cujos resultados serviram para a rescisão por justa causa em 13 de julho. O contrato era válido até 15 de novembro de 2027.
O procedimento tem relatório de desempenho assinado pelo assistente técnico Matheus “Sarkis” que, a partir das estatísticas individuais, conclui que Robo tem “baixo rendimento” e “pode entregar valor em condições específicas de draft, mas não aparece como uma peça estável para sustentar vantagem recorrente na top lane”.
Um relatório comportamental diz que Robo “se manifestou com certa rispidez” em alguns momentos, que se frustrou com o desempenho, o que provocou quebra de confiança entre ele e o restante do time, e que avaliou que o rendimento dos companheiros “estava aquém do esperado”.
O treinador Hyeok “Xero” também fez um relatório, em que narrou comportamentos de Robo que, na visão dele, “impactaram negativamente o ambiente de trabalho, a confiança entre jogadores e comissão técnica, além do desempenho coletivo da equipe”.
São citados comentários públicos desrespeitosos sobre a organização; pressão constante para substituição de jogadores; baixo desempenho individual acompanhado de acusações contra companheiros; desrespeito durante reuniões técnicas e insultos contra outros integrantes do time.
Por isso, para o treinador sul-coreano, que não está mais na paiN, “o impacto negativo causado por Robo à equipe foi extremamente severo”.
— Ao longo de quase dez anos trabalhando como coach profissional de League of Legends, nunca encontrei um jogador que, em tão pouco tempo, causasse tamanho dano ao ambiente interno, à confiança coletiva e ao funcionamento da equipe — escreveu Xero.
Na defesa apresentada no processo interno, Robo disse que deixou a LOUD para acertar com a paiN com a perspectiva de “atuar ao lado de jogadores experientes em projeto competitivo de alto nível”, comandado por Sarkis, e não por Xero.
Segundo Robo, “o cenário prometido começou a se desfazer” já no primeiro campeonato de 2026, quando a paiN inicialmente afastou e depois demitiu Alexandre “TitaN” por acusações envolvendo crimes sexuais. Com o passar do tempo, “o projeto foi progressivamente se desintegrando”, com crise na imagem da organização e mudanças no time.
— Leonardo (Robo) reconhece que tem estilo de comunicação direto e que, diante das circunstâncias vividas (projeto esvaziado, condições prometidas descumpridas, pressão externa indevida), manifestou frustração de forma clara. Esse reconhecimento, contudo, não se confunde com admissão de falta grave. Frustração e firmeza comunicativa em ambiente de alta competição, sob pressão institucional severa, são reações esperadas — escreveu a advogada do jogador, Ana Paula Smidt Lima, na defesa em que rebateu todos os apontamentos da organização.
De acordo com a defesa do jogador na Justiça, a paiN “instaurou a apuração, selecionou os documentos, produziu os relatórios, decidiu quais provas seriam admitidas e, ao final, julgou procedente sua própria acusação”.
— Na prática, criou-se um rito específico para o caso concreto, justamente quando a Reclamada (paiN) já demonstrava insatisfação com a continuidade da contratação. A sindicância serviu, assim, muito mais para construir documentalmente uma “justificativa” para a ruptura motivada e afastar a incidência da multa prevista na Cláusula 7ª do que propriamente para investigar uma falta grave previamente identificada.
Por considerar a demissão por justa causa ilegal, Robo pede indenizações por dano moral de R$ 420 mil, devido à “ofensa à honra, imagem e reputação profissional”, e por dano material de R$ 1,344 milhão, em razão de a demissão ter ocorrido quando a janela de transferências já não estava mais aberta, o que impediu o jogador de buscar uma recolocação profissional.
— A oportunidade perdida era real, séria e concreta, especialmente diante do histórico profissional do Reclamante, atleta com mais de dez anos de carreira e jogador brasileiro com o maior número de títulos do Campeonato Brasileiro de League of Legends — observaram os advogados de Robo.
Além disso, o jogador requer o pagamento da multa compensatória prevista no contrato com a paiN, que estipula valor correspondente a 100% da soma das remunerações mensais até o fim do vínculo, o que daria R$ 896 mil.
Somando tudo, o valor da causa é de R$ 3.457.524,80. A Justiça pode acatar integral ou parcialmente os pedidos ou negá-los por completo.
Atualmente sem time, em uma pausa na carreira, Robo é um dos principais nomes do League of Legends brasileiro. Ele é o maior campeão do cenário nacional, com sete títulos de CBLOL.
Leia a nota da paiN Gaming:
A paiN Gaming pontua que a rescisão do contrato com o atleta Leonardo “Robo” Souza ocorreu após criteriosa análise, por parte da comissão técnica e da diretoria, quanto ao cumprimento das obrigações contratuais, sempre ouvindo os esclarecimentos do atleta.
A paiN respeita eventual discordância ou questionamento judicial do atleta, mas confia no procedimento adotado e apresentará seus argumentos em juízo. geRead More