Sem vencer um jogo há 29 anos, bicampeão mineiro retoma atividades e sonha com volta à elite
Siderúrgica, de Sabará, retorna ao futebol mineiro após 10 anos
Bicampeão mineiro da elite e um dos clubes mais tradicionais do estado, o Siderúrgica tenta mais um recomeço no futebol profissional. A equipe retomou as atividades nesta temporada e disputa a terceira divisão estadual tentando interromper um jejum de 29 anos sem vitória. O presente e futuro, no entanto, esbarram em uma realidade complicada.
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Fundado em 1930, na cidade de Sabará, Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Esporte Clube Siderúrgica teve ascensão meteórica. Com sete anos de existência, conquistou o Mineiro logo no início da fase profissional do torneio. Voltou a erguer o troféu em 1964 e, no ano seguinte, disputou a Taça Brasil, principal torneio nacional da época.
O cenário parecia promissor, mas marcou o início de um calvário que persiste. Os últimos 60 anos foram marcados por períodos de inatividade e distância da elite do Mineiro, que não é disputada desde 1966. Mas, até mesmo a presença no terceiro escalão estadual tem sido rara.
Elenco do Siderúrgica para a disputa da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro 2026
Cerix Ramon
E foi exatamente essa distância recente que fez com que o time de Sabará voltasse a disputar a competição neste ano, atropelando o planejamento para seguir existindo como clube profissional. Maycon Amaro, diretor do clube, explicou a situação em conversa com a Globo.
– Existe uma regra na federação que o clube não pode ficar mais de 10 anos sem disputar uma competição adulta profissional, se não ela perde o registro. Nós fizemos todo esse trabalho ao longo de cinco anos. Ainda não era para (jogar o Mineiro) 2026, mas esbarrou nessa regra.
“Ou a gente disputava, ou o Siderúrgica viraria amador mudaria toda a história.”
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O Siderúrgica contou com ajuda de alguns empresários locais e até de agentes de jogadores para montar a equipe para o Campeonato Mineiro. Hoje, a folha salarial é de R$ 6 mil mensais. Mesmo que o regulamento permita jogadores até 23 anos, o clube tem boa parte dos atletas com idade Sub-20 e sem contratos profissionais.
– A gente não tem condições, neste momento, de trazer aquela quantidade de jogadores pagando, de ter uma folha muito alta. Como falo com a minha comissão e minha direção: eu só vou dar um passo onde estou enxergando onde vou pisar.
Estádio Eli Seabra Filho, do Siderúrgica, em Sabará
Cerix Ramon
O início no Mineiro é difícil. O time perdeu para o Paracatu (5 a 0) e para o Betim (1 a 0) nas duas primeiras rodadas, aumentando o jejum de vitórias em competições profissionais. Diante de idas e na atividade da equipe principal, o Siderúrgica não vence um jogo oficial desde 1997, quando bateu o Esportivo de Passos, por 4 a 2, na Segunda Divisão do Estadual. Situação que fica em segundo plano para o clube, neste momento.
– A vitória vai chegar. A gente quer que chegue, mas a gente não tem essa pressão junto aos atletas e à comissão técnica. A gente sabe o que a gente tem em mãos para fazer.
“A vitória é o time ter voltado. Como a gente falou, foi a nossa cereja do bolo voltar para casa, estar em casa.”
Nesse período, o Siderúrgica interrompeu as atividades em dois momentos: entre 1998 e 2006 e de 2017 a 2025. Desde a vitória em 1997, a equipe disputou 38 jogos, com 28 derrotas e dez empates.
Estádio Eli Seabra Filho, do Siderúrgica, em Sabará
Cerix Ramon
Mesmo com as dificuldades recentes, o clube tem planejamento para também disputar o Campeonato Mineiro em 2027. O objetivo é manter uma sequência de atividade da equipe profissional com intuito de retornar à elite, mas sem estabelecer prazo.
– O principal desafio é financeiro. O sonho de resgatar vem lá de trás, porque meu pai foi campeão mineiro com o Siderúrgica, em 1964. A gente veio resgatar isso junto ao clube, mas falta apoio. Independentemente, este ano vai disputar, vai disputar o ano que vem. Nós fizemos todo um trabalho para que a gente possa dar uma sequência.
“Em algum momento o cenário vai virar, e o sonho é de voltar à primeira divisão depois de mais de 60 anos.”
O boletim financeiro da partida, que terminou com derrota do Siderúrgica por 1 a 0, evidencia um pouco das dificuldades pelas quais passam o clube. Mesmo com mais de 60% de ocupação do estádio, o clube teve renda líquida de R$ 197.
A equipe ainda terá pela frente três partidas na fase classificatória do Mineiro, diante de Araxá, Funorte e São João Del Rei, mantendo a possibilidade de avançar ao hexagonal final. geRead More


