Vanderson exalta golaço pela Seleção e influência de Filipe Luís: “Detalhista e exemplo na posição”
Vanderson fala de lesões que o atrapalharam no ciclo para a Copa de 2026
Vanderson viveu uma temporada passada bastante frustrante. Titular do Brasil nos dois primeiros jogos de Carlo Ancelotti, despontava como favorito a disputar a Copa do Mundo de 2026, mas duas lesões musculares na coxa esquerda adiaram seu sonho. Meses depois, o atleta de 25 anos vive momento de alta. Marcou um golaço pela Seleção na última Data Fifa e está numa crescente com Filipe Luís no surpreendente Monaco.
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Rafael Ribeiro / CBF
– Eu acho que foram momentos difíceis na temporada passada, ano de Copa do Mundo. Infelizmente, tive poucos minutos na temporada. Então o mais importante é estar saudável, estar bem e tendo minutagem. Foi no que mais eu vim pensando quando começou a temporada: ter esses minutos, porque eu sabia que as oportunidades iriam aparecer novamente. Feliz por ter esses minutos novamente, feliz por estar saudável novamente. Espero continuar, dar sequência a esse momento – afirmou, em entrevista exclusiva ao ge.
Aos 2 min do 1º tempo – gol de dentro da área de Vanderson do Brasil contra a Austrália
Golaço pela Seleção (veja acima)
O dia 29 de setembro de 2026 ficou marcado no coração de Vanderson. No início do duelo com a Austrália, abriu o placar com um golaço, e o Brasil venceu por 4 a 2. O mato-grossense de 25 anos não vê a hora de viver tal sensação novamente.
– Acho que nem nos meus melhores sonhos imaginava uma história tão bela como essa. Não falo só do gol na Seleção, mas falo no todo: chegar à Seleção primeiramente, chegar a um grande clube no Brasil e depois chegar à Europa. Ter essa sensação de marcar um gol com a Seleção foi um momento incrível, de muita felicidade. Acho que o que eu passei naquele momento foi uma coisa maravilhosa. Espero ter de novo esses sentimentos, porque foi gostoso. E aproveitar ao máximo quando tiver as oportunidades, como foi na última vez.
Vanderson sobre aprendizados com Filipe Luís e golaço pela Seleção: “Momento incrível”
Elogios a Filipe Luís: “Exemplo na posição”
Vanderson revela conversas com Filipe Luís sobre Copa e dicas que recebe de um ex-lateral
O momento positivo sem lesões e como figura importante de um Monaco que chegou a liderar o Campeonato Francês tem tudo a ver com a chegada de um especialista da posição onde joga: o treinador Filipe Luís, ex-Flamengo. Embora tenha se destacado atuando no corredor esquerdo, Filipe é visto por Vanderson como um espelho para brilhar e cita ambições semelhantes às que o comandante tinha nos tempos de jogador.
Vanderson e Filipe Luís em treinamento do Monaco
Divulgação/Monaco
– Penso no novo, e o novo foi essa mudança: Filipe Luís chegando também para agregar ainda mais na minha carreira. Vem me ajudando bastante, vem trazendo essa inteligência que vocês já conhecem bastante do Brasil. Um cara que se apega bastante aos detalhes, isso vem nos ajudando bastante. Eu particularmente tenho escutado bastante, tenho tentado aprender muito mais coisas com ele, porque foi lateral também, conhece bem a posição. E tenho tentado ao máximo aproveitar essa oportunidade com ele também.
Filipe Luís também viveu a frustração de ficar fora de duas Copas do Mundo (2010 e 2014) quando já fazia sucesso na Europa. Por isso, conversa muito com o pupilo sobre o projeto traçado por Vanderson para jogar o próximo Mundial, em 2030.
– O Filipe tem experiências e mais experiências para poder passar para a gente. Ele vem falando bastante comigo, passou os exemplos dele também na Seleção, como foi o começo, como foi até esses últimos jogos que ele fez com a camisa da Seleção. Eu tenho tentado aprender o máximo com ele, escutando bastante as experiências. Isso tem agregado bastante.
– E essa conversa sobre a Seleção que a gente teve, é claro que a Copa do Mundo é um objetivo, mas ainda temos quatro anos pela frente. Então, para se chegar a esse objetivo, tem que começar escalando. Então foi o que a gente falou: “Vamos começar escalando aqui, vamos começar a passo a passo, vamos trabalhar o que precisa ser trabalhado para que esse sonho lá na frente possa ser conquistado”.
Vanderson conta que para evoluir como lateral e se tornar um jogador mais equilibrado precisou aprender bastante na chegada à Europa, mas destaca a presença de um especialista do quilate de Filipe Luís como um plus para crescer ainda mais na posição.
– Quando iniciei lá no Grêmio, eu tinha algumas dificuldades, até pela idade, pelo pouco tempo de trabalho. E vindo para a Europa, eu precisava mudar algumas situações no meu estilo de jogo. Então, eu vim com a mente aberta, sabendo que eu precisaria dessas mudanças, por ser um futebol um pouco diferente do que aquele que eu vinha vivendo no Brasil.
– Vim com a mente aberta, aprendendo bastante com os outros treinadores que aqui também passaram. E agora com o Filipe, por ter sido um lateral, por ser um exemplo na posição, ainda mais. E estar no dia a dia com ele ajuda bastante. Eu tento abordar ao máximo isso para que possa crescer mais e mais.
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Qual foi o impacto de Filipe Luís diante do grupo do Monaco e especialmente em relação aos franceses?
Vanderson elogia Filipe Luís: “É um cara muito intenso e detalhista”
– Era de se esperar esse impacto dele. Já conhecia um pouco do trabalho feito no Flamengo. O pessoal aqui da casa, os franceses, conhecia um pouco menos e foi surpreendido. Porque realmente é um trabalho excelente, é um trabalho de dinâmica. Ele é um cara que está ali com a gente o tempo todo. Não importa se é dando bronca, se é completando o treino como um outro jogador. Não importa se é dando as dicas.
– Então, ele é esse cara muito intenso e detalhista. Isso que mais me chama atenção nele são os pequenos detalhes dos jogos, dos treinamentos, dos detalhes que você precisa colocar no seu jogo para que isso facilite o processo. Eu tenho ficado pessoalmente aberto aos pequenos detalhes, porque eu acho que isso é o mais importante e o Filipe tem muito isso e a gente está vendo aqui no dia a dia e durante os jogos, isso é importante.
Você chegou a identificar alguma coisa que pudesse estar provocando esse desequilíbrio em relação a lesões musculares que tanto te atrapalharam na temporada passada?
– Exatamente isso. Acabava que quando eu ia ter uma sequência de jogos, sempre tinha algum problema me tirando a possibilidade de eu ter mais minutos. Identificamos, sim, acho que no ano passado, depois da primeira convocação do Ancelotti, que a gente fez os jogos lá contra Equador e depois Paraguai. Veio a classificação, fui titular nos dois jogos.
– E depois disso acho que com uma preparação de começo de temporada não tão boa, algumas mudanças aqui no clube, algumas mudanças que ocorreram internamente aqui, treinador e tudo mais, algumas situações internas (atrapalharam)… E acabei que eu não tive uma preparação tão boa como eu esperava, por ter feito bastante minutos na temporada anterior (2024/25). Então, acho que isso foi talvez um dos problemas que acabaram tirando essa sequência de jogos. E, identificado isso, conversei com o pessoal e precisava dar uma atenção a isso. E hoje está aí o exemplo. Acho que essa preparação na pré-temporada foi melhor feita, melhor preparada, e está dando resultado. Estou conseguindo os minutos que serão importantes para toda a temporada.
Como canaliza a frustração de ter ficado fora da última Copa em motivação para estar presente na próxima?
– Acho que tem uma palavra que você falou que encaixa bem: um pouquinho de frustração. Mas, ao mesmo tempo, resiliência para continuar. Não foi fácil. Como eu falei anteriormente, é uma temporada de Copa do Mundo, e você tem a oportunidade de estar ali junto com os jogadores e com o Ancelotti na sua primeira convocação. E depois ter esses pequenos detalhes que acabaram frustrando bastante ao final. Mas aprendi bastante também. Acho que nem tudo foi pelo lado negativo. São coisas que não dá para a gente controlar, não dá para a gente ficar se lamentando.
– A gente tem uma rotina longa, uma carreira longa, várias coisas para acontecerem. É uma temporada nova que começou, com as novas mudanças. Foi nisso que eu acabei pensando. Vou dar o meu melhor, vou dar o meu máximo, vou me preparar bem. O que já passou eu não consigo controlar, então vou pensar no agora, pensar no novo. E o novo é a mudança com a chegada do Filipe.
O Monaco venceu o favoritaço PSG, e você assistiu à virada do banco, já que foi substituído quando o rival vencia por 1 a 0. Como foi esse jogo para vocês?
Vanderson fala da vitória sobre o PSG e se o Monaco pode sonhar com títulos
– Jogar lá nunca é fácil. Eu vinha de uma sequência de jogos muito grande. A gente sabia da importância de fazer essa rodagem também depois de uma grande operação que eu tive. Acabei não tendo o jogo completo, não tive a sensação de dentro do campo da virada. Mas foi muito legal, muito bacana ver o empenho dos meus companheiros ali. A gente sabia que o time do PSG não tinha mudado nada. Tem três temporadas que vem na mesma batida, no mesmo estilo de jogo.
– A gente tem um bom retrospecto contra eles, tanto lá quanto em casa. A gente sabia desse pequeno favoritismo nesse duelo e sabia que seria um jogo difícil. Então a gente trabalhou a semana pensando nesse jogo, o Filipe também montou as suas armas, colocou as ideias dele dentro do campo. Os jogadores fizeram o que tinham proposto nesse jogo. A gente foi feliz, saiu com os três pontos. Mas claro que foi bem no início do campeonato, ainda tem muita coisa para passar. Claro que sempre nesse campeonato não tem o que falar: o PSG é o favorito, e a gente tenta chegar o mais longe possível para tentar a vaga na Liga dos Campeões ou tentar algo mais.
O quanto que esse início de temporada faz vocês sonharem alto mesmo? O quanto que a chegada do Filipe faz com que vocês se permitam sonhar alto também?
– Ganhar é muito bom. A gente sabe que hoje em dia tem toda essa questão de o Paris ter financeiramente esse poder. E o nosso objetivo principal da temporada é fazer o melhor do que a gente fez na temporada anterior. É buscar os nossos objetivos, é jogar a Liga dos Campeões novamente. A temporada anterior não foi das melhores. A gente estava na Liga dos Campeões, mas não conseguiu a classificação para esse ano. O principal objetivo e o primeiro objetivo é esse. E depois a gente passa a passo fazendo um grande campeonato. A gente pode pensar em outras coisas, em outros sonhos.
Como é que o garoto Vanderson lá de 2023, o da primeira convocação, que ainda fazia pequenas projeções, vê esse futuro agora um pouquinho mais consolidado, já como um cara importante no futebol europeu e para a seleção brasileira?
– Aquele Vanderson lá de 2023 é exatamente o mesmo com algo a mais, um aprendizado a mais. Já se passaram três anos. E eu aprendi muito durante esse período de ter ido à Seleção. Me ajudou bastante. Às vezes, os cortes, por essas lesões que a gente citou, também me fizeram aprender bastante.
– Acredito que estou um pouco mais maduro, um pouco mais ciente do que quero nesse momento. É continuar trabalhando, fazendo o meu melhor, tendo essa minutagem saudável. Acho que isso vai ser o mais importante para fechar esse ciclo bem e, quem sabe, poder realizar esse sonho de disputar uma Copa do Mundo. Como eu falei: passo a passo, degrau a degrau. Acredito que continuando esse trabalho, fazendo o meu máximo durante os treinos, durante os jogos, performando… Acho que essa sequência aí vai mostrar tudo isso. geRead More


