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Voz de Guerrinha eternizou texto de Luis Fernando Verissimo sobre maior glória do Inter; assista

Voz de Guerrinha eternizou texto de Luis Fernando Verissimo sobre maior glória do Inter; assista

Guerrinha imortalizou texto histórico de Luis Fernando Verissimo sobre mundial do Inter
Além das frases e comentários, Adroaldo Guerra Filho ficou marcado como a voz da crônica “Não me acordem”, escrita por Luis Fernando Veríssimo. O texto foi publicado no Jornal Zero Hora em 18 de dezembro de 2006, dia seguinte à conquista do Mundial pelo Inter na decisão sobre o Barcelona. A emoção de Guerrinha traduziu o sentimento dos colorados pelo feito mais relevante do clube.
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Morre o comentarista esportivo Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha 
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Guerrinha morreu na madrugada desta quarta-feira, aos 70 anos, em Porto Alegre, vítima de infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado. Comentarista do Grupo RBS, ele ficou marcado pela versatilidade, carisma e frases de efeito tão engraçadas quanto sarcásticas.
Guerrinha era torcedor declarado do Inter, o que não impediu que fosse admirado por torcedores de outros clubes ao longo de sua trajetória no rádio e na comunicação do Rio Grande do Sul.
Leia abaixo o texto hitórico de Luis Fernando Verissimo:
Não me acordem
O passado é prólogo. Certos acontecimentos dão força a esta frase, transformam tudo que veio antes em preliminar, em mero antecedente. Ou, para usar outro termo literário, em prefácio. Você se dá conta de que tudo que houve até ali — toda uma vida, toda uma história — foi simplesmente preparação para aquele certo momento, depois do qual nada será como era. E o passado ganha uma lógica que não tinha. Você passa a entender tudo em retrospecto.
Tudo tinha um sentido que você apenas não percebera, na falta do momento máximo. A vitória do Grêmio em Tóquio em 1983, os anos medíocres, o quase rebaixamento, as finais desperdiçadas, os vexames, as desilusões — tudo era prólogo para ontem.
Saraiva conversa com Guerrinha e Loivo no Botequim do Maurício
Agora ficou claro, agora ficou lógico. Os próprios destaques como melhor do mundo conquistados pelo Barcelona e pelo Ronaldinho faziam parte da preparação para o nosso 17 de dezembro, que não teria o mesmo gosto épico se o adversário fosse outro. Tudo era armação para aumentar o brilho e o drama do nosso momento máximo. Tudo se encaixava.
Ou você pensa que a saída do Pato e do Fernandão, ontem, foi obra do acaso, esse autor sem imaginação? O resultado de ontem veio sendo construído aos poucos, desde antes da fundação do Internacional, antes de Pedro Álvares Cabral, antes de Homero e das Pirâmides. E eu sabia que havia uma justificativa histórica para o topete do Gabiru.
Há dias a leitora Poliana Lopes me lembrou de um texto que eu tinha escrito, e esquecido. Ela teve a gentileza de me mandar o texto, e eu peço licença para repeti-lo agora. Era assim:
“Meu caro colorado. Desculpe esta carta a céu aberto, é que não sei nem seu nome nem seu endereço. Na verdade, só vi você na rua, de mãos dadas com seu pai e cercado pelos seus irmãos, que vestiam a camiseta do Grêmio (suponho que fossem seu pai e seus irmãos). Você estava com a camiseta do Internacional.
Guerrinha foi a voz do texto escrito por Luis Fernando Veríssimo
Fernando Gomes/Agência RBS
Quase parei o carro para olhar melhor, mas não era miragem. Você tinha uns quatro ou cinco anos e estava de camiseta vermelha! Seu pai vestia uma camisa branca exemplarmente neutra, mas posso imaginar como tem sido a sua vida em casa. As provocações, os petelecos, a flauta, o martírio.
E lá estava você de camiseta vermelha, o antigo escudo orgulhosamente no peito, desafiando todas as provações. Não sei se você sabe que vários colorados da sua geração não aguentaram e trocaram de time. Levaram pais e avós ao desespero, mas não suportaram a pressão do sucesso gremista. Você aguentou. Você não sabe, mas é um herói.
E fiquei pensando que, quando for a nossa vez de novo, teremos certamente a torcida mais dedicada, fiel, convicta e feliz do Brasil. Porque será a torcida dos que resistiram. Aguente só mais um pouco. Meus respeitos.”
Mas isto tudo também pode ser um sonho. Se for, por favor: não me acordem.
Inter conquistou o Mundial em 2006
(Jefferson Bernardes/Vipcomm Divulgação
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