100 dias de Autuori: Fortaleza chega à reta final sob desconfiança
Era feliz e sabia: as vezes que o Fortaleza se deu bem em mata-mata
O técnico Paulo Autuori chega, nesta quinta-feira (5), à marca de 100 dias no comando do Fortaleza. Embora tenha sido anunciado em 24 de julho, o comandante tricolor iniciou o trabalho no Pici quatro dias depois. Em 16 jogos na principal competição, Paulo Autuori mantém invencibilidade, com seis vitórias e 10 empates.
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Fortaleza empata diante do Atlético-GO em casa e frustra torcida
Os comentaristas do Globo Esporte avaliam o período do treinador, que chegou para melhorar o rendimento da equipe, mas tem esbarrado em problemas na reta final da Série B.
Para André Almeida, o grande contraste que o treinador tem enfrentado está no desempenho dentro e fora de casa. A falta de equilíbrio nas partidas na Arena Castelão gera preocupação na equipe para os últimos duelos.
– A principal evolução que é possível dizer do trabalho do Autuori é a dos resultados como visitante, era um dos piores da Série B com o Carpini. Por outro lado, o desempenho como mandante piorou e são esses pontos perdidos que acabam custando muito caro – destaca André Almeida.
Em oito jogos na capital cearense, a equipe conquistou apenas uma vitória e sete empates. Apesar da falta de resultados positivos como mandante, o Fortaleza já carimbou vaga nos playoffs da competição com 62 pontos.
Paulo Autuori com o técnico adjunto Bernardo Franco e o preparador físico Fábio Eiras no primeiro treino no Pici
Leonardo Moreira/Fortaleza
Mudanças drásticas
Em busca de retomar o caminho da evolução e da eficiência na Segundona, o treinador tem feito mudanças no time titular, até mesmo no esquema tático. Para o comentarista Alexandre Mota, Autuori mostra que não está acomodado, mas também não apresenta convicção nas escolhas para o Fortaleza no momento.
– A sensação é de que os resultados do Fortaleza estagnaram e isso tem feito com que o Autuori busque medidas, uma nova equipe, mas a sensação é de que ele está um pouco perdido. Falta critério, falta lógica dentro das mudanças dos últimos três jogos – ressalta Alexandre Mota.
De acordo com Mota, o Fortaleza tem apresentado dois problemas sérios: o time cria, mas falta eficiência, além de sofrer com a ausência de identidade própria. Sem uma estratégia bem desenhada, o time se mostra vulnerável, como foi visto nas partidas diante de Ponte Preta e Atlético-GO.
Prior e Terans no duelo entre Fortaleza x Atlético-GO, pela Série B
Thiago Gadelha/SVM
Já André Almeida destaca que a equipe conquistou pontos em jogos nos quais não teve boas exibições. Ele cita os duelos contra Sport, América-MG, Londrina, Goiás e Avaí.
– O Fortaleza jogava mal com o Carpini e tem jogado mal com o Autuori. Fez alguns bons jogos, e aqui eu me recordo principalmente da vitória sobre o Criciúma fora de casa por 2 a 0, em que o Fortaleza vence e vence jogando bem. No quesito desempenho, no quesito performance, não dá para a gente dizer que o time evoluiu – coloca Almeida.
Autuori x Carpini
A decisão pela troca no comando técnico de Thiago Carpini se deu após a derrota para o Vila Nova, pela 19ª rodada. A ideia da diretoria era fazer o time evoluir sob a nova direção de Autuori, o que não aconteceu como esperado.
O Fortaleza apostou em uma mudança que não aconteceu sob o comando do Autuori. Independentemente de ele ter uma sequência de invencibilidade, do time até mudar mais taticamente, o Fortaleza segue como alguém que quer ser algo, mas ainda não conseguiu se apresentar da forma como ele prometeu ser para o seu torcedor.”
Da troca no comando até aqui, a equipe estagnou sua evolução e quebrou a expectativa gerada junto ao torcedor. A transformação aguardada não aconteceu e o Fortaleza continua na mesma 5ª posição deixada pelo seu antecessor.
Paulo Autuori comanda treino do Fortaleza, no Pici
Mateus Lotif / Fortaleza EC
Filosofia do trabalho
André Almeida lembra que, em sua primeira coletiva de apresentação, o experiente treinador chegou com o discurso de que seu trabalho era com base em quatro pilares: posse de bola, verticalização, um time que mantenha pressão sobre o adversário quando não tem a bola, e um time que joga compacto.
Eu posso afirmar para você que o Fortaleza hoje não tem nenhum desses aspectos. O time não apresenta controle de jogo, não apresenta imposição, não apresenta a capacidade de controlar o seu adversário, isso seja com um adversário que está brigando na parte de cima da tabela, seja com um adversário que está brigando na parte de baixo, basta ver o jogo contra a Ponte Preta – lembra André.
Sport x Fortaleza – Série B – Ilha do Retiro
Marlon Costa/AGIF
A esperança criada no início do trabalho com a chegada de um treinador com bagagem pesada de títulos tem se transformado em antipatia por parte das arquibancadas. Alexandre Mota aponta que as vaias ao final de cada jogo em casa são sintomáticas.
– O Autuori é alguém que tem uma trajetória muito bonita e importante no futebol brasileiro e internacional. Mas o fato é que, na altura da vida em que ele está, a forma com a qual ele se comunica, um tom muito professoral, e em muitos momentos até com ar um pouco de arrogância, isso gera antipatia. Gera antipatia porque o discurso acaba se tornando mais distante do seu torcedor – ressalta Mota.
O Fortaleza tem ainda os duelos diante de Novorizontino e Vila Nova para finalizar sua trajetória na fase classificatória da Série B. Ainda de olho no G-2, a equipe terá de se provar para ter um panorama de como serão os próximos dias de Autuori no Pici.
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Paulo Autuori é apresentado no Fortaleza pelo CEO do clube, Pedro Martins
Mateus Lotif / Fortaleza EC geRead More


