GP de São Paulo é escolhido pela FIA para estreia de campanha contra ódio online
Interlagos está garantido no calendário da Fórmula 1 até 2035
O crescimento dos casos de abuso e ódio online no ambiente do esporte a motor motivaram a Federação Internacional do Automobilismo (FIA) a lançar uma iniciativa voltada para o combate a esse tipo de prática. O GP de São Paulo foi intencionalmente escolhido como plataforma da campanha “Unidos Contra o Abuso Online” (UAOA) na América do Sul, oficializada neste sábado.
Fabiana Ecclestone em coletiva no GP de São Paulo da F1 2026
Bruna Rodrigues/ge
A porta-voz da iniciativa é Fabiana Ecclestone, advogada e vice-presidente de esportes da FIA na América do Sul. Questionada pelo ge.globo em uma coletiva de imprensa no Autódromo de Interlagos, a gestora revelou os motivos por trás da escolha:
– Em outubro, eu estava em Londres, durante o Conselho Mundial de Automobilismo, e último estudo da Online Abuse Platform foi lido. Me chamou a atenção que os números estão subindo e 75% do número de abuso online vem da Europa e Américas, combinados. Eu falei: “Gente, não pode ser. Escuta, eu quero estudar isso, eu quero saber” – disse a advogada, acrescentando:
– Com a popularidade do nosso esporte, com os pilotos brasileiros, o piloto argentino e pilotos americanos participando do evento, a nossa parte do mundo acaba mais envolvida nos eventos e a nossa paixão também vai junto. Só que, de novo: a gente pode se manifestar, ter opiniões diversas, mas a gente tem que estabelecer esse limite e isso não pode continuar.
Fabiana Ecclestone em coletiva no GP de São Paulo da F1 2026
Bruna Rodrigues/ge
Um dos problemas mais recentes foi registrado na F1 envolvendo a equipe Alpine. O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, afirmou que Pierre Gasly recebeu 13 mil ameaças de morte após o GP da Espanha, em setembro. O episódio se deu após um incidente envolvendo o francês e seu companheiro de equipe, o argentino Franco Colapinto.
Nas voltas finais, Gasly retardou o avanço do colega, que reclamou pelo rádio e temia perder posições para Oscar Piastri, da McLaren. Colapinto terminou a prova em sétimo lugar, enquanto Gasly cruzou a linha de chegada em 12º.
– Assim que acabou a reunião, eu me sentei com as pessoas envolvidas e falei: “A gente tinha que aproveitar o GP do Brasil para começar a falar do assunto, porque a campanha já é muito conhecida na Europa”. Eu quero aproveitar essa audiência que a gente tem aqui e levar isso para as comunidades envolvidas, para todo mundo começar a pensar no assunto. Vou precisar da ajuda de vocês também porque eu acho que afeta todo mundo: desde a pessoa que é uma voluntária, que veio aqui para trabalhar, até o piloto, que é a ponta do iceberg. A gente tem que se sentir confiante e livre para se expressar sem que alguém vá te ameaçar – reforçou Fabiana.
Franco Colapinto no paddock do GP da Bélgica de F1
Andrej Isakovic/AFP
De acordo com a gestora, a pretensão da FIA é de trabalhar em parceria com as proprietárias das redes sociais:
– É justamente nessa direção de ter a responsabilização das plataformas, que elas se entendam no trabalho de policiamento e evitar, porque isso pode causar danos, a gente sabe que pode causar morte, pode causar um monte de coisa. Então a ideia é que quanto mais pessoas envolvidas, mais estudos, base científica e base técnica, eles entendam que realmente é um problema.
Fundada em 2023 por Ben Sulayem, presidente da FIA, a UAOA foi criada para enfrentar as expressões de ódio online no esporte por meio de várias frentes. O projeto conta com apoio de mais de 85 organizações esportivas, governos, academia e tecnologia. geRead More


