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Futebol feminino impulsiona mulheres na busca por novas funções fora das quatro linhas

Futebol feminino impulsiona mulheres na busca por novas funções fora das quatro linhas

Copa do Mundo Feminina no Brasil 2027
O crescimento do futebol feminino no Brasil refletiu em outros espaços fora das quatro linhas, como o aumento de mulheres buscando áreas técnicas. Se em 2017 os cursos profissionalizantes oferecidos pela CBF registravam uma mulher, hoje são mais de 200 que procuram a especialização no esporte.
Atualmente, apenas um time da elite do Campeonato Brasileiro Feminino conta com uma mulher como treinadora: Rosana Augusto, ex-Flamengo, comanda o Palmeiras. O Sport, que disputará a Série A2 na próxima temporada, tem Macarena Deichler no comando da equipe.
Ao longo da temporada, Ferroviária, Flamengo e Grêmio também tiveram treinadoras mulheres. Na Seleção, Rilany Silva comanda a sub-17 e Camilla Orlando, ex-Palmeiras, assumiu a sub-20.
A técnica Rilany Silva orienta as jogadoras da seleção feminina sub-17
Nelson Terme / CBF
Em sua grande maioria, os clubes brasileiros possuem pelo menos uma mulher em suas comissões dos times femininos da elite. Há uma obrigatoriedade para equipes que disputam a Conmebol Libertadores Feminina.
Segundo registros da CBF Academy, os cursos oferecidos pela entidade têm recebido maior procura de mulheres.
Houve uma mudança no interesse feminino a partir de 2019, ano da Copa do Mundo e da retomada de clubes tradicionais do futebol brasileiro na modalidade. Em 2021, um workshop gratuito teve a presença de mais de 400 mulheres.
– Precisamos de boas iniciativas que valorizem e abram um espaço para as mulheres dentro do futebol. Pra mim, são dois os caminhos, que o clube reconheça a competência e qualidade técnica das treinadoras e a confederação também nos ajude a encontrar um equilíbrio – opinou a treinadora Tatiele Silveira ao ge.
Neste ano, já foram 224 presenças femininas até outubro nos cursos da CBF até outubro.
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A opinião de quem está no meio
Além de Tatiele, recentemente, Rosana Augusto e Camilla Orlando conversaram o ge e comentaram a importância de uma presença maior das mulheres em cargos técnicos no futebol feminino e também no masculino.
Treinadoras do Palmeiras e da Seleção sub-20, respectivamente, as duas foram jogadoras e entenderam que poderiam passar novas experiências para as jogadoras que ainda estão nesse caminho.
– Hoje, as mulheres saem atrás quando o assunto é futebol por conta da cultura machista que ainda temos no Brasil. Acho que o fato de não termos tantas treinadores é porque isso não é estimulado, nem a gostar do esporte. Talvez a gente entenda que não temos tanta abertura com os clubes – respondeu Rosana.
Estamos para poder quebrar esse paradigma. Acredito que já tenham coisas acontecendo, é um processo cultural que talvez demore um pouco. Precisamos mostrar para as pessoas que, independente do gênero, estamos preparadas.
Alberto Simão, diretor de futebol feminino do Palmeiras, e Rosana Augusto, treinadora
Tayna Fiori/ge
– Fico feliz de ser essa continuidade de treinadoras mulheres na Seleção. Estou podendo usufruir desse momento e inspirar novas treinadoras. É realmente muito especial – disse Camilla Orlando.
Emily Lima (sem clube) Tatiele Silveira (Colo-Colo-CHI), Lindsay Camila (seleção da Costa Rica), e Jéssica de Lima (sem clube) são exemplos de outras treinadoras.
Um problema para Fifa?
A questão de mulheres em comandos técnicos, principalmente como treinadoras de equipes, é um objetivo da Fifa. Um relatório recente apontou que apenas 22% das equipes femininas contam com técnicas.
Os números do estudo, que é realizado desde 2021, foram divulgados março deste ano. Neste último, 86 ligas e 669 clubes foram analisados, aumentando o número do ano anterior, quando a entidade avaliou 34 campeonatos e 316 times.
Para 2027, quando ocorre a próxima Copa do Mundo Feminina no Brasil, a ideia da Fifa é de aumentar o número para tornar o ambiente mais inclusivo para as mulheres. O objetivo é estimular mais profissionais no futebol.
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