Homem é preso em flagrante por importunação sexual contra torcedora do Fluminense; clubes reforçam ações
Flamengo vence o Fluminense e é campeão carioca pela 40ª vez
No último dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, um homem foi preso em flagrante suspeito de ter importunado sexualmente uma torcedora no clássico entre Fluminense e Flamengo, no Maracanã, pela final do Campeonato Carioca. O fato aconteceu setor Sul do estádio, dedicado à torcida tricolor. Ele foi solto após audiência de custódia, dois dias depois, e responderá em liberdade.
De acordo com relato da vítima, a ação ocorreu por causa de uma disputa por espaço no local. O homem aproveitou o fato de estar encostado no ferro entre as cadeiras da arquibancada para passar a mão nas nádegas dela mais de uma vez. Quando questionado sobre a ação, a empurrou duas vezes.
— Não tinha exata noção (sobre o que estava acontecendo), mas eu estava na frente dele e ele o tempo todo muito próximo. Estava me incomodando, passando a mão na minha b****, por várias vezes. Virei pra trás e falei: “você está sentado onde?”. Ele respondeu: Não te interessa, eu fico onde quiser, eu sou idoso”. Tirei a mão, ele me empurrou forte, perto do meio seio — contou a vítima ao ge.
Torcida do Fluminense no Maracanã
Divulgação
A torcedora relatou que procurou a segurança do estádio imediatamente após o ocorrido para encaminhar a situação à polícia. Ela foi acompanhada de um amigo para registrar a ocorrência e permaneceu durante todo o jogo na unidade policial.
O agressor foi preso em flagrante com base no artigo 215-A do Código Penal. Ele foi solto após a audiência de custódia e responde o processo em liberdade, com obrigação de comparecer periodicamente à Justiça, proibição de manter contato com a vítima e de sair da cidade sem autorização judicial.
Trecho do documento da “decisão do flagrante”
Arquivo pessoal
A testemunha da vítima também contou que presenciou outra provocação do agressor em meio ao ocorrido, conforme consta no Boletim de Ocorrência ao qual o ge teve acesso.
— Passei a mão e passo de novo, o Estatuto do Idoso me permite — ele disse.
A reportagem procurou a Polícia Civil que confirmou o ocorrido:
“De acordo com a 18ª DP (Praça da Bandeira) um homem foi conduzido por seguranças ao Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos (JETEG), onde foi autuado em flagrante pelo crime de importunação sexual.”
A vítima, que optou por não ser identificada, lamentou o ocorrido, disse estar digerindo o episódio, mas que espera que algo seja feito para garantir segurança das mulheres dentro do estádio.
— Acredito que não deve dar em nada porque ele é idoso, mas esperamos que ele seja banido dos jogos para que sirva minimamente de exemplo. É o que espero como vítima.
O ge tentou contato com o suspeito, mas não obteve retorno e deixa o espaço aberto para manifestação. O Fluminense informou que acompanha o caso ocorrido no clássico, consultou seus sistemas internos para avaliar possíveis medidas e identificou que o suspeito não é sócio do clube.
Iniciativas e desafios
Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 2024, trouxe um dado relevante: há aumento de 21% de casos de agressões físicas contra mulheres em dias de jogos de futebol. Dentro dos estádios, porém, também há registros — como o ocorrido no clássico entre Fluminense e Flamengo — além de outros episódios que nem sequer chegam a ser formalizados.
Em 2024, também no Rio de Janeiro, uma torcedora do Botafogo foi agredida com um soco por um homem após reclamar de ter sido atingida por um copo durante uma comemoração.
A boa notícia é que clubes e instituições passaram a se mobilizar para dar visibilidade ao tema — algo que, até pouco tempo, não fazia parte do ambiente do futebol.
No último domingo, o Fluminense promoveu uma caminhada contra o feminicídio. Cerca de 100 torcedores e torcedoras se reuniram na rampa da estação de metrô do Maracanã e seguiram até o estádio com faixas e cartazes.
Torcedoras do Fluminense fazem caminhada de luta contra o feminicídio no entorno do Maracanã
Marcello Neves
No Maracanã, há um setor com equipes formadas por mulheres para acolher vítimas de violência no Juizado Especial Criminal (Jecrim). Já no Nilton Santos, o Botafogo mantém o núcleo “Hora Delas”, que busca, entre outras iniciativas, tornar o estádio um ambiente mais seguro para torcedoras.
Veja ações de outros clubes nesse mês de março:
Thiago Mendes, do Vasco, entrou em campo com a camisa sobre o aumento do número de violência contra a mulher
Divulgação
Grêmio e Internacional usaram camisa com “Disque 181” na final do Gauchão para denunciar casos
Lucas Uebel / Grêmio
Grêmio e Internacional usaram camisa com “Disque 181” na final do Gauchão para denunciar casos
Internacional
Remo realiza ação contra feminicídio antes do Re-Pa pela final do Parazão 2026
Beatriz Reis / ge Pará
Ação contra a violência contra a mulher na final do Parazão
Bruno Amâncio/TV Liberal
Publicações do Corinthians nas redes sociais
Reprodução
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A vítima conta que procurou a segurança do estádio imediatamente após o ocorrido para encaminhar . Ela foi acompanhada de um amigo para registrar a ocorrência e permaneceu durante todo o jogo no es geRead More


