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Bastidores: tensões internas e mau rendimento levam Roger à demissão no Sport

Bastidores: tensões internas e mau rendimento levam Roger à demissão no Sport

Técnico Roger Silva é demitido do Sport
Roger Silva chegou à Ilha do Retiro com um projeto de carreira público: ter a primeira grande chance como treinador em um clube de massa, no qual nutre forte identificação. O nome do técnico era um perfil, traçado pela gestão do Sport, que convergia para o momento de reconstrução de 2026.
Mas em menos de três meses o trabalho ruiu. A demissão, consumada nesta segunda, está longe de ter sido feita no calor do momento. Pelo contrário: era discutida há 20 dias. O ge mostra a linha do tempo.
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Era 21 de fevereiro, data da volta da semifinal do Campeonato Pernambucano. A vitória sobre o Retrô por 3 a 2 na Ilha do Retiro fez o assunto começar a tomar forma, ainda que superficialmente. O resultado não foi o ponto de atenção.
Roger comanda último treino do Sport no Recife antes de estreia na Série B
Paulo Paiva/Sport Club do Recife
O comportamento acima do tom de Roger no vestiário do intervalo do jogo contra a Fênix, quando o Leão perdia de virada àquela altura, gerou descontentamento no Sport. O técnico se dirigiu de forma contundente, fora do padrão, ao elenco, na tentativa de cobrar reação dos atletas.
Ali, o despertar para uma ruptura do trabalho germinou. Porém, qualquer mudança de rota só seria consumada depois da última final contra o Náutico, nos Aflitos. Mesmo o técnico já estando na berlinda depois do 3 a 3 na largada da decisão pelo título pernambucano.
A “trégua” daquele momento se deu porque a saída de Roger dividia opiniões. Uma ala da gestão do futebol do Sport desejava a demissão imediata, com ou sem o título, e outra dava créditos ao treinador, pedindo tempo para o trabalho ganhar lastro.
Na época, o ge ouviu que um desligamento prévio à final estadual não seria chancelada porque Roger não tinha cometido dano real à frente do Rubro-negro, com uma eliminação ou vexame. Até esteve perto disso no jogo com a Desportiva Ferroviária, na Copa do Brasil, mas o time avançou nos pênaltis.
Às vésperas do jogo eliminatório, porém, a relação tensionada entre Roger e o elenco reapareceu. O técnico sentiu o atacante Clayson disperso durante atividade prévia ao jogo e foi cobrá-lo. Eles se desentenderam e o jogador terminou expulso da movimentação.
O mal estar só se resolveu no dia seguinte, quando uma reunião tratou do assunto. Nela, Clayson, um dos líderes do elenco, o executivo Ítalo Rodrigues e o treinador dialogaram para aparar arestas. Questionado pela reportagem em Cariacica, Roger tratou o episódio como normal (veja no vídeo abaixo).
Roger Silva comenta episódio em treino com o atacante Clayson
Apesar da conquista do tetra estadual de maneira incontestável, como foi na segunda partida contra o Náutico, os pontos de interrogação em torno do trabalho seguiram. Na sequência, veio a atuação ruim diante do Anápolis – apesar da nova classificação nos pênaltis.
Após o jogo pela Copa do Brasil, Roger foi à coletiva e declarou que a partir da Série B os atletas estariam ao seu lado para “dividirem a responsabilidade” nas entrevistas. O discurso gerou ruído interno, com parte do elenco indo conversar informalmente com o treinador para pedir cautela nas palavras.
A mensagem foi vista como excessiva, de exposição dos atletas, e a ideia foi posta de lado. Então, veio o jogo com o Athletic-MG, e a eliminação na Copa do Brasil. O Sport foi superado em 3 a 1 pela equipe mineira e caiu por terra a invencibilidade de 10 jogos do time sob o comando do jovem treinador.
Sport joga mal e é eliminado da Copa do Brasil pelo Athletic-MG
Roger saiu da Ilha xingado pela torcida. Em entrevista aos jornalistas, o técnico dividiu a bancada da sala de imprensa com o executivo Ítalo Rodrigues. Ganhou, ali, o último respaldo público da diretoria. Mas o futebol é dinâmico, e as coisas mudaram.
Contra o Cuiabá, após atuação morna num 0 a 0 na Arena Pantanal, rompeu-se o último elo. Uma reunião com a gestão do clube decidiu dar fim à trajetória do técnico na Ilha do Retiro.
Todas as pessoas em anonimato com quem o ge conversou, envolvidas direta ou indiretamente no dia a dia do clube, definiram a passagem breve de Roger: não estava emocionalmente preparado para assumir um desafio do tamanho do Sport.
Roger no Sport
12 jogos
6 vitórias, cinco empates e uma derrota
Aproveitamento: 61,1%

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