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Construtora aciona Justiça por Salles Oliveira e pede suspensão de Recuperação Judicial do Tupi

Construtora aciona Justiça por Salles Oliveira e pede suspensão de Recuperação Judicial do Tupi

É campeão! Tupi vence Santa Cruz, cala Arruda e conquista a Série D do Brasileiro
A Recuperação Judicial do Tupi, homologada no dia 19 de março de 2026, corre o risco de ser suspensa. A Construtora Rezende-Roriz entrou com um pedido de Tutela de Urgência junto à Vara de Sucessões, Empresarial e de Registros Públicos da Comarca de Juiz de Fora e pediu em caráter liminar a suspensão do processo. A razão é o Estádio Salles Oliveira, principal objeto da RJ.
A construtora alega que a praça esportiva, fundamental para o prosseguimento do programa de quitação de dívidas do clube mineiro, faz parte de um contrato de permuta entre a empresa e o Tupi, assinado em fevereiro de 2020. Na ocasião, as partes acordaram que o Tupi cederia o Salles Oliveira para a construtora em troca de um novo Centro de Treinamento, no Bairro Barreira do Triunfo, Zona Norte da cidade. O acordo nunca saiu do papel.
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Estádio Salles Oliveira é objeto da ação da Rezende-Roriz que pretende suspender a RJ
Marcelo Costa/Coast FC/Tupi Foot Ball Club
Segundo entendimento da Rezende-Roriz, o Salles Oliveira é um ativo estabelecido como uma das obrigações do contrato assinado entre as partes. O acordo de permuta é anterior ao pedido de Recuperação Judicial feito pelo Tupi, no fim de 2024.
De acordo com o processo, ao qual o ge teve acesso, a empresa teme que a praça esportiva, que teve a venda determinada para dar prosseguimento à RJ, seja alienada a qualquer momento, já que a Justiça autorizou a abertura de processo competitivo através de uma UPI (Unidade Produtiva Isolada). O mecanismo é comum em recuperações judiciais de clubes de futebol.
Além disso, a Rezende-Roriz afirma na ação que cumpriu com todas as obrigações firmadas em contrato e que, ao contrário, o Tupi “não entregou o imóvel livre e desembaraçado que havia prometido, mas um bem gravado por processo de tombamento administrativo, por penhoras trabalhistas reiteradas que chegaram a produzir a marcação de leilão judicial do próprio estádio para 1º de dezembro de 2023, e, agora, por um plano de recuperação judicial que o destina à alienação a terceiros”.
Caso a Justiça acolha o pedido da construtora e entenda que o Salles Oliveira é objeto de acordo prévio entre Tupi e um terceiro, a Recuperação Judicial pode ser paralisada ou até inviabilizada.
O ge entrou em contato com as partes. Até o momento não houve retorno.
Leia as notícias do Tupi
A Recuperação Judicial é um passo importante para que o Tupi avance para se tornar uma Sociedade Anônima do Futebol. O Alvinegro e a Magnitude Participações Ltda., que aparece como principal interessada na aquisição do clube, optaram pelo regime com objetivo de controlar o passivo da entidade.
Campeão da Série D do Campeonato Brasileiro, seis vezes campeão do Mineiro do Interior e com acessos e times importantes no cenário nacional, o Tupi está em grave crise financeira, que teve origem após más administrações e que foi agravada com a pandemia da Cobid-19.
Em oito anos o time teve uma derrocada esportiva e administrativa. O clube saiu da Série B do Campeonato Brasileiro e da elite do Mineiro, onde era uma das principais forças do interior, para a terceira e última divisão estadual, sem calendário nacional.
Salles Oliveira em disputa
O Estádio Salles Oliveira é o ponto central de tudo que gira em torno do Tupi atualmente. A praça esportiva, com quase 94 anos de fundação, teve a venda determinada pela Justiça e é o principal ativo para viabilizar a Recuperação Judicial. No entanto, o estádio de Santa Terezinha também é importante para outro interessado, fato que pode travar a recuperação.
A Construtora Rezende-Roriz entrou com um pedido de Tutela de Urgência para interromper o processo. O motivo é o acordo entre a empresa e o clube mineiro, firmado em fevereiro de 2020.
Veja o projeto da parceria entre Tupi e Rezende-roriz, que nunca foi concretizado
Rezende-Roriz
Em resumo a parceria era uma permuta imobiliária. Na teoria, o Tupi repassaria o Estádio Salles Oliveira para a empresa, que tinha interesse no potencial imobiliário e comercial da região de Santa Terezinha, enquanto a construtora viabilizaria a construção de um Centro de Treinamento na Zona Norte de Juiz de Fora, mais precisamente no Bairro Barreira do Triunfo. Na prática, a parceria jamais foi concluída.
Seis anos após a assinatura do acordo, a construtora viu o clube conseguir a homologação do programa de Recuperação Judicial, em que o mesmo estádio, avaliado em R$ 12 milhões, será colocado à venda para dar início ao processo de pagamento das dívidas dos credores. O passivo do Tupi é de aproximadamente R$ 24 milhões.
A Rezende-Roriz se baseia em três pilares para contestar o prosseguimento legal da Recuperação Judicial do Tupi:
Que o Estádio Salles Oliveira é principal objeto da Recuperação Judicial iniciada em 2024;
Que o estádio fazia parte do contrato de Instrumento Particular de Permuta Imobiliária a partir de 20 de fevereiro de 2020, de forma anterior à RJ;
Que a construtora cumpriu as obrigações contratuais, com pagamento de R$ 914 mil em benefício direto do Tupi, ao passo que o clube não conseguiu tornar o Salles Oliveira viável para a permuta, por processo de tombamento administrativo, penhoras trabalhistas que chegaram a produzir a marcação de leilão judicial do próprio estádio e pelo plano de Recuperação Judicial, que vai resultar na venda da praça esportiva à terceiros;
Como a Justiça homologou a Recuperação Judicial, o processo competitivo para venda do Salles Oliveira pode ser iniciado a qualquer momento. Por isso, a construtora pediu em caráter liminar a suspensão da execução da RJ ou, alternativamente:
Suspensão da publicação de edital para o processo competitivo de alienação da UPI Estádio;
Suspensão do recebimento de propostas de aquisição
Suspensão de exercício do direito de preferência pelo stalking horse (licitante inicial ou proponente de referência;
Suspensão de homologação de qualquer proposta vencedora
O ge entrou em contato com o Rezende-Roriz e com o Tupi. Nenhuma das partes respondeu à reportagem até a última atualização da matéria.
O que vale até o momento
Por enquanto, nada mudou na Recuperação Judicial do Tupi, que segue em curso. O Estádio Salles Oliveira, que foi fundado em 19 de junho de 1932, continua como o principal ativo para viabilizar o processo.
Objeto constante de penhoras por conta de processos trabalhistas, a praça esportiva foi o trunfo utilizado pelo Alvinegro para ter a Recuperação Judicial aprovada. O Tupi foi determinado a vender o Salles Oliveira.
Carijó passa por grave crise financeira
Reprodução/TV Integração
De acordo com a decisão judicial vigente, o Tupi fará isso através de uma UPI (Unidade Produtiva Isolada). O mecanismo é comum em recuperações judiciais de clubes de futebol.
Como um clube endividado não pode se desfazer dos bens que possui para manter as garantias de pagamento aos credores, a UPI é uma estrutura que separa ativos, como marca, estádio, SAF e clube social para permitir a venda sem riscos de ações de quem tem dinheiro receber da entidade.
Venda do Salles de Oliveira será feita de forma aberta e só será concluída com a homologação em juízo
Leandro Colares
O estádio não vai a leilão. A praça esportiva será colocada à venda de maneira aberta e o pagamento será de forma parcelada. Assim que o Tupi receber as parcelas, o dinheiro será destinado aos credores, Todo o processo só será concluído com o crivo da Justiça.
Além isso será constituída a UPI Futebol. A estrutura vai englobar os ativos relativos ao futebol para a eventual venda da SAF. As propostas serão enviadas para um Administrador Judicial, responsável por fiscalizar a empresa devedora, organizar o quadro de credores, elaborar relatórios e garante a saúde do processo para devedores e credores. A negociação também depende do crivo judicial para ser concluída e homologada.
Até o momento, a única empresa que demonstrou publicamente o desejo de adquirir a SAF do Tupi é a Magnitude Participações Ltda. A companhia tem conversado com o clube desde 2024, quando o Galo Carijó aprovou a adequação do estatuto para se tornar uma Sociedade Anônima de Futebol.
Tupi sana pendências e Justiça homologa RJ
O processo de Recuperação Judicial do Tupi foi aceito pela Vara de Sucessões, Empresarial e de Registros Públicos da Comarca de Juiz de Fora em dezembro de 2024.
De lá para cá, o clube precisou fazer adequações solicitadas pelo Administrador Judicial e acolhidas e determinadas pela Justiça para que a RJ tivesse prosseguimento.
Depois de alguns credores contestarem o plano de RJ, o que é permitido neste tipo de caso, a Justiça indeferiu alguns pedidos ou homologou a desistência por parte de quem tem direito de receber dinheiro do Tupi de se opor à Recuperação Judicial,
Leia as notícias do ge Zona da Mata
Mesmo assim, apesar de ter caminho livre para dar sequência ao regime, o Tupi precisou resolver pendências após decisão judicial de dezembro de 2025.
O clube apresentou a Certidão Negativa de Débito do Estado de Minas Gerais e conseguiu a Certidão Positiva com efeito de Negativa junto à Receita Federal do Brasil.
A CND relativa ao município de Juiz de Fora não foi conseguida pelo clube. O Tupi alegou que não conseguiu o documento por conta da inexistência de legislação específica do ente público que autorize parcelamento diferenciado para sociedade em Recuperação Judicial.
Além disso, a Administradora Judicial apontou divergência entre a legislação municipal que rege o parcelamento concedido às sociedades devedoras e a previsão de parcelamento que consta na Lei Federal n. 11.101/2005, que regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária.
Assim, o juiz de Direito titular da Vara de Sucessões, Empresarial e de Registros Públicos da Comarca de Juiz de Fora, Augusto Vinícius Fonseca e Silva, dispensou a apresentação da CND.
Derrocada esportiva e administrativa
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O pior momento esportivo e administrativo do Tupi estourou na gestão de Eloísio Pereira de Siqueira, atual presidente do clube. No entanto, o cenário atual é consequência de más administrações mascaradas pelo sucesso dentro de campo.
Seis vezes campeão do Mineiro do Interior — o segundo maior da história, atrás apenas da Caldense, com oito — e conhecido como o Fantasma do Mineirão, pelas vitórias diante de Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG em 1966 (relembre no vídeo acima), o Carijó tinha tradição a nível estadual. Porém, a partir de 2011, o Galo ficou conhecido nacionalmente.
Tupi-MG, campeão, Série D, 2011
Antônio Carneiro
Com uma grande campanha, o Tupi conquistou o acesso na Série D do Brasileirão naquele ano e chegou a decisão diante do Santa Cruz. Considerado como azarão, o time mineiro venceu os dois jogos, calou o Estádio do Arruda com mais de 60 mil pessoas e se sagrou campeão sob a batuta do experiente técnico Ricardo Drubscky (confira o especial abaixo).
Veja o especial do ge sobre o título de 2011
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Apesar do rebaixamento na Série C de 2012, onde o clube já enfrentava problemas financeiros com salários atrasados, o time conseguiu outro acesso na Série D, desta vez em 2013, quando o time do técnico Felipe Surian eliminou o Mixto-MT e conquistou a promoção.
Apesar do acesso, aquela campanha ficou marcada por outro motivo. O Tupi teve um gol evitado por Esquerdinha, massagista da Aparecidense, no jogo de volta das oitavas de final. Ele invadiu o campo e impediu que o chute do atacante Ademilson entrasse. O Galo acabou eliminado em campo com o empate em 2 a 2, mas ganhou a vaga nos tribunais, por decisão do STJD (relembre o caso na íntegra). Mário Bittencourt, atual presidente e que era advogado do Fluminense, defendeu o time mineiro.
Personagens contam bastidores do gol evitado por massagista em Juiz de Fora
De volta à Série C, o Tupi fez uma grande campanha na competição sob comando de Leo Condé, atualmente no Ceará. No entanto, o time foi eliminado pelo Paysandu nas quartas de final e ficou pelo caminho em 2014.
No ano seguinte, o acesso veio. O time de Leston Júnior foi consistente em 2015 e conseguiu subir de divisão ao eliminar o ASA-AL (assista ao vídeo abaixo).
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Em todas as campanhas acima, que aconteceram durante as gestões de Áureo Fortuna e Myrian Fortuna, houve dois padrões. O Tupi teve grande desempenho desportivo, mas viveu problemas financeiros sérios, com dificuldades de pagamento de obrigações trabalhistas, premiações e de sustentar o dia a dia.
A partir de 2016, o que se viu foi o início de uma derrocada desportiva e administrativa. A boa campanha na Série C de 2017, onde o time perdeu o acesso para o Fortaleza, e o título do Mineiro do Interior em 2018 foram os últimos suspiros de um projeto vencedor, mas insustentável economicamente.
Com isso, o Tupi fez um bate e volta na Série B e foi rebaixado em 2016, com algumas rodadas de antecipação (confira os erros que o clube cometeu). A equipe cairia novamente de divisão em 2018, após péssima campanha na Série C.
Ypiranga vence o Tupi de goleada pela série C do Brasileirão
Tudo piorou em 2019. O Alvinegro foi rebaixado no Campeonato Mineiro, algo que não acontecia desde 2004, e foi eliminado na primeira fase da Série D do Campeonato Brasileiro.
A partir dali, o Tupi ficou sem disputar a primeira divisão estadual e, sem índice técnico por não competir na elite em Minas Gerais, perdeu o calendário nacional.
Após disputar o Módulo 2 por quatro temporadas, o Carijó acabou rebaixado para a Segunda Divisão do Mineiro, a terceira em Minas Gerais, em 2024, não conseguiu o acesso em 2025 e deve tentar a promoção novamente em 2026.
Tupi é derrotado pelo Cruzeiro e é rebaixado no Campeonato Mineiro
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