Goleiros catarinenses falam sobre evolução da posição e adaptação à cultura europeia
Ídolo do JEC Futsal, Willian é eleito melhor goleiro do mundo
Santa Catarina é um celeiro de grandes goleiros de futsal, exportando atletas para as principais ligas da modalidade no mundo. Três destes representantes catarinenses são Beatriz Silva, Henrique Barbieri e Willian Dorn, que vivem a modalidade na Europa.
Willian Dorn é goleiro do Norilsk Niquel, da Rússia
Arquivo pessoal
Beatriz atua pelo Torreblanca Melila , da Espanha, Henrique é atleta do ElPozo Murcia, também da Espanha, e Willian Dorn defende o MFC Norilsk, da Rússia. Titulares de suas equipes, todos deram os primeiros passos em SC.
Atualmente em equipes tradicionais da Europa, eles vivenciam uma cultura diferente da brasileira, tanto dentro, quanto fora das quadras.
— Aqui, a cultura é bem diferente da do Brasil, preza-se muito por um jogo mais tático, e não tão físico como no Brasil, apesar de isso estar mudando bastante no nosso país nos últimos ano — explica Henrique.
Henrique Barbieri foi campeão da Liga dos Campeões 2024/25 com o Palma
Divulgação/Illes Balears Palma Futsal
Além disso, para as mulheres, o ambiente, segundo Beatriz, é mais propício para a evolução, desde as divisões inferiores.
— Creio que a cultura na Europa seja um pouco diferente da do Brasil, facilitando o acesso de meninas às categorias de base junto aos meninos, sem grandes entraves. Enquanto, no Brasil, muitas vezes vemos atletas que precisam recorrer à Justiça para jogar em equipes mistas, por falta de times femininos, lá o incentivo vem desde muito cedo, de forma mais natural — conta Beatriz.
Beatriz da Silva, goleira de futsal
Redes Sociais/@biibia.s
Diferente de Henrique e Beatriz, Willian, ex-JEC e goleiro da Seleção Brasileira, vive uma cultura ainda mais particular, a do futsal russo. Para ele, há diferenças e ressalvas no esporte local em relação ao Brasil.
— É um esporte muito muito valorizado. Tem uma estrutura muito boa para se trabalhar, ginásios e arenas muito bonitas e estruturadas. Claro que que existem algumas falhas, principalmente a arbitragem. Existem muitos erros dos árbitros, erros de interpretação. Além disso, é um jogo diferente do Brasil. Você pode fazer muito bloqueio, muitas faltas, pode dar carrinho, algo que no futsalbrasileiro não pode. É um jogo mais físico, mais bruto, o jogo corre um pouco mais nesse sentido. E a gente tem que se adaptar ao estilo de jogo — afirma Willian.
A solidão e a evolução da posição
Além de terem nascido em solo catarinense, os três compartilham outra semelhança: a solidão da posição.
— Enquanto às vezes os jogadores de linha estão brincando de bobinho no aquecimento, a gente tá fazendo parte específica, sofrendo. Até brinco com eles que parece que estão na educação física da escola, sempre dando risada, e a gente lá sofrendo, tomando bolada — conta Willian.
Goleiro Willian Dorn, do Norilsk, fala em russo em entrevista ao ge
Porém, a posição cada vez mais tem evoluído e, atualmente, é totalmente ativa no jogo com os pés. Diferente do futebol, nas quadras os arqueiros possuem inúmeras funções, além da principal que é defender a meta.
— O goleiro hoje é, de fato, um quinto jogador decisivo, seja na cobertura ou na criação de oportunidades de ataque. Temos grandes referências masculinas nesse estilo, como Higuita, Nico Sarmiento e Matheus. No feminino, Julia Melz e Bianca cumprem esse papel com maestria em seus clubes e na seleção, ajudando a desafogar a pressão adversária e a mudar a dinâmica do jogo — explica Beatriz.
— Ser goleiro não é fácil. No futsal, porém, o goleiro está muito mais envolvido no jogo do que no futebol, já que, como o espaço é menor, a bola está perto do gol a todo momento. Além disso, há a questão das coberturas fora da área, que são muito importantes no futsal atual. Com isso, o goleiro não fica tão excluído do jogo como, às vezes, acontece no futebol — completa Barbieri.
Mais notícias do esporte catarinense no ge.globo/sc geRead More


