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Técnica do Grêmio, Jéssica de Lima reflete sobre trabalhar longe da filha e exemplo: “Mãe buscou os sonhos”

Técnica do Grêmio, Jéssica de Lima reflete sobre trabalhar longe da filha e exemplo: “Mãe buscou os sonhos”

Jessica de Lima lista as semelhanças entre os papéis de mãe e treinadora
Ser mãe e técnica de futebol têm muito em comum. E quem afirma isso é especialista nas duas funções. Jéssica de Lima, hoje com 44 anos, é mãe da pequena Luísa, de três, e treinadora do time profissional feminino do Grêmio. Em Porto Alegre, convive com a distância da filha e da esposa, que vivem em São Paulo, ao mesmo tempo em que administra a rotina exigente do futebol.
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Neste dia das mães, o ge foi ao Centro de Treinamento da Ulbra, casa das Mosqueteiras, para ouvir a história da treinadora.
– É muito parecido você ser mãe e treinadora. Você tem que cobrar às vezes, tem que limitar, tem hora que faz birra, as atletas também fazem. E a gente fica tentando interpretar e ler para tentar ser a melhor mãe e a melhor líder possível. E tem momentos que você tem que falar não e ponto, tem momentos que eu sou a mãe chata, tem momentos que eu sou a treinadora chata. É a minha função – afirmou a treinadora, em conversa com o ge.
Dentro desses dois lugares eu confesso que eu encontrei um lugar de muito amor.
Mães da dupla Gre-Nal conciliam futebol e maternidade
Jéssica tem quase dois meses de trabalho no Grêmio. Assumiu o cargo em 17 de março, com a saída de Cyro Leãs, mas no futebol acumula mais de 30 anos de experiência. Como técnica, passou por Realidade Jovem, Ponte Preta e Ferroviária. Também foi auxiliar na Seleção Brasileira Sub-20, onde conquistou a Liga Conmebol Evolución, em 2021, e o Sul-Americano, em 2022.
Justamente no período em que estava na Seleção nasceu Luísa, gestada pela esposa de Jéssica, Milene Souza, por meio de fertilização in vitro (FIV).
Jessica de Lima conta histórias da época que a filha era recém-nascida
A pequena veio ao mundo uma semana antes do Mundial Sub-20 disputado na Costa Rica, em agosto de 2022. O Brasil ficou em terceiro lugar, a melhor campanha da Seleção na competição. Além das preocupações tradicionais da função de auxiliar, Jéssica precisou aprender a lidar, pela primeira vez, com a distância da filha.
– Muitas pessoas perguntavam como eu lidava com a distância da minha filha, e eu respondia que ela vai crescer com um legado e orgulho. Quero que ela veja que a mãe dela buscou seus sonhos e passou essa mensagem para ela. Sempre estive tranquila porque ela estava em um ambiente seguro, com a outra mãe. Se fosse necessário, eu abriria mão de tudo para ficar com ela. Acredito que ela vai crescer tendo muito orgulho da mãe que eu sou, mesmo nos momentos em que não pude estar tão presente.
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Jéssica de Lima, técnica do Grêmio, com a filha Luísa
Arquivo Pessoal
Profissão mãe(s)
Pouco tempo após o fim do Mundial Sub-20, Jéssica foi contratada pela Ferroviária. Classificou a proposta como “irrecusável”, mas afirma que só aceitou porque divide a função de mãe com a esposa.
– Minha vida se tornou um lugar de muito desafio por assumir duas funções que são quase intransferíveis. A maternidade, por mais que eu compartilhe com a outra mãe, tem uma função também muito grande na educação da Luísa. Então, 2022 e 2023, foi muito desafiador para mim – contou.
Eu praticamente tirava a mochila de treinadora, às vezes não dava nem tempo de tirar o uniforme e já assumia a minha parte maternal.
A esposa de Jéssica também está inserida no mundo do futebol em diferentes frentes. É filha de treinador e irmã da meio-campista Darlene, atualmente no Inter. Além do ambiente familiar, atua como psicóloga do esporte.
– Eu fico muito feliz dela estar vivendo esse novo ambiente, com mais respeito às mulheres no esporte. Em outros momentos, talvez ela sofresse mais ao ver coisas que eu passei. Hoje, se eu vou à arquibancada e a torcida me chama de incompetente eu não fico triste, porque estão falando do que eu faço. O que seria muito ruim, na época em que eu jogava, era quando as pessoas ofendiam a minha dignidade, a minha essência. E isso, incrivelmente, eu até fico feliz – revela.
Jéssica de Lima reflete sobre sua filha conviver no meio do futebol
Juntas há 26 anos, Jéssica acredita que a parceria com a esposa é a principal razão para conseguir dividir a vida entre duas funções tão exigentes.
– Nada eu conseguiria construir se eu não tivesse ela ali, sempre do meu lado, me apoiando. Nunca falando não para as minhas loucuras, para os meus sonhos. Eu tenho o privilégio de ter encontrado uma pessoa a qual eu admiro e amo e continuo amando. A Luísa é uma celebração desse amor e ela tem muito orgulho, porque ela chega na escolinha e fala, eu tenho duas mamães. Eu brinco com ela, se uma mãe é bom, imagine duas – conta Jéssica.
Jéssica de Lima e a esposa Milene, junto da filha Luísa
Arquivo Pessoal
Para treinar o time feminino do Grêmio, Jéssica precisou se mudar para o Rio Grande do Sul. A treinadora, porém, afirma que já havia planejado como agiria caso precisasse mudar de estado. Milene e Luísa devem permanecer em São Paulo até o fim do primeiro semestre, quando embarcam para terras gaúchas.
Enquanto conta os dias para retomar a convivência com a filha e a esposa, Jéssica busca lidar com a saudade, e tem na maternidade o lugar de conforto no dia a dia.
– A Luísa é a alegria diária, a presença, a inocência. Ela é um momento em que eu de fato desconecto do mundo mundo acelerado, competitivo e cruel. Eu acho que eu volto a ser a Jéssica, criança que jogava bola, por que ela me transporta pra outro lugar e isso ela faz como ninguém faz. Ela é do jeitinho que eu sonhei. Eu só tenho gratidão na minha vida por tudo que eu conquistei. E ela é a maior conquista da minha vida.
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