Multicampeã de caratê, pioneira de nova categoria de fisiculturismo precisou destreinar e perdeu 12 kg
Primeira fisiculturista brasileira da Fit Model, Maiara Rotta conta sobre carreira, alimentação e relação com o caratê
Maiara Rotta passou uma década apenas como espectadora de fisiculturismo até decidir que subiria ao palco pela primeira vez. Ex-campeã de caratê, a catarinense aguardava a criação de uma categoria com a qual se identificasse e, quando isso enfim ocorreu, ainda precisou transformar seu corpo extremamente treinado para se adequar aos padrões almejados pela Fit Model.
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A espera foi longa até o surgimento da mais recente divisão da modalidade, mas trouxe resultado quase que imediato. Natural de Rio do Sul (SC), a atleta começou a preparação no final de janeiro do ano passado e, em pouco mais de um mês, conquistou seu primeiro título overall, no MuscleContest Chapecó.
Foram mais dois troféus em sequência, em Campinas (SP) e Ponta Grossa (PR), até ter a chance de fazer algo inédito no Arnold Brasil 2025, em São Paulo. No torneio sediado na capital paulista, ela não só foi campeã outra vez como também se tornou a primeira brasileira a se profissionalizar na categoria, sendo a terceira em todo o planeta.
— Eu já frequentava campeonatos de fisiculturismo havia mais de 10 anos, só que não me via em nenhuma das categorias que existiam. Sempre achei bonita a Wellness e a Bikini, mas não me enquadrava nelas — contou Maiara, em entrevista ao ge.
Maiara Rotta foi a primeira atleta brasileira a se profissionalizar na recém criada Fit Model
Reprodução/Redes sociais/@maiararotta
— Para mim foi uma experiência incrível, entre os quatro campeonatos foram 27 dias. Como eu já era atleta de caratê e sempre gostei de competir e de fisiculturismo, estar um dos maiores palcos do Brasil [no Arnold], ser a primeira campeã da história do país e a terceira profissional do mundo foi inesperado, mas muito gratificante — acrescentou a atleta de 35 anos.
Precisou destreinar e perdeu 12 kg
Maiara é pioneira da Fit Model, mas precisou destreinar para atingir tal feito. Mesmo com os títulos em sequência, ela continuava ouvindo que devia diminuir seu volume muscular e, por isso, foi baixando o peso a cada apresentação: iniciou os treinos com 62 kg, estreou em competição com 53 kg e veio a se estabelecer com 50 kg.
— Eu já treinava havia 20 anos, então eu tenho muita maturidade muscular. Meu primeiro feedback foi que eu estava com o condicionamento da Fit Model, só que com volume muscular grande. Eu vinha treinando seis vezes por semana, fazendo cardio todo dia, comendo bem. Quando eu entrei para a categoria, o meu carboidrato quase zerou — explicou.
Não podemos esquecer que é uma categoria suave, mas é fisiculturismo. Você precisa ter um físico. Não é uma menina fazer uma semana de dieta, treinar um mês na academia e subir no palco. Não é isso que pedem.”
Maiara Rotta em sua apresentação no Arnold Brasil de 2025
Reprodução/Redes sociais/@maiararotta
Os feedbacks que recebia no palco foram os principais balizadores de sua preparação, já que a categoria, justamente por ser tão nova, ainda não tem um padrão completamente definido. Considerada uma divisão de entrada para o fisiculturismo feminino, a Fit Model propõe um padrão físico menos extremo, valorizando um corpo atlético e harmonioso, mas sem volume muscular excessivo ou definição acentuada.
Diante disso, Maiara cortou calorias na dieta e diminuiu consideravelmente os treinos na academia. No entanto, essa foi uma condição particular dela, que já cultivava um corpo torneado antes mesmo de virar atleta fisiculturismo. Atualmente, a catarinense só trabalha detalhes específicos de seu físico e não exercita os quadríceps (músculo da parte anterior das coxas) há mais de um ano.
— Hoje eu treino apenas três vezes por semana. Faço cárdio duas vezes, treinos de 30 minutos apenas, mas porque estou enquadrada completamente na categoria, não posso nem aumentar nem perder volume muscular. Quadríceps, parte que sempre fui maiorzinha, já faz 16 meses que eu não treino. Superiores eu faço um estímulo muito leve, três de 12, e aí treino glúteos duas vezes por semana. Eu tive que destreinar, mas não é para todo mundo isso.
— Meu treino não tem volume de carga porque eu não como. Hoje a minha dieta é low carb, eu tenho carboidrato, mas é pouquíssimo. Então, não tenho como pegar 240 kg de uma elevação pélvica porque não tenho mais força para isso. Agora faço com 80 kg e sofrido assim, só que muito mais concentrado. Quando a gente vira profissional, trabalha detalhes e pontos específicos que precisa melhorar — complementou.
Campeã de caratê e fisiculturismo
Maiara Rotta é faixa-preta de caratê e praticou a modalidade por 20 anos
Reprodução/Arquivo pessoal/Maiara Rotta
Desde a infância, Maiara Rotta sempre foi muito envolvida com esportes. Praticou judô, futebol, handebol, xadrez e tênis de mesa, embora tenha se firmado mesmo no caratê. Faixa-preta na arte marcial, competiu por anos e conquistou mais de 70 medalhas, segundo suas contas, até interromper a trajetória na modalidade antes mesmo de conhecer o fisiculturismo. Agora, o foco é a nova carreira.
— Quando eu parei [com o caratê], eu senti um vazio. Gosto de competir, do esporte, não me incomodei de ter que destreinar para me enquadrar em uma categoria porque só de estar competindo novamente, fazendo uma coisa que eu gosto, que é estar em campeonato participando, já vale a pena para mim.
Maiara Rotta tem mais de 70 premiações de caratê
Reprodução/Arquivo pessoal/Maiara Rotta
Desde que se profissionalizou na Fit Model, a catarinense vem se dedicando exclusivamente ao fisiculturismo e à consultoria online. Além de seus patrocínios como atleta, ela comanda uma empresa de assessoramento esportivo com o marido, que também é seu treinador. A possibilidade de trabalhar em qualquer lugar do mundo, inclusive, dá a ela a liberdade para conciliar os torneios, todos internacionais, com a atuação como empresária.
Neste ano, a categoria integra o calendário profissional do fisiculturismo pela primeira vez. Porém, não contará com shows no Brasil, já que ainda é pequena a quantidade de atletas Fit Model que possuem pro card no país e mesmo na região. Por isso, Maiara terá que viajar para o exterior toda vez que quiser competir.
Ela participou há dois meses do torneio profissional de estreia, que foi no Japão, e disputa neste fim de semana o Pittsburgh Pro, um dos principais eventos da modalidade. Depois, vai emendar mais dois eventos na América do Norte: Southern USA PRO e Toronto Pro.
O grande objetivo de Maiara é ganhar um título para carimbar a vaga no Mr. Olympia e participar do debute da categoria na “Copa do Mundo” da modalidade, que estabelecerá os padrões que devem ser seguidos na Fit Model. Maiara assegurou que estará no evento de Las Vegas de qualquer forma, seja participando ou assistindo, como começou sua história no fisiculturismo. geRead More


