Filha de ex-jogador do Ceará, Verena Figueira lidera Circuito Brasileiro de vôlei de praia
Filha de ex-jogador do Ceará, Verena Figueira lidera Circuito Brasileiro de vôlei de praia
De nascimento, ela é carioca, mas a relação com o Ceará é ainda mais profunda do que com o estado de origem. Aos 29 anos, a jogadora de vôlei de praia, Verena Figueira, mora em Fortaleza desde os seis anos. Essa mudança na vida já teve relação com o esporte. O pai era jogador de futebol: Januário, capitão do terceiro tetra do Ceará em 1999. Na oportunidade, o técnico era Dimas Filgueiras.
Mesmo após a aposentadoria dele dos campos, a família acabou ficando. O interesse pelo vôlei surgiu de maneira despretensiosa, junto com a prática esportiva de outras modalidades.
– Meu pai, além de jogar futebol, ia jogar futevôlei na praia. Eu ia com ele, praticava tudo que tinha bola. Então, tinha futevôlei, vôlei, vôlei de praia. Comecei a fazer uma escolinha lá na Beira Mar – conta ao ge.
No início, Verena tentava conciliar o vôlei de praia com a quadra, disputou várias competições de base, entrou na universidade com bolsa por conta do esporte. Até que já na segunda graduação, optou por seguir como profissional apenas na areia. A decisão veio do coração.
Verena Filgueira
Lucas_photosbr
Mesmo enfrentando desafios por conta da altura, considerada abaixo da média no alto rendimento, Verena aposta em outras características para se manter competitiva. Força e velocidade são algumas das principais armas da atleta.
– Eu me apaixonei pelo vôlei de praia. E como eu sou muito pequena (1,68m) na quadra era mais difícil também. Dava para eu ter jogado profissionalmente de líbero na quadra, mas eu prefiro vôlei de praia. A quadra eu gosto, mas a praia eu amo!
A parceira Thainara Oliveira, de 1,75m, também foge do perfil tradicional de bloqueadora, mas compensa com impulsão e explosão física. A dupla começou a atuar junta nesta temporada e já coleciona resultados expressivos.
Verena Filgueira
Lucas_photosbr
A ideia inicial era usar 2026 como um ano de adaptação e construção da parceria, visando a colher frutos mais sólidos apenas no próximo ciclo. Mas os resultados apareceram antes do esperado.
Nos primeiros meses da temporada, Verena e Thainara conquistaram:
Prata no Challenge de Nayarit, no México – etapa do Circuito Mundial;
Ouro na etapa de Lima do Circuito Sul-Americano;
Prata na etapa de Los Andes do Circuito Sul-Americano;
Duas pratas nas etapas de Navegantes e na de João Pessoa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia.
Essas duas últimas medalhas, além dos resultados conquistados nas etapas de Saquarema e Brasília, colocam a dupla como líder do Circuito Brasileiro. Mas a atleta reconhece a dificuldade de se manter o topo até o fim da temporada.
-A gente sabe que tem duplas ali que estão na Corrida Olímpica. Nossa meta desse ano é terminar entre as três. São oito etapas, então, você tem que ter o mínimo de regularidade durante todo o campeonato. Não adianta ficar em primeiro em uma e na outra não passar da fase de grupo. Você tem que estar pelo menos ali entre as cinco, sempre.
A próxima competição do Circuito Brasileiro deve acontecer em julho, no Rio de Janeiro. A etapa prevista para junho, em Cuiabá, foi suspensa.
Foco da dupla agora será o ‘Finals’
O foco da dupla agora será o ‘Finals’, que é a etapa decisiva do Circuito Sul-Americano de Vôlei de Praia 2026 e acontecerá em Iquique, no Chile, entre esta sexta (15) e domingo (17). Esta etapa encerra a temporada do torneio, reunindo as melhores duplas da América do Sul para definir os campeões gerais. Apesar da rotina corrida desde que iniciou a parceria com Thainara, Verena estima que tenham sido nove competições seguidas e apenas três semanas de treinos, essa é uma das boas possibilidades de título das duas.
Depois dessa competição, a expectativa é conseguir mais tempo pra ajustar os treinos. Quando estão em Fortaleza, os dias são organizados em dois turnos: treino com bola pela manhã, e à tarde a parte tática e técnica, física ou musculação.
Além disso, Verena ainda tem um terceiro turno, como professora de vôlei de praia. Graduada em nutrição e educação física, ela dá aulas em dois locais e conta que o sucesso na quadra influencia também a procura pelas aulas. No início, esses treinos surgiram como uma alternativa pra complementar a renda, mas ela conta que hoje daria pra viver apenas como atleta, e ensinar se tornou uma opção.
– Eu gosto bastante. Sinto prazer em ensinar, em ajudar. Porque você, às vezes, pega um aluno bem fraco e vê a evolução dele, vê que você fez parte daquilo.
Já familiarizada, Verena avalia esse caminho como treinadora, inclusive, como uma possibilidade ao se aposentar como atleta. Mas até lá ainda tem um tempo e quer seguir realizando sonhos dentro da quadra.
– Tinha a meta de ser campeã brasileira, consegui. Ano passado a gente ganhou uma etapa do Circuito Brasileiro. Então, a meta é rodar o máximo de mundiais possíveis e subir nos pódios, para depois pensar lá na frente.
Verena e Kyce conquistaram a primeira etapa de Circuito Brasileiro da carreira
Mauricio Val/FVImagem/CBV)
* Especial para o ge geRead More


