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Mozart deixa Ceará sem nenhum objetivo alcançado e com afastamentos

Mozart deixa Ceará sem nenhum objetivo alcançado e com afastamentos

Diretor de Futebol do Ceará anuncia saída de Mozart: “É o melhor para o clube”
Vindo de rebaixamento inesperado na Série A, o Ceará optou pela saída do treinador Léo Condé no fim da temporada de 2025. Para substituí-lo, com o objetivo de retornar à elite nacional, a diretoria do clube optou por um nome de segurança: Mozart, que vinha de dois acessos consecutivos com Mirassol e Coritiba, sendo o atual campeão da Série B pelo alviverde paranaense.
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Com esse currículo, a torcida alvinegra, apesar da desconfiança normal devido à queda e da então permanência do departamento de futebol com Haroldo Martins e Lucas Drubscky, confiou e gostou da escolha do novo comandante. Nesse sentido, foi muito abordado o estilo de Mozart, com um jogo não tão vistoso, mas eficiente e resultadista. Entretanto, na prática, nem isso aconteceu, com nenhum dos objetivos traçados no início do ano tendo sido conquistado.
Campeonato Cearense
Para o início da temporada, a meta era conquistar e garantir o que seria o tricampeonato estadual. Ainda mais quando se coloca na balança que o Fortaleza também havia sido rebaixado e teve mudanças quase que totais na diretoria e no elenco. Apesar de invicto e com aproveitamento de quase 70%, o Ceará foi derrotado pelo rival nas penalidades, após dois empates nas finais.
Mozart pelo Ceará
Gabriel Silva/Ceará SC
Evidentemente, ninguém gosta de amargar um vice-campeonato, ainda mais para o Fortaleza, no caso do Vovô. Porém, com o argumento de ser início de trabalho e de que houve um confronto equilibrado com o Tricolor, a torcida seguiu acreditando no treinador, também pelo desempenho considerado aceitável durante o torneio.
Copa do Nordeste
Após início ruim na competição regional, o Vovô realizou, na Copa do Nordeste, o maior feito do período em que Mozart esteve no comando do clube. Em duelo válido pela 3ª rodada da fase de grupos, o Ceará venceu o Fortaleza por 2 a 0, com Fernandinho sendo expulso no início da partida, mantendo o tabu de invencibilidade diante do rival e conseguindo recuperação no torneio, com o auxiliar Dênis Iwamura na beira de campo, já que o treinador estava suspenso. Em contrapartida, as escolhas de Mozart na escalação e nas substituições começaram a ser criticadas.
Mozart em Ceará x Fortaleza
Thiago Gadelha/SVM
Conseguindo a classificação para a fase mata-mata, passando na segunda colocação do Grupo C, o Alvinegro não teve tanta sorte no chaveamento e pegou, nas quartas de final, o único time da competição que está na primeira divisão: o Vitória. Sendo tricampeão e com histórico de participações marcantes na Copa do Nordeste, o objetivo traçado era chegar às semifinais. Em jogo único, em Salvador, entretanto, o Vovô foi derrotado por 1 a 0, com gol no fim, em duelo que teve duas expulsões.
Copa do Brasil
Com dois objetivos traçados e não conquistados, o Ceará passou a ter somente duas competições para disputar: a Copa do Brasil e a Série B. Na competição, o Ceará começou na 2ª fase — diferentemente dos clubes da Série A, que iniciaram na quinta — e eliminou o Primavera-SP, na Arena Castelão, o Maranhão, em São Luís, e o São Bernardo, no interior paulista, nas penalidades. Por fim, o Vovô chegou à 5ª fase e restava somente mais uma classificação para conquistar o primeiro objetivo da temporada: chegar às oitavas de final do torneio.
Mozart após eliminação do Ceará
Kid Jr./SVM
Entretanto, como estava no pote 2 do sorteio, o Ceará pegou o Atlético Mineiro em jogos de ida e volta. No primeiro jogo, em Belo Horizonte, o Alvinegro foi derrotado por 2 a 1 na Arena MRV, mas chegou com vida para o segundo duelo. Já na Arena Castelão, o Vovô abriu 2 a 0 no placar logo no primeiro tempo e controlava a partida até os 45 minutos do segundo tempo, quando tomou o gol e perdeu a classificação, que estava nas mãos, na disputa de pênaltis, com o psicológico já abalado.
Série B
Para o principal objetivo do ano, o Ceará começou bem a Série B e chegou a liderar a competição nas rodadas iniciais. Como ainda estava disputando também a Copa do Brasil e a Copa do Nordeste, Mozart alegava que a equipe não conseguia treinar o suficiente, e o desempenho foi caindo, com resultados ruins acontecendo. A partir do momento em que o time foi perdendo posição na tabela, o então treinador afirmava que o Alvinegro voltaria a vencer e, consequentemente, alcançaria o acesso no fim da temporada.
Mozart em Ceará x Operário-PR
Thiago Gadelha/SVM
Após vencer o Fortaleza na Série B por 2 a 1, de virada, parecia que a recuperação na competição, visando retornar à elite nacional, finalmente aconteceria. Entretanto, na rodada seguinte, o Ceará perdeu para o Grêmio Novorizontino, com direito à expulsão de Sanches e gol sofrido no fim da partida, e, agora, derrota para o Operário, em jogo que teve o menor público do Vovô na competição e mais duas expulsões — de Fernandinho e Lucas Lima. Com o resultado negativo e o Vovô ocupando a 13ª posição, com 13 pontos, Mozart não resistiu e foi demitido, longe de visualizar a conquista do acesso.
Além das competições
Mesmo com nenhum dos objetivos conquistados, é preciso ressaltar que o ambiente que Mozart encontrou ao chegar ao Ceará estava longe dos melhores. Porém, ele já veio sabendo dessas crises, seja no âmbito político, financeiro ou desportivo e, principalmente, demonstrou confiança de que o acesso seria conquistado.
A certeza é que, apesar de não ser o grande responsável por esse momento negativo, Mozart colaborou diretamente para o agravamento da situação. É também por causa dele, ao continuar cometendo erros repetidos nas escolhas de jogadores que ainda não demonstraram em campo suas qualidades, que existe a não conexão da torcida com o elenco.
Luizão, Pedro Henrique, Éder e Vina com Mozart em coletiva
Xandy Rodrigues/Ceará SC
Pelo lado positivo, é verdade que, talvez mais por necessidade, é preciso destacar que o treinador teve mérito ao colocar os meninos da base no profissional: Melk, João Gabriel, Giulio, Enzo e até Pedro Esli. Independentemente do treinador, esses jogadores, por mais que jovens, demonstram vontade de vestir a camisa alvinegra e parecem ser úteis ao plantel, alinhados com o perfil do clube de ter jogadores aguerridos e de que o torcedor gosta.
Por fim, outro momento marcante, também no fim da passagem de Mozart pelo Ceará, foi o afastamento de Vina, Richardson e Pedro Henrique. Tidos como os “medalhões” do grupo, os atletas não apresentaram a qualidade esperada para ajudar o clube e deixaram de ser utilizados pelo treinador numa tentativa de oxigenar o clima do clube. Resta ver o que o novo treinador vai optar em relação a esses atletas e ao futuro do Ceará.
Mozart em Ceará x Vila Nova
Kid Junior/SVM geRead More