Como influência da mãe foi decisiva na carreira de Otávio, destaque do Cruzeiro: “Não queria ser goleiro”
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De terceiro goleiro a titular do Cruzeiro e elogiado até pela imprensa internacional. Tudo isso aconteceu com Otávio em um mês. O jovem se destaca na ausência de Cássio e, à Globo, contou que nem sequer queria atuar na posição quando criança.
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Otávio é natural de Perdigão, cidade distante 140 quilômetros de Belo Horizonte, e está há dez anos no Cruzeiro. Antes disso, atuava como jogador de linha, nas brincadeiras com o irmão mais velho, Pedro Paulo, e também na escolinha da cidade.
Mas, Mariza, mãe dele, foi a figura mais decisiva para que se tornasse goleiro. A contragosto do pai, Paulo Roberto, e do próprio Otávio.
– A gente colocava um colchão no chão, eu jogava bola para meu irmão, ele pulava, e eu achava legal. Na escolinha, meu pai não deixava eu ir no gol, meu pai era contra, 100%. Meu irmão, também. Mas eu só dava carrinho, só ficava no chão, e minha mãe sempre gritava: “Está parecendo um tapete” (risos). Um dia ela falou com meu técnico que ele tinha que me colocar no gol.
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“Sendo bem sincero, eu não queria. Só que no primeiro jogo eu fui bem e vi que levava jeito. Meu pai foi contra mesmo assim, só que em um momento já tinha que aceitar. Mas posso falar que quem colocou no gol foi minha mãe.”
Sucesso e trabalho mental
Destaque da base do Cruzeiro nos últimos anos e titular da Seleção no último Mundial Sub-20, Otávio está no clube desde 2015. Chegou a fazer parte do grupo principal no ano passado, mas ainda alternando com partidas da base. Em 2026, foi alçado de vez à equipe, sob comando de Tite.
O início da temporada já foi inesperado. Com Cássio em pré-temporada e Matheus Cunha lesionado logo na primeira semana de treinos, Otávio teve a chance de jogar três rodadas do Mineiro. Os dois companheiros de posição retornaram, e o jovem teve de esperar mais três meses para voltar a jogar.
As oportunidades voltaram em abril, com séria lesão de Cássio e as críticas a Matheus Cunha, então reserva imediato. Otávio agarrou a oportunidade, caiu nas graças da torcida e é um dos líderes técnicos da reação cruzeirense com Artur Jorge.
“Vou ser bem sincero: nem eu não esperava tudo isso. Claro que a gente se prepara todo dia para essa oportunidade, mas (não esperava) que ela chegaria tão rápido.”
– Confesso que eu não esperava que tivesse esse retorno tão grande. Mas estou muito feliz. É o trabalho que está devolvendo. Eu sempre plantei, agora está na hora de escolher.
Otávio fez nove defesas em empate do Cruzeiro contra o Boca
Getty Images
Otávio teve atuações de destaque no período. A principal delas contra o Boca Juniors, na Bombonera, garantindo empate por 1 a 1, mesmo com um jogador a menos em boa parte do segundo tempo.
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Além do aspecto técnico que salta aos olhos, Otávio também chama atenção pela tranquilidade em campo. Foi assim, por exemplo, que se recuperou de falha em gol anulado da Chapecoense e garantiu a vitória contra a Chapecoense. Fruto, entre outras coisas, do trabalho que fez com a psicóloga Camila Valicente ainda na base cruzeirense.
– Antes eu era muito ansioso, ficava muito ansioso para os jogos, para os treinos. Tive uma conversa com ela, que me passou um trabalho que até hoje eu faço. Mentalizo coisas boas, controlo a respiração, a ansiedade. Isso é uma coisa que “Me ajudou muito. Às vezes ainda encontro com ela (Camila). Sempre agradeço a ela, sempre dou um abraço, porque ela foi fundamental para mim.”
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