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Análise tática do Paraguai na Copa de 2026: uma equipe sem medo de provar velhos clichês

Análise tática do Paraguai na Copa de 2026: uma equipe sem medo de provar velhos clichês

O que a história do Paraguai na Copa do Mundo conta? Um time extremamente defensivo, difícil de ser batido e que obriga o futuro campeão a suar sangue para vencê-la. Pois é exatamente esse time que Gustavo Alfaro montou no retorno dos paraguaios ao Mundial.
Todos são defensores de um time que fica longos períodos se defendendo e morde e sufoca até o fim. Foi assim que o Paraguai quase venceu a França em 1998, num jogo em que Laurent Blanc precisou tirar um gol de ouro aos 114 minutos de jogo. O treinador era Paulo Cesar Carpeggiani, em um trabalho louvado até hoje no país.
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Ángel Romero em Brasil x Paraguai
Wagner Meier/Getty Images
Foi assim que o Paraguai quase, mas quase mesmo, eliminou a Espanha nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2010. O time que retorna ao Mundial segue a tradição: é defensivo até a medula, sem vergonha alguma de ser assim, e promete incomodar bastante.
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A base são jogadores que atuam no futebol brasileiro: Gustavo Gómez do Palmeiras, Junior Alonso do Atlético-MG e Bobadilla, do São Paulo. Gatito Fernández, conhecido pelos tempos de Botafogo, é o goleiro titular.
O momento é positivo. Desde que Gustavo Alfaro assumiu o comando, a seleção acumula seis vitórias, cinco empates e apenas uma derrota nas eliminatórias sul-americanas. Venceu Brasil, Argentina e Uruguai tendo apenas 38% de média de posse de bola nas Eliminatórias.
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Esquema tático e time base
O ponto de partida de Alfaro é um 4-4-2 compacto sem a bola que transita para um 4-2-3-1 quando o time recupera a posse. A lógica é simples: se defender com duas linhas de quatro, fazer o possível e impossível para não sofrer um gol e sair em velocidade após uma bola recuperada.
O time titular mais utilizado tem Gatito no gol, Cáceres na lateral direita, Gustavo Gómez e Alderete como dupla de zagueiros e Júnior Alonso, do Galo, na lateral esquerda. No meio-campo, Andrés Cubas é como primeiro volante fixo e Bobadilla é o principal concorrente a ser o outro volante. A linha de meias é formada por Julián Enciso como meia-armador centralizado, Miguel Almirón como meia aberto pela esquerda e Diego Gomes como meia pela direita. Antonio Sanabria como centroavante de referência.
E o treinador é Gustavo Alfaro (não confundir com Dorival Júnior)
Semelhança de Dorival com Alfaro ganhou as redes sociais
Reprodução
Como inicia as jogadas?
A saída de bola do Paraguai não tem ambição de construir grandes jogadas. O time tenta sair do campo defensivo em poucos toques, com passes diretos para os meias abertos ou para o centroavante como ponto de apoio. Os laterais podem tanto abrir pelos lados ou fazer uma variação: com Alonso como terceiro zagueiro, o ponta esquerdo abre pelo lado com o lateral e o time avança bem no campo de ataque.
Paraguai atua com pontas bem avançados e laterais que alternam funções
Reprodução
Ficou complicado de sair jogando? Bola longa para Sanabria ou para os corredores, onde Almirón ganha profundidade. Ficou difícil de tocar um passe mais curto? Bola longa. Se houve uma falta, ss arremessos laterais são uma arma para jogar a bola na área.
A ideia é simples e vem funcionando: fechar rápido e contra-atacar em velocidade a cada oportunidade.
Como ataca?
O Paraguai ataca principalmente pelas transições nos corredores e pelas bolas paradas. Almirón é o motor das transições ofensivas. Ele puxa contra-ataques pela esquerda, mas tem total liberdade de aparecer pelo lado direito, carregar a bola e cruzar ou buscar o espaço nas costas da linha adversária.
Enciso tem um forte chute de média distância. E outra arma ofensiva é a bola parada: Gustavo Gomes, Alderete, Júnior Alonso e Sanabria atacam a área adversária em todo escanteio e falta lateral. Buscam unir a presença física com o timing de bola e transformam todo cruzamento ou bola parada numa real ameaça.
Muitas vezes, os dois zagueiros sobem até em cobranças de falta vindas de regiões distantes. É uma das principais fontes de gol dessa seleção. Também é comum usar as bolas paradas como recurso para chutes de média distância no rebote, especialmente com Diego Gomes ou Enciso organizados para pegar a bola que sobra.
Foi assim que o Paraguai venceu o Brasil em setembro de 2024: cruzamento, chute de média distância e um ferrolho difícil de superar.
Paraguai 1 x 0 Brasil | Gol | 8ª rodada | Eliminatórias da Copa do Mundo 2026
Como defende?
Talvez a questão não seja como, mas sim por quanto tempo. O Paraguai não é um time de subir a marcação ou sufocar na frente. Quando perde a bola, recuam para o bloco médio ou baixo e reorganiza duas linhas de quatro. O time dá espaço para o adversário, fica mordendo e mordendo e pode passar o jogo inteiro assim até recuperar e sair em contra-ataque.
A dupla de zagueiros é o núcleo da defesa. Gustavo Gómez, formado pelo modelo do Palmeiras de Abel Ferreira, tem no jogo aéreo dentro da área a sua principal qualidade: constantemente na frente dos atacantes adversários, capaz de afastar bolas cruzadas mesmo numa linha recuada. Alderete complementa com leitura posicional e capacidade de cobrir o espaço em profundidade.
Defesa é o ponto forte: a linha de quatro fica muito atrás e o meio tenta roubar a bola com 2 ou 3 na jogada
Reprodução
Andrés Cubas protege essa linha imediatamente à frente. É o primeiro volante mais fixo do sistema, responsável por cortar linhas de passe e fechar os espaços centrais quando o adversário chega com combinações.
Mas a marcação começa antes, com todo mundo pressionando e mordendo. A principal orientação de Alfaro é jamais deixar a linha de quatro defensores desprotegida. Por isso, os encaixes são curtos e rápidos. Tentam afastar a bola o tempo todo da área. Se o adversário sair e tabelar por dentro, o primeiro da linha defensiva que sai é Gómez, acostumado aos botes e encaixes mais longos.
Defesa do Paraguai joga com encaixes e uma defesa bem estática
Reprodução
O grande destaque
Julián Enciso carrega a função mais diferente do modelo de jogo do Paraguai: ser a peça mais criativa. Enquanto o time passa grande parte do jogo protegido sem a bola, é dele a responsabilidade de encontrar espaços, acelerar jogadas e criar soluções que o sistema, por si só, nem sempre consegue produzir.
Ainda que oscile muito, ele tem bastante coragem de partir pra cima e romper padrões. Quando consegue impor seu talento, o Paraguai ganha repertório ofensivo e pode abocanhar mais que apenas defender no jogo.
Enciso marca, Paraguai vence o Uruguai e sobe na tabela de classificação
Getty Images
O grupo do Paraguai tem tudo o que o modelo de jogo pede. Os Estados Unidos é o favorito para passar em primeiro lugar e gosta de ter a posse de bola. Austrália e Turquia estão um degrau abaixo em termos de qualidade técnica e também são times que gostam de atacar.
É de se esperar três jogos de ataque contra defesa para você ver no horário de dormir. Sono? Ofensa ao futebol? Nada disso. A Copa do Mundo é a oportunidade de abrir a cabeça para outros centros e formas de se jogar futebol. Defender é uma delas.
Foi defendendo e mordendo que o Paraguai venceu os três campeões de Copa do Mundo em seu continente nas Eliminatórias e voltou ao torneio após 16 anos. Será a primeira copa de Gatito, Alonso e Gómez, uma geração de defensores com títulos e boas passagens no futebol brasileiro. É bom tomar cuidado, porque esse time pode surpreender.
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