Conheça Maja Chwalinska: da depressão e 1º título no Brasil à zebra na semi de Roland Garros
A polonesa Maja Chwalinska, de 24 anos e apenas 114ª colocada do ranking mundial é a grande surpresa de Roland Garros, logo no ano de sua estreia no torneio. Após oito vitórias seguidas, três delas no qualificatório do Grand Slam francês, a tenista canhota de 1,64m está na semifinal, cercada por três cabeças de chave.
Nesta quinta-feira, Chwalinska enfrenta a russa Diana Shnaider, 22 anos e 23ª do mundo, que eliminou a número 1 do mundo Aryna Sabalenka, nas quartas de final.
– Eu honestamente não sei o que está acontecendo. Cada partida aqui está sendo meio maluca para mim. Eu estava definitivamente nervosa. Estou estressada, claro, mas tento focar no meu trabalho, no meu jogo – disse após a vitória que a colocou na semifinal.
+ Leia mais sobre tênis
Maja Chwalinska celebra vitória contra Anna Kalinskaya
REUTERS/Benoit Tessier
A zebra polonesa é apenas a segunda qualifier a alcançar as semifinais de simples, no feminino, em Roland Garros, igualando o feito alcançado por Nadia Podoroska, em 2020. Nenhuma tenista vinda do qualificatório chegou à final do Aberto da França na Era Aberta. Ela é também a segunda semifinalista com o pior ranking na história do torneio em Paris. A francesa Lois Boisson, que entrou no quali por convite, em 2025, alcançou a semifinal ocupando a 361ª posição do ranking da WTA.
– Meu objetivo nesta temporada era entrar no Top 100. Vindo para cá, minha meta era passar o qualifying. Sinto que estou fazendo um bom trabalho – emendou.
Curiosamente, a polonesa revelou que a campanha surpreendente em Paris a ajudou inclusive com a a superar a dificuldade que estava para pagar o hotel onde está hospedada na capital francesa. Com a vaga na semifinal, ela embolsará pelo menos 750 mil euros — exatamente d mesmo valor que ela faturou somando toda a sua carreira profissional anteriormente, aproximadamente R$ 4,3 milhões.
Laura Pigossi e Maja Chwalinska com os troféus do WTA 125 de Florianópolis
Leonardo Martins/90kō Studio
O INÍCIO DA RETOMADA NO BRASIL
Em 2021, logo após o torneio de Wimbledon, a jovem polonesa anunciou uma pausa por tempo indeterminado na carreira. Ela revelou na época estar enfrentando uma depressão severa, lidando com pensamentos sombrios e uma pressão esmagadora que a impedia de entrar em quadra.
O processo de recuperação envolveu o retorno para a casa dos pais, apoio psicológico e o completo distanciamento do ambiente competitivo. Chwalinska redescobriu o prazer de jogar ao focar na saúde mental, inspirada por atletas como a japonesa Naomi Osaka e sua compatriota Iga Swiatek. Juntas, em 2016, Chwalinska e Swiatek formaram a equipe polonesa campeã da Billie Jean King Cup Junior. Menos de um ano depois, elas chegariam à final de duplas do Australian Open juvenil.
Maja Chwalinska vence o WTA 125 de Florianópolis
Caio Graça/Green Fotografias
O recomeço e a virada na carreira profissional de Chwalinska passaram diretamente pelo Brasil. Em dezembro de 2024, ela conquistou em Florianópolis o maior título da sua trajetória até então: WTA 125 da capital catarinense. No saibro de Jurerê Internacional, Chwalinska foi campeã em simples e duplas, este título ao lado da brasileira medalhista olímpica Laura Pigossi.
– Estou muito feliz por esse título, é o maior da minha carreira e vou me lembrar de Florianópolis para sempre agora – disse, em 2024.
A consolidação definitiva desse processo de reconstrução foi no saibro europeu com mais duas conquistas de nível WTA 125, na francesa Montreux e na portuguesa Oeiras. Novamente na terra batida, em Paris, a polonesa venceu quatro tenistas do top-50, incluindo a campeã olímpica Qinwen Zheng, a grega Maria Sakkari e a russa Anna Kalinskaya, essa nas quartas de final.
Do título no saibro brasileiro, na terra de Gustavo Kuerten, ao top-4 de Roland Garros, em apenas dois anos. Essa é, até aqui, Maja Chwalinska.
Maja Chwalinska rebate bola contra Anna Kalinskaya em Roland Garros
REUTERS/Stephane Mahe geRead More


