Há 30 anos, GP de Mônaco teve só três carros; relembre casos inusitados
Classificação | Melhores momentos | GP de Mônaco de F1 2026
Quantos incidentes são necessários para uma corrida com 21 carros no grid de largada, em Monte Carlo, terminar com apenas três? Há 30 anos, foi exatamente isso que aconteceu no GP de Mônaco. Praticamente um sobrevivente, Olivier Panis conquistou sua única vitória da carreira naquela edição que entrou para a lista de casos bizarros no principado.
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Olivier Panis celebra vitória no GP de Mônaco de 1996; piloto foi um dos quatro “sobreviventes” da prova
Paul-Henri Cahier/Getty Images
Na ocasião, a pole position ficou com Michael Schumacher, à frente de Damon Hill e Jean Alesi. Como Hill liderava o campeonato, tendo como vice-líder Jacques Villeneuve e o próprio Schumacher, em terceiro, os holofotes estavam sobre o quinteto.
Hill herdou a liderança da corrida rapidamente: chovia, e Schumacher bateu por passar pela zebra molhada. As más condições também tiraram outros quatro pilotos da disputa ainda na largada: Rubens Barrichello, Pedro Lamy, Giancarlo Fisichella e Jos Verstappen.
Mais à frente, Ricardo Rosset rodou; Ukyo Katayama, Pedro Paulo Diniz e Gerhard Berger sofreram falhas mecânicas. Ou seja: em dez voltas, só haviam 12 pilotos na pista. Hill seguiu à frente de Alesi, mas na metade da corrida, o motor Renault da Williams quebrou e Alesi herdou a liderança – até sua suspensão falhar.
No GP de Mônaco de 1996, apenas o francês Olivier Panis e outros três pilotos cruzaram a linha de chegada
Getty Images
Panis, então, se viu em primeiro lugar, mas os sucessivos abandonos seguiram nas 18 voltas que restavam: Jacques Villeneuve e Luca Badoer bateram; Eddie Irvine rodou e arrastou Mika Salo e Mika Hakkinen consigo.
Restaram na pista só o líder da corrida além de David Coulthard, Johnny Herbert e Heinz-Harald Frentzen – que recolheu o carro. Confirmada a vitória de Panis, essa foi também a prova com o menor número de concluintes na história da F1. Abaixo, o ge reuniu outras histórias curiosas do GP mais charmoso – e, quando quer, caótico – do calendário. Confira!
1 – Carro que caiu no mar
Alberto Ascari caiu no mar de Mônaco em acidente em 1955
Reprodução
A combinação de altas velocidades de um F1 com as pistas estreitas e sinuosas de Mônaco já terminou mal para o bicampeão Alberto Ascari. O italiano liderava o GP em Monte Carlo em 1955 quando, de repente, perdeu a direção na chicane do Porto: ele foi direto para o mar.
Apesar do susto, o piloto da Ferrari conseguiu nadar e foi resgatado por um barco. Ele sofreu apenas uma fratura no nariz – mas, quatro dias depois, perdeu a vida após bater durante testes no Circuito de Monza. Dez anos depois, o australiano Paul Hawkins também caiu no mar Mediterrâneo com sua Lotus, mas de igual modo, não se feriu.
Lotus-Climax de Paul Hawkins no Mar Mediterrâneo
Grand Prix Photo/Getty Images
Hoje, acidentes do tipo em Mônaco possuem uma probabilidade menor graças aos guard rails e proteções na pista; ainda assim, a organização da prova mantém mergulhadores e barcos prontos para casos de necessidade.
Mergulhadores não têm treinamento específico para soltar o cinto dos pilotos
Livio Oricchio
2 – Diamante de R$ 1,5 milhão desaparece em Mônaco
Apelidada de “jóia da coroa” da F1, Mônaco foi o último destino de um diamante avaliado, em 2004, em 300 mil dólares (R$ 1,5 milhão na cotação atual). A peça foi colocada no bico da Jaguar de Christian Klien e também no carro de Mark Webber para divulgar o filme “Doze Homens e um Segredo”.
No entanto, Klien bateu na primeira volta da corrida. O diamante preso em seu carro se soltou e sumiu, sem indícios de seu paradeiro até hoje.
Diamante no bico do carro da Jaguar no GP de Mônaco de 2004
F1
3 – Raikkonen bate e assiste fim da corrida do iate
Conhecido na F1 também por sua personalidade excêntrica, Kimi Raikkonen protagonizou um episódio curioso no GP de Mônaco de 2006, após abandonar a corrida a 28 voltas do fim. O Homem de Gelo sofreu com uma falha elétrica que chegou a causar um princípio de incêndio na McLaren.
Ele, que estava em segundo lugar na corrida atrás de Fernando Alonso, deixou o carro e não seguiu até a garagem da equipe: o destino do finlandês foi seu iate, ancorado na marina de Monte Carlo.
Raikkonen relaxa no barco após abandonar GP de Mônaco de 2006
Reprodução/FOM
4 – Senna abandona em duelo com Prost e vai para casa
O acirrado duelo entre Ayrton Senna e o colega da McLaren, Alain Prost, não terminou bem para o brasileiro no GP de Mônaco de 1988. O tricampeão liderava a corrida mas, depois do chefe Ron Dennis pedir, pelo rádio, para seus pilotos tirarem o pé, ele bateu na curva Portier a 11 voltas da bandeirada.
Profundamente frustrado com o abandono, Ayrton não foi pra a garagem da equipe – ele seguiu direto para o seu apartamento na cidade. Antes da colisão, a vantagem do brasileiro na liderança chegou a 50s.
Senna tinha 55 segundos de vantagem quando abandonou GP de Mônaco de 1988
Getty Images
5 – Schumacher estaciona de propósito para atrapalhar Alonso
Mônaco foi um dos capítulos da intensa rivalidade entre Michael Schumacher e Fernando Alonso. O heptacampeão acabou punido após a classificação da etapa: isso porque ele acionou uma bandeira amarela e impediu a última tentativa do rival na conclusão do Q3, durante a classificação de sábado.
O veterano travou os pneus de sua Ferrari na curva Rascasse e estacionou a poucos centímetros do guard rail, o que no entendimento dos comissários, foi intencional. Ele perdeu a pole position após ser constatada uma direção suspeita por parte do alemão em sua câmera de bordo. Depois de 14 anos, seu colega na Ferrari na época, Felipe Massa, confirmou: o ato foi intencional.
Carro de Schumacher “parou” no fim da classificação do GP de Mônaco de 2006, acionando a bandeira amarela
Motorsport Images
6 – Sainz e Pérez interditam túnel
Desta vez, foi sem querer: em 2022, faltando exatos 30 segundos para o fim da classificação, Sergio Pérez e Carlos Sainz bateram na saída Portier e “interditaram” o túnel de Mônaco. O acidente antecipou o fim da sessão e confirmou a pole de Charles Leclerc.
A colisão tirou as chances de Max Verstappen e Lewis Hamilton de melhorarem suas posições no grid – eles largaram em quarto e oitavo, respectivamente, enquanto Sainz partiu do segundo lugar e Pérez, terceiro. O holandês da Red Bull não ficou nada satisfeito com o colega de equipe, e cobrou punições para o que considerou uma tática pra assegurar boas posições de largada.
Acidente entre Sergio Pérez e Carlos Sainz encerrou a classificação do GP de Mônaco mais cedo
F1
7 – A corrida que ninguém queria ganhar
As últimas duas voltas do GP de Mônaco de 1982 foram puro caos: líder, Alain Prost rodou e cedeu a vantagem para Riccardo Patrese, mas seu carro parou e só voltou a andar após ser empurrado pelos fiscais. Aí, a liderança caiu no colo de Didier Pironi. No entanto, uma falha de ignição imobilizou sua Ferrari no túnel.
Sobrou Andrea de Cesaris; mas de igual modo, não demorou para o piloto aparecer estacionado na subida da Beau Rivage com uma pane seca. Derek Daly, que herdaria a posição, sofreu com uma quebra de câmbio. Restou, então, Patrese, que conseguiu se manter na disputa.
Riccardo Patrese e sua Brabham-Ford no GP de Mônaco de 1982
Getty Images
Ele só soube que ganhou a corrida depois de cruzar a linha de chegada; no pódio, encontrou Elio de Angelis – mas o piloto foi erroneamente convocado, pois foi só quinto colocado. Quem de fato concluiu a corrida em segundo foi Pironi, por chegar a abrir a última volta; de igual forma, De Cesaris pôde assegurar seu terceiro lugar.
Patrese conquistou a primeira vitória em Mônaco, em 1982
Getty Images
8 – Pilotos “disputam” corrida à pé
Em 2000, a velocidade dos pilotos foi colocada a prova em Monte Carlo – mas à pé. Isso graças à batida de Jenson Button com Pedro de La Rosa na curva Loews. Com a pista bloqueada, a bandeira vermelha foi acionada e vários carros acabaram sem ter para onde ir.
Por isso, alguns pilotos desceram e foram correndo para o pit lane – incluindo Button, Ricardo Zonta, Nick Heidfeld e Marc Gené. O primeiro a chegar até seu carro reserva foi Pedro Paulo Diniz.
Jacques Villeneuve corre no Circuito de Monte Carlo, no GP de Mônaco da F1 em 2000
LAT Images
Vale lembrar que essa foi a terceira largada da corrida. Na primeira, uma falha na Sauber de Diniz o levou para os boxes e forçou uma segunda tentativa pela direção de prova. Essa tentativa, porém, não se concretizou devido a uma falha no software de controle da pista, utilizado pela direção de prova. No fim, a vitória ficou com David Coulthard.
Batida na largada do GP de Mônaco da F1 em 2000
LAT Images
9 – Pit stops para esquecer
Na corrida vencida por Lewis Hamilton em 2016, a bizarrice ficou por conta da Red Bull, que atrasou Daniel Ricciardo na briga pela vitória com o inglês. O australiano liderava a prova sob a chuva e foi chamado aos boxes, mas ninguém aprontou os pneus a tempo, e por isso, o pit stop durou 14s.
O chefe da época, Christian Horner, explicou que os pneus suprmacios solicitados para a troca estavam no fundo da garagem da equipe – os mecânicos só tinham, por perto, os peus macios. Ricciardo ainda manteve o pódio, mas viu o rival da Mercedes levar a melhor.
Daniel Ricciardo deixa os boxes após pit stop desastroso no GP de Mônaco da F1 em 2016
Steven Tee/LAT Images
Cinco anos depois, foi a vez da Mercedes errar. Valtteri Bottas ocupava o segundo lugar no GP em 2021 quando foi chamado aos boxes; porém, na hora de usar a pistola, a porca do pneu dianteiro direito foi danificada e a peça ficou presa na roda.
O problema na porca dianteira direita no pit stop de Valtteri Bottas no GP de Mônaco
Mark Thompson/Getty Images
O finlandês ficou mais de um minuto parado na garagem, e abandonou a corrida. A equipe alemã só conseguiu retirar a porca do carro após levá-lo de volta para a fábrica, dias depois da prova.
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