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Brasil mostra avanços no ataque, mas defesa segue como principal preocupação de Ancelotti

Brasil mostra avanços no ataque, mas defesa segue como principal preocupação de Ancelotti

Ancelotti diz que já tem time titular para a estreia na Copa do Mundo
Eu tenho a escalação inicial para jogar contra o Marrocos. Tenho uma ideia clara. Eu acho que a dupla Vinicius e Raphinha funcionou muito bem. Porque combinaram bem, tivemos oportunidades. Eu acho que a partida dos dois foi muito boa.
Carlo Ancelotti cravou que já tem um time titular para a estreia do Brasil na Copa do Mundo, no próximo sábado, dia 13 de junho. Ao olhar o desempenho sa sofrida vitória por 2 a 1 contra o Egito, em Cleveland, no último amistoso do Brasil antes do Mundial, restam muitas certezas e algumas dúvidas.
Dúvidas essas que preocupam e podem custar caro num torneio tão disputado. Especialmente na defesa.
Ancelotti treino Seleção
Rafael Ribeiro/CBF
QUAL É O TIME HOJE?
O Brasil está definido para a Copa do Mundo num 4-4-2. Igor Thiago e Vinícius Júnior na frente. A linha de quatro com Raphinha pela esquerda, Casemiro e Bruno Guimarães e Paquetá fechando o lado direito. Na defesa, Wesley (que virou dúvida após lesão muscular), Ibañez (que fez partidaça e não é exagero considerá-lo titular), Marquinhos e Douglas Santos.
Ancelotti tem dúvidas na composição do ataque. Vamos a elas:
Ele pode tirar Igor Thiago, que brigou, mas fez pouco com a bola, e manter uma dupla móvel com Raphinha e Vini Jr no ataque. Luis Henrique foi bem e preenche a ponta.
Ou ele pode voltar com Matheus Cunha junto de Vini Jr e manter Raphinha pela esquerda. Nessa configuração, o Brasil ganha mais toque e poder de criação
E Paquetá? Praticamente cavou a vaga como titular.
Veja os melhores momentos da vitória do Brasil contra Egito
VARIAÇÕES NO ATAQUE: A BOA NOTÍCIA
Quando tem a bola, o Brasil se organiza num desenho próximo de um 3-2-5. Douglas Santos recua para ajudar a saída de bola, Casemiro e Bruno Guimarães formam a base do meio-campo, enquanto Paquetá e Raphinha ocupam espaços mais avançados atrás dos atacantes.
Com essa base mais definida e melhor treinada, o Brasil passa a ter mais jogadores próximos da jogada, mais opções de passe e mais presença perto da área adversária. Vinícius Júnior continua recebendo aberto pela esquerda, onde é mais perigoso, enquanto Bruno Guimarães ganha liberdade para fazer o que faz melhor: aparecer na frente.
Brasil ataca num 3-2-5. Detalhe para Vinícius Júnior bem aberto pelo lado esquerdo
Reprodução
A entrada de Lucas Paquetá deu uma nova dinâmica ao meio de campo. Enquanto contra o Panamá o Brasil acelerava demais as jogadas e recorria frequentemente aos lançamentos, contra o Egito apareceu alguém para organizar a construção. Paquetá se aproxima dos companheiros, oferece linha de passe e ajuda a bola a circular antes de chegar aos atacantes.
É dele a missão de deixar a bola redonda para Vini, Igor e Raphinha. O resultado é um time que controla mais. Raphinha participa mais da criação, Bruno Guimarães encontra espaço para avançar e Vinícius deixa de ser o único responsável por desequilibrar. Uma pena que a equipe tenha acelerado tanto. Faltou paciência para ir tocando e buscando furar a defesa com toque, não com lançamento em profundidade.
Paquetá mudou a forma como o Brasil cria jogadas
Reprodução
Confiamos em Don Carletto para melhorar esse aspecto.
LINHA ALTA E O PROBLEMA DEFENSIVO
Se com a posse o Brasil mostrou evolução, sem ela mostrou preocupação.
O Brasil de Ancelotti chegou ao sétimo jogo consecutivo sofrendo gols. Panamá, Egito e outros adversários conseguiram encontrar espaços em alguns momentos, principalmente quando a primeira pressão era superada e a linha de defesa ficava exposta.
Não é alarmismo, é aviso: o problema defensivo do Brasil é gravíssimo. Lembram da vergonhosa derrota pro Japão? Pois o Japão provavelmente estará no caminho das oitavas e pode fazer a mesma coisa. Ancelotti precisa corrigir, pra ontem, pra já!
Vamos entender no detalhe. Ancelotti quer um Brasil que jogue com as linhas altas. Sem a bola, pressão sufocante (o que faz sentido num time jovem). O ataque e o meio sufocam o adversário com a bola. E a linha de defesa? Ela sobe. E vai subindo…
Vamos desenhar: todo mundo em branco marca a saída do Egito, que acontece na esquerda. Veja que a defesa, marcada em amarela, sobe para acompanhar essa pressão. Tudo certinho aqui, certo?
Brasil pressiona alto e a linha de defesa joga bem alta
Reprodução
Toda escolha tem uma consequência.
A imagem abaixo mostra o momento em que a pressão brasileira falha. Vários jogadores avançam para tentar recuperar a posse. Não conseguem. E, de repente, surge um espaço enorme para o Egito atacar. No tatiquês, essa situação é chamada de “3 vs 3”: três do Brasil contra três do Egito.
Pensa aqui: o que se mede quando o adversário está sozinho contra o outro? Apenas o indivíduo. Não há ninguém pra cobrir. Os zagueiros precisam ser mais rápidos que os pontas, precisam cobrir, evitar dribles…e se a bola sai na cara do gol. Só sobra Alisson.
Defesa do Brasil ficou exposta quando a pressão não sofria
Reprodução
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O Brasil pressiona mal. Sobe com afobação e deixa o adversário sair jogando no contra-ataque. Quando a primeira pressão é superada, quem protege a defesa?
Na imagem abaixo, Marquinhos aparece praticamente sozinho para controlar o atacante egípcio. O meio-campo ficou na saudade. A cobertura não chegou. E os zagueiros precisaram resolver a situação por conta própria. São detalhes de posicionamento, cobertura e encaixe entre os setores que ainda precisam de ajustes para que a equipe consiga pressionar sem se expor tanto.
Meio e defesa do Brasil parecem times separados sem a posse de bola
Reprodução
O problema não está necessariamente na pressão alta, mas na coordenação do time quando ela não dá resultado.
É o principal risco de uma equipe que joga tão adiantada. Quando a pressão funciona, o Brasil recupera a bola perto do gol adversário. Quando não funciona, sobra muito campo para defender. Contra o Egito, isso gerou alguns momentos de desconforto. Contra adversários de maior nível, tende a ser um teste ainda mais exigente.
CONCLUSÃO: AGORA É COPA DO MUNDO!
Não há mais tempo para testes. Daqui uma semana, é Copa do Mundo. Com todo o respeito, a análise hoje é que o trabalho defensivo Carlo Ancelotti na seleção brasileira é ruim. São sete jogos consecutivos sofrendo gols, momentos de pane e pressão contra adversários do nível do Panamá e poucas exibições realmente seguras.
Não é exagero. Não estamos mais falando de um “treinador brasileiro ultrapassado”. Quem treina esse time é uma lenda do futebol mundial, o único a ter cinco títulos de Liga dos Campeões. Era esperado muito mais.
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A boa notícia para Ancelotti é que os problemas observados parecem muito mais ligados a posicionamento e coordenação coletiva.
E, olhando para a trajetória de Ancelotti, talvez isso não seja exatamente uma surpresa. Seus melhores times raramente encantaram pela estética ou pelo domínio absoluto dos jogos. O que sempre os distinguiu foi a capacidade de competir até o último minuto, resistir nos momentos difíceis e encontrar uma forma de vencer. Que o mesmo aconteça na Copa do Mundo.
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