Copa: presidente da Fifa lamenta corte de árbitro somali barrado nos EUA: ‘Não controlamos tudo’
Presidente da Fifa, Gianni Infantino, em coletiva no México na véspera da Copa do Mundo de futebol em 10 de junho de 2026.
REUTERS/Henry Romero
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse nesta quarta-feira (10) que é “lamentável” a baixa do árbitro somali Omar Artan na Copa do Mundo de futebol, que vai começar na quinta. Infantino disse que a federação não pode interferir em decisões migratórias de países-sede do torneio.
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“É lamentável o que aconteceu com Omar (Artan), o árbitro da Somália. Mas, novamente, não controlamos tudo. (…) Estamos trabalhando nos bastidores, tentando entender a situação, mas há coisas que podemos saber, outras que não podemos saber, coisas que nos dizem e coisas que não nos dizem”, disse Infantino em uma coletiva de imprensa no estádio Azteca, na Cidade do México, um dia antes do início do torneio.
Artan foi cortado da Copa pela própria Fifa nesta semana, após ele ter sido barrado de entrar nos EUA para apitar jogos da competição (leia mais abaixo). Seu corte foi polêmico e ganhou repercussão mundial. O árbitro foi recebido como um herói ao chegar na Somália nesta quarta.
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) disse em nota no início da semana que não interfere nas decisões finais tomadas pelas autoridades migratórias do país-sede. Infantino reforçou essa versão na coletiva quando perguntado se ele sentia que perdeu o controle da Copa:
“Estamos sempre tentando encontrar soluções, mas precisamos reconhecer que não somos os donos do mundo, que podem mandar em governos e forças policiais — somos uma organização esportiva”, disse o presidente da Fifa.
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Ao mesmo tempo, Infantino se vangloriou da articulação feita nos bastidores para possibilitar que a seleção iraniana jogue a competição no território norte-americano. Afinal, os EUA e o Irã estão em guerra desde o final de fevereiro.
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Retirado do quadro da Fifa
O árbitro somali Omar Artan foi retirado do quadro de árbitros da Copa do Mundo de futebol após ele ter sido impedido de entrar nos Estados Unidos, informou a Federação Internacional de Futebol (Fifa) nesta segunda-feira (8).
“A Fifa pode confirmar que o oficial de arbitragem Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar nem atuar na Copa do Mundo 2026 após ter sua entrada nos Estados Unidos negada. A Fifa não se envolve nos processos de imigração dos países sedes, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada neste momento”, afirmou a federação.
Árbitro somali Omar Abdulkadir Artan em foto de janeiro de 2024.
Kenzo Tribouillard/AFP
No quadro da Fifa desde 2018, Artan atua na liga da Somália e foi eleito Árbitro do Ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025.
Artan “é um dos árbitros mais respeitados da África e (…) negar sua entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de trabalhar (…) prejudica não apenas a ele pessoalmente, mas também mina o compromisso do futebol com a equidade, o mérito e o espírito de fair play”, lamentou Abshir. “A comunidade do futebol deve apoiá-lo neste momento difícil”, acrescentou o assessor, que é ex-capitão da seleção da Somália.
Omar Artan seria o primeiro árbitro somali a apitar jogos de Copa do Mundo. Aos 34 anos, ele estava entre os 52 árbitros selecionados para trabalhar na edição deste ano do torneio, organizada em conjunto por Canadá, México e Estados Unidos.
O governo Trump não havia se manifestado publicamente sobre o caso até a última atualização desta reportagem.
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