Conheça os irmãos que têm nomes brasileiros e comandam a seleção de Curaçao na Copa
Estreante na Copa, Curaçao tem apenas um jogador nascido no país
No coração da seleção mais carismática da Copa, bate um pouquinho de Brasil. Juninho e Leandro Bacuna são irmãos e destaques no meio de campo de Curação.
Nascidos na Holanda, eles escolheram defender o país caribenho, o menor da história a disputar uma Copa do Mundo, por causa dos pais. Os mesmos que decidiram dar a eles nomes típicos brasileiros.
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Leandro Bacuna e Juninho Bacuna durante treino de Curaçao
WM Sport Media/Getty Images
O patriarca John Bacuna nasceu em Curaçao e chegou a jogar pela antiga seleção das Antilhas Holandesas, antes de migrar com a esposa, Lucille, para a cidade de Groningen, na Holanda, onde os filhos nasceram.
– Eu cresci na Holanda. Nasci na Holanda. Mas meu pai, a primeira coisa que ele me disse foi: “Você não é da Holanda. Você é puramente Curaçao” – contou Leandro Bacuna, o filho mais velho, de 34 anos, em entrevista à Sky Sports.
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Leandro Bacuna é o artilheiro da seleção de Curaçao
WM Sport Media/Getty Images
No Caribe, os Bacuna moravam em Boca Sami, vila de Curaçao onde o futebol brasileiro era uma grande atração. Se Leandro é um nome comum no Brasil no início dos anos 1990, o nome do irmão caçula é ainda mais direto: Juninho Gracielo Bacuna (sim, Juninho mesmo, como primeiro nome).
– Minha mãe e meu pai são ambos de Curaçao. Leandro e eu nascemos na Holanda, mas crescemos como curaçauenses. Nós sempre falávamos a língua (papiamento) em casa e viajávamos para a ilha sempre que podíamos – disse Juninho, hoje com 28 anos.
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Para citar dois exemplos, em 1997, ano de nascimento do Bacuna mais novo, Juninho Paulista já atuava pela seleção brasileira e se destacava no futebol inglês pelo Middlesbrough. Enquanto Juninho Pernambucano era campeão nacional pelo Vasco da Gama e também chamava a atenção de torcedores ao redor do mundo.
No entanto, apesar de alguns fãs fazerem a relação direta com Juninho Pernambucano, o pai ou os irmãos Bacuna ainda não revelaram ser uma homenagem direta ao jogador brasileiro.
Leandro & Juninho
O irmão mais velho, Leandro, é o capitão e símbolo da experiência do elenco, acumulando passagens por clubes da Premier League e da Championship, como Aston Villa e Cardiff City.
Conhecido por sua polivalência, ele atua como o motor do meio-campo de Curaçao. O ápice na Europa, porém, ocorreu pelo Reading, em 2018: após a expulsão do goleiro titular e sem substituições restantes, Leandro calçou as luvas, assumiu a meta nos minutos finais e segurou o resultado positivo para a equipe.
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Na seleção, a parceria com o irmão mais novo no meio de campo é uma das armas do time. Juninho atua na criação, enquanto Leandro assume o papel de volante de contenção, dando a sustentação necessária para o caçula brilhar.
Camisa 7 de Curaçao na Copa, após uma passagem pelo futebol inglês (onde defendeu Huddersfield Town e Birmingham City), Juninho Bacuna disputou a última temporada na primeira divisão da Holanda, defendendo o FC Volendam.
– É uma loucura. Desde que nos qualificamos para a Copa do Mundo, você vê algumas pessoas pensando tipo: “Quem é Curaçao?”. E então elas vão pesquisar e ver tipo: “Ah, ok. Curaçao é um lugar bem legal” – disse Juninho.
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Como capitão e um dos atletas mais experientes do grupo, o camisa 10 Leandro assumiu também a responsabilidade de unificar o elenco através da convivência e do orgulho compartilhado. Os irmãos Bacuna estão concentrados nos Estados Unidos para a estreia do Grupo E contra a Alemanha, em Houston, no próximo domingo. Costa do Marfim e Equador completam o grupo.
– Eu vim para a seleção primeiro. Ele ainda estava esperando, jogando no sub-21 da Holanda. Mas aí fomos jogar a Copa Ouro nos Estados Unidos, liguei para ele e disse: “Preciso de ajuda”. E Juninho respondeu: “Ok, na próxima vez, quando eu puder, eu vou e me junto a você” – contou Leandro.
– Para mim, é algo muito especial jogar com o seu irmão. Você não tem muitas oportunidades de fazer isso, ainda mais representando o seu próprio país – completou.
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A estreia em Copas é resultado de um processo iniciado há mais de uma década, quando a federação passou a investir no fortalecimento da seleção e na aproximação de atletas com raízes curaçauenses que atuavam principalmente na Holanda. O país tem cerca de 160 mil habitantes e apenas 444 quilômetros quadrados de território.
Apesar de ser autônoma desde 2010, a pequena ilha ainda pertence ao reino dos Países Baixos, e 25 dos 26 jogadores da seleção nasceram em território holandês. Apenas um, Tahith Chong, nasceu na ilha, mas foi para a Europa ainda novo.
– Nós acreditamos que poderíamos chegar à Copa do Mundo e não chegamos aqui por sorte. Não estamos na Copa do Mundo para perder, vamos mostrar e fazer o melhor que pudermos. Não temos medo de ninguém – concluiu Leandro.
É a onda azul de Curaçao, repleta de carisma e com um toque de brasilidade nesta Copa.
Leandro Bacuna e Juninho Bacuna
Reprodução geRead More


