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De 1958 ao sonho do hexa, quarteirão vira linha do tempo dos títulos da Seleção: “Criar memórias”

De 1958 ao sonho do hexa, quarteirão vira linha do tempo dos títulos da Seleção: “Criar memórias”

Quem passa pelo centro de Irapuã, no interior de SP, encontra na rua João Lopes de Oliveira uma verdadeira viagem pelos cinco títulos da seleção brasileira na Copa do Mundo. Nas cores da bandeira, os moradores pintaram a história e mensagens de esperança pelo tão aguardado hexacampeonato.
Entre bandeiras, estrelas, taças, desenhos de Pelé, Neymar e do Canarinho, a pintura conta a trajetória da Seleção desde a conquista de 1958, na Suécia, até a expectativa para a Copa do Mundo de 2026. Assista ao vídeo acima.
A iniciativa nasceu de forma despretensiosa durante os preparativos para Corpus Christi, mas rapidamente se transformou em um dos maiores projetos comunitários recentes da cidade, que reuniu cerca de 50 voluntários.
O responsável por dar o pontapé inicial foi o instrutor de musculação Éder Ferraz Cavalcante, o Edinho, de 35 anos. Enquanto ajudava na organização dos tradicionais tapetes, ele percebeu que alguns espaços da rua tinham ficado vazios.
A primeira sugestão foi simples: pintar uma bandeira do Brasil e fazer um desenho de Neymar para divertir as crianças e adolescentes que participavam da montagem. A adesão imediata dos jovens mudou completamente os planos.
– Perguntei se topariam pintar a rua inteira durante o fim de semana. Eles abraçaram a ideia na hora. Aquilo me fez lembrar de uma tradição antiga de Irapuã que acabou se perdendo com o tempo. Pensei que seria uma oportunidade de resgatar isso.
Rua vira linha do tempo dos títulos da seleção brasileira em Irapuã (SP)
Éder Ferraz Cavalcante/Arquivo pessoal
🎨 Corrida contra o tempo
No dia seguinte, Edinho apresentou o projeto à empresária Lívia Oliveira Silva, de 20 anos, dona de uma hamburgueria na pequena cidade da região de Araçatuba, a mais de 400 quilômetros da capital. Os dois começaram uma verdadeira força-tarefa para arrecadar materiais, conseguir apoio e mobilizar voluntários.
Durante dois dias, Lívia e Edinho se dedicaram à organização e compra de pincéis e tintas. Em um domingo, às 5h, os pincéis começaram a colorir o asfalto. O trabalho só terminou depois de 14 horas de trabalho, por volta das 19h.
– O maior desafio foi o tempo. Era um projeto muito grande e precisávamos concluir tudo em apenas um dia. Mas a cada pessoa que chegava para ajudar a gente encontrava forças para continuar.
Voluntários participam de pintura de quarteirão para a Copa do Mundo em Irapuã (SP)
Éder Ferraz Cavalcante/Arquivo pessoal
🏆 Uma rua inteira contando a história da Seleção
A pintura foi organizada como uma linha do tempo. Ao longo dos quarteirões, os moradores representaram os anos dos cinco títulos mundiais conquistados pelo Brasil – 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 – acompanhados das respectivas estrelas.
Entre uma conquista e outra, setas nas cores da bandeira simbolizam o caminho rumo ao sexto título. A arte também traz elementos marcantes da cultura futebolística brasileira, como a taça da Copa do Mundo, o escudo da CBF, bolas de futebol, o mascote Canarinho e homenagens a craques que marcaram gerações.
– O que mais me motivou foi a possibilidade de envolver toda a comunidade. Foi emocionante ver famílias inteiras participando e observando os desenhos ganhando forma. Mais do que uma pintura, o objetivo era criar memórias e experiências que pudessem ser lembradas por muitos anos.
⚽ Futebol, memória e expectativa pelo hexa
Para Lívia, que participou pela primeira vez de um projeto de pintura na rua, a experiência teve um significado especial. Ela conta que não viveu os títulos mundiais da Seleção, mas cresceu ouvindo as histórias do avô sobre as conquistas brasileiras.
– Eu não era nascida quando o Brasil foi campeão, mas sempre ouvi meu avô contar essas histórias com muita emoção. Isso me marcou bastante. Participar desse projeto foi uma forma de me conectar com essa tradição – finalizou a empresária. geRead More