Calma. Estreia costuma ser ruim, e será difícil piorar
Eu vi um Brasil com Rivellino e Jairzinho estrear com um 0 a 0 em 1974 contra a Iugoslávia. Na copa seguinte, com Zico e Reinaldo, 1 a 1 com a Suécia. Em 2018, 1 a 1 com a Suíça. Lembro que em 2010 a futura campeã Espanha perdeu da Suíça (1 a 0), e no último Mundial a campeã Argentina foi derrotada na estreia pela… Arábia Saudita (2 a 1). Mesmo em tempos não tão distantes, quando o Brasil ganhou a primeira partida, fê-lo sabe Deus como (no mítico 1982, 2 a 1 na URSS, em 1986, 1 a 0 na Espanha, 1998, 2 a 1 na Escócia, e por aí vai). Não é fácil estrear para quem tem a “obrigação” de ganhar. Gostaria ainda de lembrar que Marrocos é o atual quarto colocado (na última Copa) e seu treinador, Mohamed Ouahbi, é o atual campeão mundial sub-20. Então, calma no Brasil! Isto posto…
Brasil 1 x 1 Marrocos | Gols | 1ª rodada | Copa do Mundo FIFA 2026
O time do Brasil evidentemente precisa melhorar. Mas a análise deve ser feita a partir do belo gol de Vinicius Júnior. Os primeiros 30 minutos foram um filme de terror. Por um motivo simples: o time jogou com seis jogadores a menos. Simplesmente tremeram com a estreia. Ibañez sentiu e é normal, assim como Igor Thiago. O que não é normal foi o que (não) fizeram Casemiro, Bruno Guimarães, Raphinha e, principalmente, Lucas Paquetá. Todos estes com experiência em Copa do Mundo e em jogos gigantes. Se o Brasil jogasse os 90 minutos como nos primeiros 30 e o adversário fosse Espanha, França, Inglaterra ou Alemanha, teríamos outro 7 a 1, sem dúvida. Felizmente Marrocos só fez um gol e Vini justificou num lance sua condição de outrora melhor jogador do mundo.
Pensando nos 70 minutos, o segundo tempo foi melhor. Mas foi um “melhor” de acordo com o pouco tempo do ciclo Ancelotti, de acordo com os desfalques de quatro titulares (Rodrygo, Estevão, Militão e Wesley) – três que resolveriam o problema do nosso lado direito. Então, é preciso mudanças. Até porque agora é preciso fazer saldo contra o Haiti porque terminar em primeiro lugar é fundamental para só pegar Espanha e França na final. “Ah, mas vai mexer ainda mais num time que não está entrosado?”, dirão as vozes impacientes. Lembro que em 1994, o titular indiscutível Raí jogou a estreia e depois não mais saiu da reserva de Mazinho. E em 2002 Juninho Paulista era titular até o jogo duríssimo contra a Bélgica quando Kleberson entrou e encaixou de vez a família Scolari. Terminamos campeões nessas duas Copas.
Danilo (Botafogo), Luiz Henrique, Endrick e Rayan precisam ser olhados com mais carinho pelo mestre Ancelotti. Saldo de gols ou sonhos de show da torcida à parte, o italiano tem duas semanas para ajustar o time, e Haiti e Escócia serão o campo de provas. Então, insisto, calma no Brasil! A Copa do Mundo de verdade começa no mata-mata. geRead More


