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A Seleção foi pouco mais que nada na estreia da Copa

A Seleção foi pouco mais que nada na estreia da Copa

Brasil 1 x 1 Marrocos | Melhores momentos | 1ª rodada | Copa do Mundo FIFA 2026
A estreia da Seleção conseguiu frustrar mesmo quem já não tinha expectativas muito elevadas. Os primeiros vinte minutos, então, mostraram uma equipe desnorteada em campo, vítima fácil diante de um Marrocos que saiu na frente muito cedo e perdeu a chance de matar o jogo. Nesse momento, o bom time marroquino parecia a Holanda de 74.
A responsabilidade, obviamente, não é apenas de Carlo Ancelotti. A apresentação precária é o legado nefasto de um período pré-Copa bastante caótico, que refletia o próprio ambiente da CBF. Também não se pode menosprezar a contribuição dos próprios jogadores, pois existe, sim, um déficit geracional. As opções para as laterais e para o meio-campo deixam isso bem claro.
Saibari gol Marrocos Brasil Seleção Copa do Mundo
Caean Couto/Reuters
Mas a responsabilidade é, também, do técnico. Sempre é preciso ponderar que o primeiro jogo na Copa era apenas o décimo terceiro de Ancelotti no comando da Seleção, mas nem o pouco tempo de trabalho justifica alguns problemas explícitos, como o gritante espaçamento do time — o Marrocos encontrou um latifúndio para deitar e rolar na tarde de Nova Jérsei.
Um problema recorrente vinha sendo a dificuldade do Brasil em ditar o ritmo do jogo e fazer a bola circular com alguma cadência. A entrada de Paquetá, que errou passes em profusão, não ajudou nesse sentido. Tampouco o time conseguiu impor a velocidade habitual. O resultado dessa operação básica apontou para um conjunto vazio. O Brasil foi pouco mais que nada.
Atuações Seleção Sportv – Quem foi bom e quem mandou mal na estreia
A falência estrutural atingiu todos os setores e teve como consequência atuações individuais extremamente pobres de quase todo o time — Casemiro, Paquetá e Raphinha não foram sombra dos jogadores que costumam ser. A melhor notícia chegou pelos pés de Vinicius Jr., autor do golaço de empate e único à altura do que o jogo pedia. O segundo (e último) motivo de comemoração foi o empate, um bálsamo devido às circunstâncias.
Após um ciclo turbulento, é compreensível que Ancelotti tenha escolhido uma formação cautelosa. Mas o técnico resolveu surpreender, dentro de sua própria prudência: pouca gente esperava Ibañez e Douglas Santos nas laterais e Igor Thiago como atacante centralizado. As mudanças no segundo tempo podem oferecer algumas pistas para a necessária revisão de rumos, com Luiz Henrique na direita, Raphinha centralizado e Matheus Cunha no ataque. A recusa em utilizar Endirck, no entanto, já assume ares de teimosia.
Vini Jr Vinicius Junior gol Brasil Seleção Copa do Mundo Marrocos
Vincent Carchietta/Reuters
A favor de Ancelotti, é preciso lembrar que os jogos eliminatórios vão começar apenas no final do mês. Qualquer que seja a escalação para enfrentar Haiti e Escócia, deve ser suficiente para obter a classificação. Assim, seriam mais de duas semanas para ajustar o time e pelo menos causar impressões melhores do que essa da estreia, capaz de castigar as retinas.
Vale lembrar que nem sempre o time que começa a Copa é o mesmo que termina. A Seleção vai precisar encontrar sua melhor versão durante o torneio. Até porque, se for o mesmo time que começou, a Copa vai acabar muito cedo. geRead More