Como saída do futebol brasileiro impulsionou Enner Valencia, capitão da seleção do Equador
Hincapié e Pacho são recepcionados com trote na seleção do Equador após final da Champions
O Equador que estreia neste domingo na Copa do Mundo tem, mais uma vez, Enner Valencia como uma das principais figuras. Capitão e maior artilheiro da história da seleção, o centroavante de 36 anos superou a má fase vivida no futebol brasileiro para chegar em boa forma para seu provável último Mundial.
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Desde setembro passado, Valencia atua no Pachuca, do México, após quase dois anos no Internacional, período marcado por altos e baixos. Em grande parte da trajetória em Porto Alegre, o jogador viveu como alvo da torcida, frequentemente criticado pelo comportamento em campo.
Nove meses depois, o astro equatoriano chega à Copa do Mundo com relativos bons números no clube mexicano, mas especialmente com a confiança retomada para liderar La Tri. No Mundial do Catar, em 2022, Valencia foi o craque da partida de abertura, com os dois gols da vitória do Equador sobre os anfitriões.
Enner Valencia, do Equador, faz dois gols na estreia do Cartola Express da Copa
Saída em baixa do Brasil
Enner Valencia chegou ao Inter em meados de 2023 e rapidamente caiu nas graças da torcida. O desempenho na Libertadores, com gols sobre River Plate e Bolívar, nas oitavas e quartas de final, respectivamente, pareciam conduzir o centroavante rumo à idolatria.
Porém, a situação se inverteu a partir das semifinais daquele torneio, na derrota de virada para o Fluminense, em pleno Beira-Rio. Valencia foi tido como vilão por gols perdidos. A relação com os colorados nunca mais seria a mesma desde então.
À exceção de alguns momentos, como o golaço de falta na final do Gauchão de 2025, contra o rival Grêmio, o jogador virou alvo constante de críticas. Foi vaiado diversas vezes e quase agredido dentro de campo por um torcedor em uma partida. O casamento chegou ao fim com a rescisão de contrato, quase um ano antes do previsto.
Valencia encerra ciclo no Inter depois de dois anos
Um lugar conhecido
Livre no mercado, Valencia escolheu um clube já marcado na sua trajetória. Em 2014, o centroavante teve breve passagem pelo Pachuca, mas marcante: 18 gols em 25 jogos e uma consequente transferência para a Premier League, contratado pelo West Ham.
No começo da segunda passagem, o equatoriano somou quatro gols e uma assistência em 10 partidas no Apertura mexicano. Depois, ficou fora do início do Clausura por problemas físicos. Quando voltou, demorou a engrenar como titular, visto que tinha forte concorrência no ataque.
– Se Valencia não tem os números hoje em dia como teve em sua primeira passagem, foram gols importantes, significativos para que o Pachuca avançasse na liga e lutasse pelo título. Valencia voltou na mesma situação que viveu Salomão Rondon, que também é um referente para a seleção de Venezuela. Isso complicou um pouco o cenário para ambos os jogadores, tendo a mesma posição – conta Héctor Santoy, do jornal El Sol de Hidalgo, de Pachuca.
Enner Valencia comemora gol pelo Pachuca
Tuzos, divulgação
Valencia foi importante na classificação do time às semifinais do torneio local, com dois gols no mata-mata contra o Toluca. Posteriormente, a equipe foi eliminada pelo Pumas. O jogador repetiu os quatro gols, agora em 12 aparições, mas com menos minutos.
Ou seja, Valencia totalizou oito bolas na rede em 22 jogos. Uma média de 0,36 gol por jogo, pouco acima da média final em toda passagem pelo Inter – 31 gols em 101 partidas (0,3), e seis assistências.
Esperança de um país
No Equador, Valencia sempre teve o apoio e confiança dos compatriotas, mesmo nos maus momentos. A saída do futebol brasileiro e a consequente volta ao Pachuca pareceu, de fato, um movimento acertado pelo jogador. Bem visto também no país vizinho.
– A saída de Enner Valencia do Inter não foi vista como um retrocesso, mas uma decisão lógica para a reta final de carreira. Seu ciclo no Brasil já parecia desgastado e, pensando no Mundial, o mais importante era recuperar minutos, confiança e protagonismo – destaca Victor Loor, do Studio Fútbol, do Equador.
– Foi boa a saída do Inter? Do ponto de vista equatoriano, sim. Não porque Brasil tenha sido uma experiência ruim, mas porque nesse momento precisava jogar mais e chegar com ritmo ao seu provável último Mundial. No Pachuca, voltou a ter continuidade e isso pode ser crucial para chegar competitivo – acrescenta.
Recorde à vista
Na disputa da terceira Copa, Valencia tem a chance de se tornar recordista no Equador. Com seis jogos disputados em Mundiais, tem apenas dois a menos que Édison Méndez, líder no quesito. Ou seja, se entrar em campo em toda fase de grupos, já será suficiente para se isolar com mais participações por La Tri.
Enner Valencia em amistoso entre Equador e Holanda, em março de 2026
Marcel ter Bals/DeFodi Images via Getty Images
Maior artilheiro da história da seleção com 49 gols, o centroavante tem outro desafio pela frente: passar pela fase de grupos. Nas duas participações, Valencia e o Equador não avançaram aos mata-matas. A única vez ocorreu em 2006, eliminado nas oitavas de final pela Inglaterra.
– Enner demonstrou durante anos que os cenários mais importantes tiram sua melhor versão. Equador deposita boa parte de seus sonhos no homem com mais gols celebrados com a camiseta tricolor. O capitão. O líder. O goleador histórico – diz um trecho de reportagem do jornal Metro, na última quinta-feira, dia da estreia da Copa do Mundo.
A estreia do Equador diante da Costa do Marfim neste domingo ocorre às 20h (de Brasília), na Filadélfia. As equipes compõem o Grupo E ao lado de Alemanha e Curaçao, que se enfrentam mais cedo, às 14h, em Houston. geRead More


