Análise: abraço ao resultadismo já não sustenta mais um Sport que joga no limite com Márcio Goiano
São Bernardo 0 x 0 Sport | Melhores momentos | 13ª rodada | Campeonato Brasileiro Série B
O futebol vive de resultados. E a trajetória de Márcio Goiano no Sport se sustenta a partir dessa máxima. Quando ainda era interino da equipe rubro-negra, foi promovido a efetivo justamente por causa dos números apresentados à beira do campo.
Mas hoje, superados exatos dois meses de trabalho à frente do time, o discurso de abraço inegociável ao resultado, ou seja, o puro “resultadismo”, precisa sair de cena. Pois é reducionista.
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Os empates do Sport diante do Athletic, na quarta-feira, e contra o São Bernardo, no domingo, mesmo tendo um jogador a mais por 45 minutos, expuseram problemas que já eram vistos no início da caminhada de Márcio Goiano na Ilha do Retiro. Mas atenuados pelas vitórias.
Márcio Goiano, técnico do Sport, em clássico contra o Náutico.
Marlon Costa/AGIF
Além do apego na escalação a nomes questionados, como Zé Marcos e Yago Felipe, a falta de desenvolvimento coletivo, somada à dependência individual de nomes como Barletta e Perotti, tem colocado à prova o prestígio (conquistado por méritos, diga-se) do treinador.
O Sport de Márcio Goiano é dependente de seus destaques, casos notórios de Barletta e Perotti, e por bola jogada hoje também não se mostra capaz de jogar mais enquanto conjunto; ou produzir um outro protagonista que viesse a ser alternativa caso a dupla vá mal nos jogos.
+Atuações: Márcio Goiano é o pior do Sport no empate com o São Bernardo; dê notas
Quando os atacantes não estão bem, o Rubro-negro vira refém de si mesmo. Dessa forma, a ausência de padrão de jogo, o pobre repertório ofensivo, sem conseguir criar jogadas trabalhadas, são expostos.
O raio-x
Para se ter ideia, dos 13 jogos comandados por Márcio Goiano desde a sua efetivação, o clube venceu cinco e só perdeu um, contra o CRB, em casa – na condição de Barletta e ou Perotti marcando.
Sem um ou outro balançando as redes, o desempenho geral é de dois empates (contra Athletic e São Bernardo), duas derrotas (ambas para o Fortaleza, pelo Nordestão), e duas vitórias.
Diante do Juventude, pela Série B, Iury Castilho – que recebeu passe de Barletta – anotou o gol que rendeu os três pontos para a equipe pernambucana, e contra o ASA, após golaço de falta de Felipinho.
Elenco do Sport minutos antes do início do jogo com o São Bernardo
André Pera/Sport Recife
Em suma, trazendo para os números. Com Barletta e/ou Perotti fazendo gols, o Sport ostenta aproveitamento de 83% dos pontos; sem eles, o rendimento despenca para 44%.
Frente ao São Bernardo, o time rubro-negro finalizou 18 vezes em direção à meta do goleiro Alex Alves; a maioria para fora. Também teve ao seu favor 11 escanteios. Saiu zerado do placar. Para Márcio Goiano, valeu o resultado por causa do ponto somado longe do Recife.
O Sport, afinal, ainda não foi superado na condição de visitante na Série B. O técnico também realçou a postura do elenco, que “não se omitiu” estando com um jogador a mais. Prêmio ou consolação?
Só o tempo dirá. Até lá, a equipe já deixou para trás duas chances de estar no topo da tabela.
Os resultados e os seus recados.
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