Sem Escócia, sem festa: como uma torcida que tem apelido de exército tomou Boston na Copa do Mundo
Festa de torcedores da Escócia impressiona em Boston
Sem Escócia, sem festa. Sem Escócia, sem festa. Sem Escócia, sem festa. É impossível encontrar um grupo de torcedores escoceses na cidade de Boston sem ouvir ao menos algumas vezes esses versos. Assim, de forma repetitiva, com sotaque britânico carregado. Trata-se de apenas uma das maneiras como os fãs da Escócia se reconhecem em meio a uma celebração que vem deixando a cidade de Boston, nos Estados Unidos, marcada neste começo de Copa do Mundo.
Além dos cantos, claro, há formas visuais de reconhecimento, como as camisas da seleção nacional, que quase todos utilizam. Outros gostam de ir além na demonstração da identidade escocesa: alguns desfilam com chapéus tradicionais e muitos andam pelas ruas usando kilt, a tradicional “saia” de lã xadrez, com orgulho.
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Exército Tartã: torcedores da Escócia agitam Boston há uma semana
Getty Images
É da saia, aliás, a origem do apelido de uma torcida que faz tanto barulho que é chamada de exército. Os torcedores escoceses têm tradicionalmente a denominação de “Tartan Army” (Exército Tartã). Tartã é o nome dado ao padrão de estampa dos kilts, que na história da Escócia, se tornaram uma maneira de identificar povos e regiões, a depender dos tamanhos e cores. Hoje, os tartãs unem um país que vive emoções quase inéditas em Copas do Mundo.
A Escócia enfrenta o Marrocos nesta sexta-feira, às 19h (de Brasília), em Boston. Na próxima rodada, será rival do Brasil.
Festa regada a cerveja
Esse exército tomou as ruas de Boston, uma cidade de quase 700 mil habitantes que está se impressionando com a festa escocesa. Segundo autoridades de turismo, cerca de 50 mil torcedores da Escócia estão na região.
Kilts e camisas da seleção escocesa compõem identidade visual do Tartan Army
Jorge Natan
O confronto desta sexta-feira será o segundo seguido que a Escócia disputará no Estádio de Boston, casa do New England Patriots, tradicional equipe de futebol americano. Boston também é casa dos Celtics, na NBA, e dos Red Sox, na liga nacional de beisebol. Ou seja: é uma cidade que respira esportes e abriga equipes vitoriosas e tradicionais. Mas que ainda assim se impressiona com o Tartan Army.
– Os escoceses estão trazendo energia à cidade, que mudou muito depois da pandemia. Eles trouxeram vida à Boston, são animados demais! – afirma Ivonete, brasileira que mora em Boston há quase 40 anos e caminhava pelo centro com uma bandeira escocesa desenhada no rosto, na véspera do duelo contra o Marrocos.
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Cerca de 50 mil escoceses estão em Boston, segundo autoridades da cidade
Reuters
Os escoceses se tornaram parte do dia a dia da cidade há mais de uma semana, desde as vésperas da estreia da seleção na Copa do Mundo, diante do Haiti. O confronto da primeira rodada já foi o grande cartão de visitas do Tartan Army. No pré-jogo, mostraram como se preparam para ir ao estádio, com muitos e muitos litros de cerveja. E no pós fizeram a festa com uma alegria que muitas gerações nem conheciam: a Escócia não vencia um jogo de Copa do Mundo desde 1990.
Não à toa, os relatos foram de estoques de cerveja esgotados em muitos bares. E uma extensão do clima festivo por muitos dias, até o duelo contra o Marrocos, o último dos escoceses previsto em Boston.
Boston e Glasgow serão cidades-irmãs
Mas, mesmo que o Tartan Army não retorne a Boston (há uma possibilidade se o time avançar como um dos melhores terceiros colocados), as marcas do exército ficarão para sempre pela cidade. A passagem da seleção e dos torcedores pelo local relembrou uma relação de séculos: Boston foi uma das primeiras cidades fundadas nos Estados Unidos, no século XVII. O estado de Massachusetts faz parte de uma região chamada New England, a Nova Inglaterra, em referência à colonização britânica.
Escócia disputará segundo jogo em Boston nesta sexta-feira
Reuters
A boa impressão que os escoceses vêm deixando pelo local se tornou um assunto governamental. A prefeita de Boston, Michelle Wu, assinou na última quinta-feira uma carta de intenção para que Boston e Glasgow se tornem “cidades-irmãs” a partir do começo do próximo ano. O objetivo é intensificar o intercâmbio cultural e econômico.
– Boston é a melhor cidade da Copa do Mundo neste momento. Isso se deve em grande parte ao Exército Tartan – afirmou a prefeita ao assinar a carta, usando uma camisa da seleção escocesa.
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O governo de Glasgow acolheu a proposta e indicou satisfação com o acolhimento da cidade americana aos torcedores escoceses.
– Acolho com grande satisfação a declaração do Prefeito Wu e a oportunidade de fortalecer os laços já estreitos entre Boston e Glasgow. Dadas as fortes ligações históricas, culturais, educacionais e econômicas entre as nossas duas cidades, acreditamos que existe um enorme potencial para consolidar uma ambição partilhada de construir uma parceria ainda mais forte para o futuro – comentou a prefeita da cidade escocesa, Jacqueline MacLaren.
A festa da torcida escocesa também têm sido um combustível para a Escócia dentro de campo. O time britânico busca sua melhor campanha na história das Copas depois de vencer o Haiti na estreia, por 1 a 0. Não houve uma atuação brilhante do time de Steve Clarke, mas o triunfo teve quase um sabor de título – uma vez que abriu-se o horizonte para uma inédita classificação para a fase de mata-mata da Copa do Mundo.
Bares de Boston aproveitaram empolgação da torcida escocesa
AFP
Além dos dois primeiros colocados de cada grupo, avançam para a próxima fase os oito melhores entre os 12 terceiros colocados. Os três pontos colocam a Escócia, na pior das hipóteses, bem posicionada nesta disputa. Um empate com o Marrocos nesta sexta, por exemplo, praticamente encaminha um lugar na fase de 16 avos e ainda abre a possibilidade de uma disputa por um segundo lugar no grupo C.
A Escócia lidera a chave, a mesma do Brasil, com três pontos, enquanto marroquinos e brasileiros têm um. Na última rodada do grupo, os escoceses deixam Boston e vão a Miami enfrentar a seleção brasileira. Seja qual for o resultado contra o Marrocos e a perspectiva diante do Brasil, a certeza é que onde estiver a Escócia, terá festa. geRead More


