RÁDIO BPA

TV BPA

Mauricio Pocchetino está brilhando

Mauricio Pocchetino está brilhando

Contra o Paraguai, na estreia, os anfitriões da Copa já haviam deixado uma bela impressão, mas o futebol pífio dos sul-americanos deixava uma ponta de dúvida sobre quem havia sido mais responsável pelos 4 a 1. Mas contra a Austrália, um time pouco criativo, mas muito forte fisicamente, marcador, que havia vencido a estreia contra a Turquia, os norte-americanos voltaram a mostrar um jogo sólido. E nesse jogo ficou ainda mais claro como faz diferença o trabalho consistente do treinador argentino Mauricio Pochettino. Além de bom jogo individual, o time dos EUA mostrou recursos e variações táticas eficientes. E isso faz o time acreditar em si, ganhar confiança, e como consequência o fato de que em nenhum dos dois jogos os adversários ameaçaram, ainda que em momentos, a vitória americana.
Alex Freeman comemora seu gol em Estados Unidos x Austrália pela Copa do Mundo 2026
REUTERS/Albert Gea
Alguns exemplos: contra o Paraguai, Pulisic, o mais talentoso do meio-campo, abriu o jogo pela esquerda e com isso gerou espaço nas costas de Cáceres, e deixou Gustavo Gomes sem saber para onde correr. Contra a Austrália, sem Pulisic, o mesmo movimento foi feito por McKeenie (esquerda) e Tillman (direita) – o time forçou mais com o primeiro porque está acostumado a forçar pela esquerda, por onde costuma cair Balogun. Não por coincidência, dois ataques fulminantes por este setor provocaram hesitação na zaga adversária e gols contra de Bobadilla e Burgess.
Outra: no segundo gol: Robinson, pela direita, tocou a Sergiño, livre na entrada da área. Este é o detalhe: livre, porque os três homens de frente fizeram uma “parede”para atrasar a cobertura da zaga australiana. Com isso, o chute saiu forte e colocado, o goleiro deu rebote e o zagueiro Freeman marcou de cabeça. Tudo com a assinatura do treinador.
Pocchetino é o técnico que mais junta qualidade com experiência qualificada dentre os que comandaram a seleção americana nos últimos 36 anos. E isso faz toda a diferença num processo de consolidação do futebol do time desde a Copa do Mundo de 1990. Daquele Mundial até hoje, foram 9 edições, e os americanos estiveram em 8 (a maior sequência de sua história, só não conseguindo vaga em 2018). Mas em termos de resultado, apenas em 2002 o time conseguiu chegar às quartas. E em todas as campanhas se falava nos americanos como “surpresa”.
De 90 a 2006, apenas em casa (1994) os EUA passaram da fase de grupos – com Bora MIlutinovic, treinador midiático, mas que nunca dirigiu um time mais “pesado” do que o México, e deu azar de cruzar em Stanford com Bebeto, Romário e companhia. Bob Gansler e Steve Sampson não tinham estofo, e Bruce Arena (2002 e 2006) foi importante para popularizar, trabalhar o mental dos elencos, mas numa Copa só isso é pouco. Em 2010, 2014 e 2018, os EUA chegaram às oitavas, mas nem Bob Bradley, Jurgen Klinsmann (craque de bola, mas treinador mediano) e Gregg Belhalter acrescentaram qualidade a elencos inexperientes. E toda essa história levou à dependência da qualidade dos jogadores, que tiveram no máximo Landon Donovan e Dempsey (excelentes, mas naturalmente incapazes de conduzir uma seleção até lugares muito altos em Copas).
Mauricio Pocchetino é diferente. Tem currículo. Tem conhecimento. Já mostrou em dois jogos ser capaz de dar qualidade e personalidade a um time que não é da primeira prateleira do futebol mundial e que tem a responsabilidade de jogar diante de seu povo. Até onde vai esse time? Não dá para apostar ainda. Paraguai e Austrália não são os parâmetros mais confiáveis. O time americano ainda não teve testada sua capacidade defensiva, isso só acontecerá talvez nas oitavas (nas 1/16, o adversário não deve ser complicado em tese).
Mas quando olha para o banco e para o que o time fez nas duas primeiras partidas, o torcedor americano pode imaginar próximas semanas muito divertidas… geRead More