Alerta: Alemanha pragmática está ativa
Pouco antes de a bola rolar na Copa de 2026, nove entre dez analistas cravavam: favoritos mesmo, França e Espanha. Depois: Argentina, Inglaterra e alguns otimistas até colocavam o Brasil. E aí talvez o décimo analista lembrasse: “Olha… tem a Alemanha.” Pois é. Depois de duas rodadas, eu me junto a esse analista atento: tem muito a Alemanha. O time do inteligente e jovem técnico Julian Nagelsmann não virou favorito… mas já vi esse filme alemão várias vezes na vida. O time vai se acertando, encorpando, ganhando confiança, e aí a camisa começa a jogar sozinha. É um time capaz de mudar o estilo para fazer sua obrigação: se o rival é semi-amador como Curaçao, 7 a 1; se é uma das melhores seleções da África, Costa do Marfim, resiliência, frieza, qualidade e banco de reservas para virar o jogo em 2 a 1 no último lance. Os adversários que tratem de manter acesa a luzinha de alerta.
Alemanha 2 x 1 Costa do Marfim | Gols | 2ª rodada | Copa do Mundo na ge tv
A Alemanha fez um ciclo de Copa quase completo com Nagelsmann, de 38 anos, respeitando processos, e chegando ao Mundial com um time encorpado, embora ainda tenha ajustes a fazer. E aí cabe contextualizar o tamanho de sua tarefa. A seleção viveu uma era com Joachim Low (vice na Euro 2008, semifinal nas de 2012 e 2016; campeão da Copa das Confederações 2017; 3º na Copa do Mundo em 2010 e campeã mundial em 2014), e qualquer um sofreria para sucedê-lo. Foi o que aconteceu com Hansi Flick, que durou dois anos, eliminado na fase de grupos da Copa 2022. Nagelsmann, que já provara ser capaz de, mesmo jovem, conquistar com grandes estrelas no bicampeonato alemão à frente do Bayern Munique, montou uma bela seleção.
O placar apertado e o enredo do jogo (gol da vitória no finzinho) sugerem uma dificuldade maior do que a Alemanha teve. Já no primeiro tempo, o time imprensou Costa do Marfim por boa parte desse período. Claro que o time marfinense era perigoso nos contra-ataques, especialmente com a joia Diomandé (que levou o modesto Leipzig ao 3º lugar na Bundesliga e, portanto, à próxima Champions League), 19 anos, disputado quase a tapa por Liverpool e outros gigantes europeus. Tão perigoso que fez 1 a 0. Mas em nem um segundo sequer a Alemanha sugeriu estar fora do jogo.
E no segundo tempo, o time teve paciência para manter-se no ataque, sustentar a marcação e usar o banco, em especial, o herói Deniz Undav – que não tem história na seleção, mas que fez uma baita temporada no Stuttgart e, portanto, não pode ser surpresa para ninguém. Não acho que Undav tenha virado titular. Porque não vejo quem poderia sair. Havertz foi decisivo no título inglês do Arsenal e no vice da Champions. Se fosse para sair Sané seria muita mudança no estilo do time. E Musiala é um baita jogador para ser reserva, a despeito de ter sofrido com lesões na última temporada. Acho que Undav continuará como uma baita opção para Nagelsmann mudar um jogo.
Outro “probleminha” da Alemanha é a lateral-direita. Kimmich talvez entrasse numa seleção do mundo num esquema de três zagueiros pela direita. Como lateral marcador, ele sofreu mais da conta com Diomandé, e vai sofrer com qualquer ponta arisco que parta pro confronto direto rabiscando. Na Copa de 2014, a Alemanha se estabilizou quando Lahm saiu do meio e foi construir pela lateral. Talvez seja o caso de Kimmich fazer o caminho inverso. A conferir.
Por enquanto, não sei Ancelotti, mas eu estou de olhos muito abertos em cima da Alemanha. Torcendo muito, inclusive, pela combinação de resultados que colocasse frente a frente nas oitavas de final França e Alemanha. E se isso acontecer… os Bleus que se cuidem muito. geRead More


