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Às vésperas do Draft da NBA, Splitter projeta reconstrução nos Bulls: “Vontade de começar do zero”

Às vésperas do Draft da NBA, Splitter projeta reconstrução nos Bulls: “Vontade de começar do zero”

Splitter lembra rivalidade com a Argentina no basquete: “Não sei se raiva é a palavra”
Depois de assumir oficialmente o comando do Chicago Bulls, na última terça-feira, Tiago Splitter já tem pela frente as decisões do Draft da NBA, que começa nesta terça (22). Com as escolhas de número 4 e 15, o técnico brasileiro afirmou, em entrevista coletiva nesta segunda, que quer criar uma cultura própria dentro da franquia e investir no desenvolvimento de novos talentos.
Tiago Splitter quer investir em jovens talentos no Chicago Bulls
Michael Hirschuber/Getty Images
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– A gente tem um pick número 4 de uma grande geração, um ano muito bom da NBA. É indiscutível que a gente vai pegar um talento. Não sei quem vai ser, mas, tenho muita vontade de começar do zero, criar uma identidade minha nesse time. Um pouco o que eu venho fazendo nos últimos anos. Espero estar aqui por muitos anos, criar uma identidade, uma cultura. Esse é o meu objetivo nos próximos anos aqui no Chicago. Esse projeto junto com o Bryson Graham (vice-presidente do Bulls) de elevar o Chicago Bulls a outro patamar – contou Splitter.
Embora ainda não tenha o elenco completo, o treinador adiantou as primeiras ideias táticas que pretende implementar em quadra.
– Vou tentar jogar dentro das características que sempre fiz, de tentar ganhar o maior número de posses de bola, jogar rápido e conseguir cestas fáceis.
A primeira rodada do Draft acontece nesta terça-feira (23), com as escolhas principais, enquanto a segunda rodada encerra o evento na quarta (24).
Tiago Splitter projeta expectativas para o Draft 2026: “Começar do zero”
Joe Pinchin/NBAE via Getty Images
Paciência no processo de desenvolvimento de jovens
A aposta em jovens, no entanto, exige paciência. Splitter destacou que o processo de formação de atletas costuma levar tempo e nem sempre traz resultados imediatos nas quadras. Para o treinador, criar uma base forte passa por etapas de amadurecimento.
– Existe uma relação em que, quando você desenvolve jogadores, isso significa que você vai perder muitos jogos. Mas o mais importante nessa questão toda é tentar desenvolver os jogadores e que, aos poucos, as vitórias reflitam. Que isso seja um espelho. Quanto melhor eles acabam se desenvolvendo, mais vitórias vão vir no futuro. Então é um pouco de paciência, é a visão de futuro que a gente tem – explicou.
Devido ao teto salarial da NBA, as franquias nem sempre podem simplesmente contratar estrelas prontas. Por isso, o desenvolvimento interno vira uma estratégia fundamental. Para Splitter, é uma lógica comum nos Estados Unidos que se choca com a expectativa imediata do brasileiro.
– A gente sabe que esses atletas jovens vão demorar um tempo para melhorar. É uma paciência que a gente tem que ter, um processo longo, às vezes. Acho que é uma coisa que, talvez, o brasileiro não está acostumado a ver. Isso se vê muito nos esportes americanos. Quem acompanha sabe que existe uma etapa de construção dos seus jogadores. Porque existe um teto salarial onde você não pode só chegar simplesmente contratar os melhores. Então você tem que desenvolver esses jogadores e aos poucos colher esses frutos. E isso, às vezes, leva um tempo. Todo mundo é ciente disso aqui dentro da organização. Então, a gente está muito unido nisso e sabe qual é o objetivo – afirmou.
Ascensão meteórica
Splitter chega aos Bulls como pioneiro. Primeiro brasileiro a ser técnico principal de uma equipe de uma equipe da NBA, o ex-jogador viveu uma ascensão rápida. Em sua primeira temporada à frente do Paris Basketball, Tiago levantou a taça da Copa da França, em junho de 2025. No mês seguinte, embarcou no projeto do Portland Trail Blazers como técnico assistente. Em outubro, assumiu a franquia de forma interina após o afastamento de Chauncey Billups e comandou uma campanha histórica, tornando-se o primeiro treinador do país a levar uma equipe aos playoffs da liga.
Tiago Splitter é celebrado por jogadores dos Blazers após vitória sobre Warriors
Reprodução/X
– Foi meteórica essa ascensão. Mas, enfim, aconteceu. Espero continuar nessa ascensão agora como head coach do Chicago Bulls. Espero que o Chicago, nos próximos anos, tenha uma ascensão parecida, e que a gente possa competir por títulos no futuro. Às vezes, é estar no lugar certo, na hora certa, mas preparado para tudo o que pode acontecer. No momento que surge a possibilidade, você está preparado para encarar uma situação como a que eu encarei, principalmente em Portland – analisou.
Gargalo do basquete no Brasil
Perguntado sobre a formação de novos profissionais no Brasil, Splitter defendeu uma estrutura mais forte para a modalidade no país, desde os primeiros anos de escola. Para ele, o crescimento do basquete entre os brasileiros passa obrigatoriamente pela ampliação do acesso ao esporte desde a base, hoje sufocado pelo futebol.
– A gente precisa de uma estrutura melhor para os jovens praticarem basquete. Quanto mais jogadores que estiverem praticando basquete, melhor. Colocar esporte nas escolas públicas. É lá que começa tudo e, consequentemente, a qualidade vai sair da quantidade. Acho que hoje é tudo dominado pelo futebol e os outros esportes têm pouco espaço – disse.
Tiago Splitter cita Vitor Galvani como um dos nomes brasileiros em ascensão no basquete mundial
NBA
O treinador também lembrou a importância da experiência internacional em sua trajetória, mas fez questão de destacar que há outros nomes do Brasil ganhando espaço pelo basquete mundial.
– Eu tive a chance de ser técnico na Europa, nos Estados Unidos. Ser um ex-jogador abre portas que, às vezes, não são abertas para um técnico que não jogou ainda na Liga. Isso faz diferença. No Brasil, a gente tem bons técnicos, caras que estudam muito. Temos o Vitor Galvani, que foi o melhor técnico da G-League. É um exemplo de um brasileiro que está abrindo portas dentro da NBA – completou. geRead More