Pneu furado, cartão recusado, briga por banheiro: a aventura de 5 amigos em um motorhome atrás da seleção
Motorhexa: brasileiros cruzam os EUA em motorhome para seguir o Brasil na Copa
Um cartão recusado no meio de uma entrevista, uma discussão sobre quem vai esvaziar o banheiro químico e um pneu furado resolvido com churrasco.
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Essa é apenas parte da rotina de cinco amigos de São Paulo que decidiram acompanhar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 a bordo de um motorhome batizado de Motorhexa.
Os publicitários Rodrigo Menezes e Marcelo de Sousa, os administradores Lucca Salzano e Carlos Xirau e o advogado Pedro Martinez já têm experiência em Copas do Mundo, alguns estão indo para o quarto mundial. E, para o torneio nos Estados Unidos, decidiram realizar um sonho antigo do grupo.
“A gente sempre teve vontade de pegar um motorhome e viajar. Quando saiu o sorteio dos grupos e vimos que o caminho do Brasil permitia fazer isso, começamos a planilhar tudo. Os passeios, onde a gente deveria estar em cada data e toda a logística”, contou Rodrigo.
Ao todo, o grupo pretende acompanhar cinco partidas da seleção brasileira – isso se o país avançar para as oitavas de final. Os dois primeiros jogos já ficaram para trás.
Para acompanhar a seleção, os amigos traçaram um mapa que inclui paradas em Washington, Carolina do Sul, Orlando, Miami e Houston.
Grupo de amigos acompanha seleção brasileira no MotorHexa
Arquivo pessoal
Como é o MotorHexa por dentro e por fora?
O g1 ganhou um tour exclusivo da casa (e meio de transporte) do grupo durante os dias de mundial. (Veja no vídeo acima).
O ambiente é dividido entre a parte em que ficam o motorista e o passageiro, a área comum com cozinha e uma espécie de sala de estar, um banheiro e o quarto principal.
Para dormir, os dois bancos da frente, o sofá e a mesa de jantar viram camas. O grupo ainda não tinha planejado como seria a divisão das camas, mesmo já tendo passado uma noite por lá.
“A gente vai revezar”, explicou Rodrigo
“Vão ter umas dinâmicas para determinar isso e para ver quem vai tirar o cocô”, brincou Lucca.
Apesar do planejamento não ter chegado na parte das tarefas “domésticas”, o grupo foi bem organizado na hora de definir o trajeto e o local de parada em cada cidade.
No dia da entrevista, eles estavam hospedados em uma espécie de vila de motorhomes na Filadélfia, cercados por outros brasileiros. Segundo eles, o local tem estrutura com piscina, banheiros e dezenas de vagas para veículos semelhantes.
‘O cartão não passou’ e mais perrengues
No meio da entrevista ao g1, os amigos foram interrompidos por um funcionário de um estabelecimento informando que o cartão usado por eles havia sido recusado.
A conversa parou por alguns segundos. Houve troca de olhares, tentativa de descobrir de quem era o cartão e uma rápida operação para resolver a situação.
E esse não foi o único aperto que o grupo passou no MotorHexa. Na noite do domingo (21), no caminho para a Flórida, o pneu do automóvel estourou e obrigou o grupo a ficar mais de 14 horas no mesmo lugar.
Mas os amigos não se deixaram abalar pelo contratempo e aproveitaram as horas paradas para passar no supermercado e fazer um churrasco.
“Tínhamos a esperança que alguém vinha nos acudir, mas ninguém veio. Sendo assim…”, postaram nas redes sociais.
Problemas só na estrada
Os perrengues que o grupo tem passado na estrada compensam a falta de problemas que eles tiveram para comprar os ingressos das partidas.
Acostumados à disputa por ingressos, eles usaram toda a experiência acumulada em outras Copas para garantir entradas para os jogos.
“Aqui, no caso, são profissionais da Copa do Mundo. Cada CPF que está nessa tela tem mais de 10 contas de e-mail no Gmail, mais de 10 contas na conta da FIFA”, explicou Marcelo.
A compra foi feita com muita antecedência, há meses, e garantiu não só preços de pré-venda como também deu a oportunidade dos amigos terem um plano B.
Isso porque o que eles esperam é que o Brasil passe em primeiro no grupo C e dispute os 16 avos de final em Houston, no Texas. Caso o Brasil passe em segundo, a seleção vai jogar em Monterrey, no México.
Parte do grupo tem entradas para os dois jogos.
“Caso o Brasil passe em segundo tem um plano B, mas não para todo mundo, mas como a gente é corintiano e não desiste nunca, a gente está torcendo para o plano A”, afirmou Lucca.
E quanto custou?
Além da aventura, o motorhome também ajudou a reduzir custos.
Segundo eles, a estratégia de comprar os ingressos com antecedência e dividir hospedagem e transporte permitiu economizar bastante. A estimativa é que cada integrante tenha gastado cerca de R$ 30 mil na viagem completa.
Em outra reportagem, o g1 ouviu um casal que gastou R$ 46 mil para assistir à estreia do Brasil em uma viagem de cinco dias.
Apesar do valor ser considerado baixo para os parâmetros desta Copa que é considerada a mais cara da história, o grupo ainda se preocupa com as finanças.
Para tentar conseguir patrocinadores e deixar a viagem mais barata, eles criaram um perfil nas redes para o MotorHexa.
“Uma vez que a gente já estava gastando todo esse dinheiro em ingresso, motorhome e tudo mais, a gente pensou: ‘e se a gente gravar conteúdos lá e conseguir algum acesso, algum ingresso, algum patrocínio para ajudar no custo da viagem?'”, contou Marcelo.
“Mas por enquanto só estamos gravando mesmo”, disse Rodrigo.
“É, bota na matéria que a gente quer ajuda”, brincou Carlos.
Mas e se o Brasil avançar além das oitavas? E se não passar?
“A passagem está comprada para voltar”, explicou Rodrigo quando perguntado sobre um possível avanço da seleção além das oitavas.
“Mas se alguém quiser dar o ingresso”, voltou a brincar Pedro.
“O orçamento está planejado e comprometido até as oitavas, mas o coração”, disse Marcelo.
Se a vontade de ir aos jogos caso o Brasil passe para outras fases é grande, a de assistir a outras seleções nos jogos em que se veria a amarelinha não existe. Os amigos explicam que não pretendem ver o jogo das oitavas caso a seleção brasileira seja eliminada.
“Eu vou afogar as mágoas na Califórnia”, afirmou Lucca.
“Eu vou para o México e fico por lá”, disse Marcelo. “Eu estava no jogo entre França e Bélgica que foi a semifinal que o Brasil não foi e foi a pior experiência da minha vida. Odiei cada segundo daquele jogo”.
Enquanto os rumos do Brasil não definem se o MotorHexa vai voltar para casa mais cedo ou rodar alguns outros km, o grupo segue na estrada torcendo para que os próximos perrengues sejam apenas com cartões recusados — e não um gol contra da seleção.g1 > Mundo Read More


