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Da quase desistência à chance de classificação inédita: a trajetória do Irã na Copa do Mundo

Da quase desistência à chance de classificação inédita: a trajetória do Irã na Copa do Mundo

Em meio a negociações, EUA relaxam restrições para seleção do Irã
Esta sexta-feira pode se tornar o dia mais importante da história do Irã em Copas do Mundo.
A seleção iraniana vai enfrentar o Egito, em Seattle, dependendo apenas de si para avançar à segunda fase do torneio pela primeira vez. Um roteiro que teve uma quase desistência, restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos e uma preparação cheia de limitações.
O Irã está na segunda posição no Grupo G, com dois pontos obtidos nos empates com Bélgica e Nova Zelândia. Uma vitória garante a classificação. Caso empate, vai depender de outros resultados.
Seleção do Irã aplaude torcida após empate com a Bélgica
REUTERS/Daniel Cole
Há três meses, o Irã estava fora da Copa.
Em meio à guerra do país contra os anfitriões americanos, em março, o Ministro do Esporte iraniano, Ahmad Donyamali, afirmou que o país não iria disputar o Mundial, interrompendo a melhor sequência de participações da seleção em edições de Copa — pela primeira vez, o Irã emendou quatro classificações seguidas. A medida drástica seria uma forma de boicote aos norte-americanos.
A declaração soou conveniente para Donald Trump. Em publicação em uma rede social, o presidente afirmou que os iranianos seriam bem-vindos no evento, mas sugeriu que não seria apropriado e que eles deveriam temer pela sua segurança. Nesse mesmo dia, porém, a federação de futebol iraniana publicou uma nota contestando Trump e cravou a presença na Copa.
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Apesar das declarações de boas-vindas, a guerra entre os países continuou e isso implicou numa série de restrições. O Irã precisou trocar sua base de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México. A delegação enxuta sofreu baixas e quinze funcionários da federação, incluindo o presidente da FFIRI, Mehdi Taj, tiveram vistos negados para entrar nos Estados Unidos.
Infantino visita vestiário do Irã
Reprodução
O Irã teve ainda de cumprir a determinação de só poder entrar em território americano nas vésperas dos jogos e de voltar ao México logo após as partidas. Nenhuma outra seleção teve este mesmo tratamento.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, afirmou em entrevista coletiva que há questões que fugiriam da alçada da entidade que organiza a Copa. Ainda assim, ele foi ao vestiário da equipe após o empate contra a Nova Zelândia, na estreia, e ouviu as reclamações do técnico Amir Ghalenoei, que listou dificuldades e reclamou do tratamento desigual.
Em uma atuação mágica na segunda rodada, o goleiro Beiranvand colocou um muro diante das finalizações da Bélgica, a favorita do Grupo G, e garantiu o segundo empate do Irã. O resultado manteve a equipe viva e com chances concretas de chegar à próxima fase.
Grande defesa de Beiranvand, em Irã x Bélgica, na Copa do Mundo
Lise Niesner/Reuters
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Durante a estadia, os jogadores receberam o apoio de iranianos radicados nos Estados Unidos mas também conviveram com protestos de parte dos torcedores contra o regime. Depois dos jogos, o experiente atacante Mehdi Taremi foi uma espécie de porta-voz, sempre de forma contida, pedindo condições iguais de preparação e evocando a importância do futebol para reerguer o moral de seus país e trazer união ao povo.
Quanto ao último jogo, o Irã recebeu autorização para chegar com dois dias de antecedência a Seattle, onde vai enfrentar Egito. A preparação, enfim, foi realizada dentro do padrão do torneio.
Para uma seleção que quase desistiu da Copa e que conviveu com limitações, o Irã faz uma campanha competitiva e tem chances reais de avançar. Mas os jogadores iranianos querem mais.
— Para nós, jogadores, a maior alegria de avançar de fase seria aproximar ainda mais o nosso povo, como está acontecendo agora. Além da classificação, que ainda não aconteceu, e que obviamente seria um momento feliz e marcante também para os jogadores que atualmente fazem parte da equipe, para mim, a conquista mais gratificante da classificação é a união, e a solidariedade entre os iranianos dentro e fora do país — disse Taremi .
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