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Holanda ajuda a formar parte da seleção de Marrocos; entenda a ligação histórica entre os países

Holanda ajuda a formar parte da seleção de Marrocos; entenda a ligação histórica entre os países

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O confronto entre Holanda e Marrocos pela segunda fase da Copa do Mundo coloca frente a frente seleções com uma ligação histórica que começou há décadas e se reflete no cenário atual do futebol. Parte do elenco africano nasceu ou foi formada nos Países Baixos, resultado de um fluxo migratório iniciado nos anos 1960, e que ajuda a explicar a formação da seleção africana.
Holanda e Marrocos se enfrentam nesta segunda-feira, às 22h (de Brasília), pela segunda fase da Copa do Mundo 2026. O ge acompanha em Tempo Real.
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— É uma história super compartilhada. É uma história relativamente recente, dessa imigração dos anos 60 para cá, duas, três gerações de marroquinos na sociedade dos Países Baixos e muitos voltando. Tem uma proximidade geográfica também. Inclusive tem uma parte desses pessoas que vivem quase que metade do ano em cada país. Não querem optar necessariamente pela identidade. Isso é interessante — disse Monique Sochaczewski, historiadora e professora de Relações Internacionais do IDP, que ajudou o ge a entender essa história.
Torcida do Marrocos presente na Copa do Mundo 2026
Getty Images
Na Copa do Mundo 2026, dos convocados de Marrocos, três jogadores nasceram na Holanda: Noussair Mazraoui, Sofyan Amrabat e Anass Salah-Eddine. Além deles, outros nomes importantes do elenco (como Ismael Saibari) foram formados nas categorias de base do futebol holandês antes de defender a seleção africana.
A relação com o futebol da Holanda não é o único caso na seleção de Marrocos. A equipe conta com 19 jogadores no total nascidos em outros países, mas com ascendência marroquina. Os atletas foram atraídos para defender a equipe através da Real Federação Marroquina de Futebol (FRMF) que mantém uma rede de captação.
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Na época, milhares de trabalhadores marroquinos chegaram ao país europeu para ajudar na reconstrução do pós-guerra. Em processo de reconstrução econômica, os Países Baixos enfrentavam escassez de mão de obra para trabalhos não especializados, o que fez o governo holandês firmar um acordo migratório com Marrocos.
A primeira leva de imigrantes se concentrou principalmente nos anos 1960 e 1970. A partir da década de 80, o fluxo migratório ganhou um novo processo, que os países envolvidos chamam de reunificação familiar – quando os parentes dos trabalhadores já instalados passaram a se mudar. Hoje, a comunidade marroquina reúne cerca de 400 mil pessoas em uma população de aproximadamente 17 milhões de habitantes
— Eu tive a oportunidade de ir para os Países Baixos com os alunos há dois anos. Depois eu estive em Amsterdã e achei bastante impressionante. Porque é muito visível. Essa presença. E é muito, ela quase que rivaliza, né? Eu não sei se é segundo ou quase que pareia com os turcos, que tem uma história muito parecida também. Quando a gente chega lá nos Países Baixos, as principais diásporas são grupos de imigrantes marroquinos e turcos — contou Monique Sochaczewski, professora de Relações Internacionais do IDP. 
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19 dos 26 convocados do Marrocos nasceram em outros países
Getty Images
A seleção marroquina realiza um monitoramento de quem joga na Europa há cerca de 15 anos. Após fracassos seguidos da seleção, o Rei Mohammed VI idealizou um centro de formação para criar uma geração vencedora. No caso, Marrocos se antecipa e chega às jovens promessas antes mesmo das seleções dos países em que elas nasceram.
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O processo de captação tem sido acelerado, e a seleção africana não é um “prêmio de consolação” para quem não alcança seleções europeias. A equipe tem sido a escolha de jogadores de base, por exemplo, que preferem defender a bandeira de sua família.
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Segundo um levantamento da Universidade de Oxford, da Inglaterra, nos últimos dez anos a seleção marroquina teve 61 jogadores nascidos em outros países e praticamente metade deles optou por trocar de seleção.
A preferência dos jogadores atualmente pode ser por uma questão de identidade, de orgulho, de defender a terra dos seus ancestrais ou até mesmo esportiva, mas a historiadora Monique Sochaczewski acredita que nunca é por uma monocausalidade. Inclusive, ela alerta que o país passa por um crescimento de investimento, que pode ser outro fator para explicar a escolha.
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— Marrocos hoje é um país que a gente precisa prestar muita atenção, é um país que está investindo muito. A monarquia do Marrocos vem investindo em diversificar a economia. Então, muitos estão voltando, e a gente talvez possa entender esses jogadores nascidos na Holanda, mas optando por defender as cores do Marrocos como parte dessa volta mais ampla, e ao mesmo tempo um lugar que eles não sofrem preconceito,  que eles têm orgulho e têm ajudado a construir o Marrocos como um time africano e um time do mundo muçulmano ascendente — afirmou a historiadora Monique Sochaczewski.
O encontro que simboliza a história entre Holanda e Marrocos acontece nesta segunda-feira, às 22h (de Brasília), no estádio El Gigante de Acero. O vencedor avança para as oitavas de final da Copa do Mundo 2026.
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