Capitão da África do Sul superou tragédias para liderar seleção em fase inédita: “Futebol me salvou”
Quais são as expectativas para o jogo entre a África do Sul e Canadá?
O goleiro da África do Sul, Ronwen Williams, enfrentou tragédias familiares no caminho para, jogando apenas por clubes sul-africanos, chegar à seleção e se tornar o capitão da equipe que, nesta Copa do Mundo, conseguiu uma inédita classificação para o mata-mata.
Segunda colocada do Grupo A com uma vitória, um empate e uma derrota, a África do Sul abre a segunda fase em jogo contra o Canadá, neste domingo, às 16h (de Brasília), no Estádio de Los Angeles, nos Estados Unidos.
África do Sul 1 x 0 Coreia do Sul | Melhores momentos | 3ª rodada | Copa do Mundo 2026
Williams tinha 10 anos quando o assassinato de um primo, na esquina da rua onde estava brincando, mudou a sua vida para sempre. Criado em um perigoso bairro da cidade sul-africana de Guquebera, marcado por problemas sociais, violência e oferta de álcool e drogas, o goleiro, hoje com 34 anos, escolheu seguir no esporte.
— Antes de eu me tornar adolescente e começar a experimentar todas essas coisas ruins que estavam acontecendo, eu diria que o futebol salvou minha vida — refletiu Williams em entrevista ao jornal britânico The Guardian em 2024.
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Aos 18 anos, dois meses antes do início da Copa realizada na África do Sul, em 2010, Williams perdeu o irmão, morto em um acidente de carro. O irmão mais velho era um grande incentivador da sua carreira no futebol.
— Foi provavelmente o pior momento da minha vida. Perdi a paixão que tinha, porque ele era provavelmente meu maior incentivador. Levei meses para voltar a amar o jogo — disse Williams ao The Guardian.
— Fui sortudo ou abençoado o suficiente por poder jogar pela África do Sul no nível juvenil, mas o sonho do meu irmão era que eu estivesse na Copa do Mundo. Agora que posso fazer isso 16 anos depois… Estou vivendo o sonho que ele tinha para mim. É um momento especial — contou o goleiro em uma entrevista à Fifa neste ano.
Goleiro Ronwen Williams, da África do Sul, em jogo contra a Coreia do Sul na Copa do Mundo
Michael Regan/FIFA via Getty Images
Williams fez carreira em clubes sul-africanos – primeiro no Supersport United e, desde 2022, no Mamelodi Sundowns – e chegou à seleção em 2014.
Ele estreou pelos Bafana Bafana em um amistoso com o Brasil, vencido por 5 a 0 pela seleção brasileira. De lá para cá, já são 68 partidas pela seleção.
Williams viveu o auge da carreira defendendo a África do Sul, em 2024. O goleiro brilhou nas quartas de final da Copa Africana das Nações ao defender quatro cobranças na disputa de pênaltis contra Cabo Verde, levando a seleção a uma semifinal da competição pela primeira vez desde 2000.
Nos segundos que antecediam cada batida, Williams podia ser visto falando sozinho enquanto olhava para o céu. Ele buscava a bênção do irmão morto.
— Às vezes, peço a ele que assuma o controle e me mostre o caminho a seguir. Ele é como meu anjo da guarda — relatou ao The Guardian.
Goleiro Ronwen Williams, capitão da África do Sul, em jogo contra a Coreia do Sul na Copa do Mundo
Michael Regan/FIFA via Getty Images
Em 2024, Williams ainda apareceu entre os indicados ao Prêmio Lev Yashin, de melhor goleiro, da Bola de Ouro da revista France Football. Foi a primeira vez que um jogador que atuava em um clube africano concorreu nessa categoria da premiação.
O desempenho dele tem sido elogiado por companheiros de profissão, como o ex-goleiro sul-africano Andre Arendse, que o exaltou como uma liderança positiva.
Williams passou a ser o dono da braçadeira de capitão desde a contratação do técnico belga Hugo Broos, em 2021.
— Sempre descrevo as qualidades de liderança de Ronwen como sendo alimentadas por ações. Quando você observa Ronwen, especialmente agora em sua carreira, nos últimos cinco anos, quando ele tem sido uma peça fundamental da seleção nacional, seu estilo de liderança é baseado em ações. E os companheiros de equipe o seguem — disse Arendse ao Soccer Laduma. geRead More


