Como o ‘Brasileirão’ rende na Copa do Mundo
A Copa do Mundo de 2026 marca um recorde na história do Campeonato Brasileiro. A principal competição nacional nunca esteve tão representada internacionalmente. O poder aquisitivo dos clubes e o aumento do número de estrangeiros são as principais causas do fenômeno. Em meio a tantos jogos, é importante pontuar o nível de atuação de cada um desses atletas no torneio.
Brasil
Dois dos jogadores com melhores momentos entre os 32 convocados originalmente são Lucas Paquetá e Danilo. Ganharam esse status em momentos diferentes. O meia começou a aparecer com mais frequência desde o começo dos jogos a partir do amistoso contra o Egito. Já o zagueiro/lateral se firmou na equipe após a lesão de Wesley.
Lucas Paquetá fez 30 minutos péssimos contra o Marrcos na estreia brasileira. Depois da parada para hidratação do 1º tempo, passou a jogar na meia-esquerda, mais perto de Vinícius Jr, onde está até hoje. Tem importante papel no momento defensivo. É ele quem marca as subidas do lateral-direito adversário para Vini não ter que voltar tanto. Com a bola, centraliza e tem articulado bem os ataques.
Lucas Paquetá Brasil Haiti Seleção
Kyle Ross/Reuters
Deu uma assistência para Vinícius marcar contra o Haiti e roubou uma bola que originou um dos gols de Matheus Cunha. Contra a Escócia, participou da bela troca de passes que terminou em outro tento de Matheus.
Já Danilo entrou sob muita desconfiança no intervalo da estreia. Natural. Há muito tempo não atua como lateral-direito, mas tem passado mais segurança ao time desde então. Ibañez foi mal no 1º tempo contra Marrocos. Danilo tem protegido bem o setor. Encontrou um pouco mais de dificuldade no 2º tempo contra a Escócia, quando levou um amarelo, mas venceu duelos neste período.
Geralmente oferece suporte na saída de bola pela direita e faz avanços muito esporádicos, parecido com que já fez no time de 2022. Tem sido arma importante na bola aérea defensiva e é mais uma liderança do time dentro de campo.
Outro nome do Brasileirão que desperta opiniões acaloradas é Neymar. Depois de mais de um mês sem entrar em campo em virtude de uma lesão na panturrilha, teve quase 20 minutos para ganhar ritmo contra a Escócia. Participou de algumas tramas com Vini Jr e Endrick, mas ainda não é possível avaliar mais extensamente o que pode de fato fazer. Segue como uma incógnita neste momento.
Neymar cumprimenta Vini Jr. Vinicius Junior em Brasil x Escócia Seleção
Sam Navarro/Reuters
Quem está cercado de expectativas é Danilo Santos, que quase sempre entra bem nos jogos. Teve pouco tempo na Copa. Pouco mais de dez minutos contra Marrocos e Haiti. Chegou a ter uma oportunidade de finalizar na estreia, mas pegou fraco na bola. Contra o Haiti conseguiu chegar mais vezes na área, mas esteve mais preciso diante dos africanos. Tem entrado como segundo volante.
Alex Sandro, lateral do Flamengo, jogou só dez minutos contra a Escócia. Manteve a segurança do time pelo lado esquerdo da defesa e acertou todos os passes que tentou. Hoje é o reserva de Douglas Santos, perdeu a disputa para o lateral do Zenit. Léo Pereira e Weverton ainda não foram utilizados por Ancelotti.
Uruguai
Uma das principais decepções dessa Copa, o Uruguai levou o mesmo número de atletas do Brasileirão que a própria seleção brasileira: sete. Dois deles acabaram conseguindo algum destaque. Canobbio principalmente. Começou no banco contra a Arábia Saudita, mas fez parte do pacote de mexidas que melhorou a Celeste na estreia da competição. Entrou no intervalo e ganhou a posição ali!
Sempre pela ponta-direita, ajudou a gerar profundidade ao time no setor e preencheu a área para finalizar os muitos cruzamentos feitos pelo limitado coletivo de Marcelo Bielsa. Marcou o gol que seria o da vitória contra Cabo Verde, mas a equipe cedeu o empate na sequência. Atuou bem como um todo nesta partida também, mas acabou ficando com a última imagem bem arranhada na competição.
Cucurella, da Espanha, em ação com Agustin Canobbio
REUTERS/Daniel Becerril
Canobbio vinha travando um excelente duelo com Cucurella e até levando vantagem no 1º tempo do jogo contra a Espanha. Mas se destemperou completamente na 2ª etapa. Já com a derrota de sua equipe, acabou expulso nos minutos finais. Foi pouco produtivo ofensivamente no jogo de despedida do Mundial.
Quem entrou bem nos três jogos do Uruguai foi Nico de la Cruz. Reserva em todos eles, teve em média 20 minutos para jogar em cada uma das duas primeiras partidas, e um tempo inteiro contra a Espanha. Acertou um pontapé por trás em Nico Williams e lesionou o espanhol. Isso também foi ruim para a sua imagem na Copa.
Mas com a bola imprimiu bons passes, melhorou a circulação de bola celeste e acertou boas finalizações de média distância. Entrou sempre como segundo volante. Provavelmente teria mais minutos se não fossem os problemas físicos.
Guillermo Varela, seu companheiro de clube, foi muito burocrático e teve altos e baixos ao longo dos jogos. Apesar de algumas boas ações defensivas, oscilou até mesmo naquilo que não costuma errar. Os duelos individuais e coberturas nos cruzamentos. Ofensivamente não obteve tanto destaque. Seu melhor jogo nesse ponto foi a estreia contra a Arábia Saudita. Cresceu no 2º tempo.
Guillermo Varela em Uruguai x Arábia Saudita
Paul Childs / Reuters
A ausência sentida para os uruguaios foi De Arrascaeta, que não conseguiu se colocar em condições de jogo a tempo. Piquerez e Emiliano Martnez, ambos do Palmeiras, não ganharam nem um minuto de Marcelo Bielsa no Mundial.
Paraguai
A Albiroja é outra seleção com sete atletas do Brasileirão. E certamente o principal deles é Gustavo Gómez. Titular absoluto de uma defesa que gerou poucas finalizações aos adversários em dois dos três jogos feitos até aqui. Como todo o time, teve péssima atuação contra os Estados Unidos, mas se agigantou na vitória sobre a Turquia e manteve a segurança do setor diante da Austrália.
Compõe dupla de zaga com Alderete quando o Paraguai joga com linha de quatro atrás, mas faz o centro de uma linha de cinco quando a proposta é essa. Esta entre os 15 defensores que mais cortaram bolas na competição. Dentro do estilo de jogo guarani, é o protetor de área que se destacou ao longo da carreira.
Gustavo Gómez pelo Paraguai na Copa do Mundo
Reuters/David Gonzales
Outro titular absoluto da defesa da equipe é Junior Alonso, que tem atuado como lateral-esquerdo ou até mesmo ala quando a linha de cinco é montada. No entanto pouco avança ao ataque. Compõe um grupo de defensores que joga de maneira compacta. Teve problemas para frear o lado direito dos Estados Unidos, mas subiu de produção contra a Turquia, quando bloqueou três finalizações.
Diante da Austrália, por já ter cartão amarelo, ficou no banco, e só entrou nos últimos minutos para gastar o tempo que ainda restava. Quem estreou como titular, mas não vem fazendo uma boa Copa é o volante do São Paulo Damián Bobadilla. Foi totalmente envolvido pelo meio-campo estadunidense na estreia e ainda marcou um gol contra. Foi sacado no intervalo e perdeu o posto de titular.
Entrou no intervalo da vitória sobre a Turquia. Almirón havia sido expulso na 1ª etapa e a Albiroja precisava preencher o meio. Teve uma atuação correta ali, mas sem brilho. Diante da Austrália só foi utilizado nos acréscimos. Com a suspensão de Diego Gómez para o jogo contra a Alemanha nesta segunda-feira, poderia até retomar espaço, mas Galarza parece ser a preferência de Gustavo Alfaro.
Já Maurício ficou no banco nos três jogos e entrou em dois, contra Estados Unidos e Austrália. Em ambos melhorou a capacidade criativa e o poder de finalização do time, que é muito baixo. Marcou o gol de honra paraguaio na goleada sofrida para os Estados Unidos logo em seu primeiro jogo em Copas. Contra os Socceroos foi o primeiro a incomodar o goleiro adversário.
Maurício e Isidro Pitta Paraguai
Divulgação/ Federação Paraguaia de Futebol
Mesmo assim, dentro do estilo de jogo da seleção paraguaia, Maurício não parece ser uma peça vista como titular diante da Alemanha. A prioridade é defender e há poucos lugares no time para jogadores criativos. Enciso e Almirón estão na sua frente. Com tudo isso, a avaliação da Copa de Maurício é positiva até aqui.
Disputando posição no ataque, Isidro Pitta foi prejudicado na única oportunidade que teve como titular. Diante da Turquia o Paraguai abriu o placar no primeiro minuto e passou o jogo todo retraído, principalmente após a expulsão de Almirón. Buscou ajudar, mas encostou o pé na bola apenas 14 vezes em 54 minutos em campo. Foi sacado no intervalo e não foi utilizado nos outros jogos.
Sanabria, Álex Arce e Ávalos são os outros centroavantes. Os dois primeiros mostraram mais nos minutos que tiveram em campo. O atacante Ramon Sosa, do Palmeiras, jogou só 15 minutos na goleada sofrida para os Estados Unidos e mostrou agressividade. Poderia ter recebido mais chances. Já Balbuena não entrou em campo um minuto sequer. É o último da fila entre os zagueiros.
Equador
Dos cinco atletas do Brasileirão na Tricolor, Gonzalo Plata é sem dúvida o de maior destaque. Marcou o gol histórico da classificação contra a Alemanha e foi titular nas três partidas com um bom desempenho. Tem atuado a maior parte do tempo como um segundo atacante por dentro, livre para se mover e gerar interações com as demais peças do sistema ofensivo.
Plata comemora seu gol pelo Equador em cima da Alemanha, na Copa
Reuters
Jogou todos os minutos da Copa, o que dá uma boa noção do quanto Beccacece confia no camisa 19. Participou da produção de boas jogadas nas três partidas, mas pecou em algumas finalizações e tomadas de decisão. Compensa com intensidade, boa técnica e mobilidade para participar de todos os momentos do jogo.
Alan Franco, do Atlético Mineiro, também foi titular em todos os jogos, mas em uma função diferente da que normalmente faz no clube brasileiro. Beccacece o escala na lateral-direita. Pouco passa da linha do meio-campo e tem mais responsabilidades defensivas. Faz uma Copa de altos e baixos. Sem brilhar, mas também sem comprometer.
Outros dois atletas do Galo na seleção equatoriana são Preciado e Alan Minda. O lateral-direito entrou nos três jogos. Geralmente é acionado quando o time precisa de alguém mais ofensivo na função, e ele correspondeu contra Curação e contra a Alemanha. Já diante de Senegal não teve boas ações em campo.
Minda foi titular na estreia, contra a Costa do Marfim, mas também fez uma partida de altos e baixos. Mostrou intensidade, cumpriu as determinações defensivas, mas pecou tecnicamente nos lances de definição. Saiu antes dos 15 minutos da 2ª etapa e ainda não foi utilizado novamente.
Alan Minda, Alan Franco e Preciado; Atlético-MG
Pedro Souza / Atlético-MG
Félix Torres é a quarta opção entre os cinco zagueiros do Equador. Foi acionado nos minutos finais da vitória sobre a Alemanha. Passou longe de comprometer e ajudou a proteger a área e o resultado positivo.
Colômbia
Jhon Arias sobra entre os ”brasileiros” da seleção colombiana. Titular absoluto do meio-campo de Néstor Lorenzo. Teve grande atuação contra Portugal. Poderia ter marcado duas vezes se não fosse o goleiro Diogo Costa. Foi bem também contra Uzbequistão e RD Congo. Oscilou junto com o time nesses jogos, mas manteve um bom nível geral.
Com a bola tem liberdade para partir de onde estiver no campo e articular o time com Puerta e James Rodriguez. Sem a bola, defendeu como um volante, lado a lado com Lerma, nos dois primeiros jogos. Já diante de Portugal, ajudou o lateral-direito a fechar o flanco e teve ótimo desempenho nos embates contra Nuno Mendes, o melhor lateral-esquerdo do mundo.
Jhon Arias e Cristiano Ronaldo Colômbia x Portugal
Reuters
Carrascal e Portilla, de Flamengo e Athletico Paranaense respectivamente, não foram utilizados ainda. Já o ponta vascaíno Andrés Gómez atuou cerca de dez minutos no fim do jogo contra o Uzbequistão. Ajudou a melhorar o contragolpe do time num momento em que a Colômbia vinha sendo pressionada. Depois disso não recebeu mais chances.
Argentina
Flaco López sofre com a concorrência no ataque dos atuais campeões do mundo. É a última opção no centro do setor, e por isso só recebeu pouco mais de dez minutos de oportunidade contra a Jordânia, quando o placar já marcava 3×1. Tocou cinco vezes na bola e foi bloqueado em uma finalização dada dentro da área.
Holanda
Memphis Depay perdeu espaço em virtude da lesão muscular que teve, mas tem visto seus concorrentes fazerem uma ótima competição. Malen e Brobbey, escalados como titulares por Ronald Koeman no centro do ataque em momentos diferentes da campanha, têm feito gols e somado ótimas ações, imposição contra as defeas adversária.
O camisa 10 do Corinthians entrou nos três jogos. Ficou em média 20 minutos em campo em cada um deles. Contribuiu pouco para a Holanda tentar segurar a vitória contra o Japão e ainda levou um amarelo. Entrou bem com os espaços oferecidos pela Suécia, e deu uma assistência na goleada por 5×1. Voltou a ser discreto contra a frágil Tunísia. Está abaixo do nível de seus concorrentes hoje. geRead More


