Carlo Ancelotti resgata 4-2-4 e ousa com Martinelli em classificação dramática contra o Japão
Brasil x Japão – Melhores Momentos
A classificação do Brasil para as oitavas de final após vencer o Japão por 2 a 1 teve tudo o que um grande jogo pede: susto, grandes jogadas, bola na trave e virada aos 49 minutos do segundo tempo.
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Foi o jogo mais difícil da Seleção até aqui. O Brasil enfrentou uma retranca bem armada pela primeira vez e teve bastante dificuldade para criar chances no primeiro tempo. De quebra, viu o Japão abrir o placar após uma grande falha de Danilo e Casemiro.
No segundo tempo, Ancelotti colocou Endrick e Martinelli. Mais seguro na defesa, o Brasil transformou a partida em um ataque contra defesa e contou com o retorno do sistema 4-2-4 que marcou os primeiros jogos de Ancelotti na Seleção.
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Vamos aos detalhes táticos da partida👇
COM A BOLA, UM 3-2-5 SEM CRIATIVIDADE
O desenho tático do jogo foi um esboço do que o Brasil vai enfrentar daqui em diante na Copa: um grande ataque contra defesa. O Japão jogou num 5-3-2 bem fechadinho e pronto para contra-atacar.
Para abrir essa defesa, Ancelotti desenhou o Brasil em um 3-2-5. Douglas Santos e Rayan ficaram bem abertos e tinham a missão de buscar jogadas de linha de fundo e cruzamentos. Vini atuou mais avançado e, por dentro, Paquetá, Cunha e Bruno Guimarães buscavam inverter posições e criar espaços no paredão japonês.
No ataque, Brasil desenhou um 3-5-2 com Paquetá, Guimarães e Cunha buscando o meio e Vini mais próximo do gol
Reprodução
A movimentação do Brasil era insuficiente para desmontar a defesa adversária. Em uma variação já testada contra a Escócia, Paquetá caía pela esquerda e Cunha buscava a bola por dentro. Nada funcionou. Perceba na imagem como o Japão mantém a estrutura, não acompanha as trocas de posição e deixa Vini isolado contra cinco defensores.
No ataque, Brasil desenhou um 3-2-5 com Bruno mais avançado e Danilo junto dos zagueiros
Reprodução
CASEMIRO FALHA NO GOL…E EMPATA
Personagem do jogo, Casemiro é homem de confiança de Carlo Ancelotti. Mas, tirando o gol de empate, fez talvez sua pior partida em Copas do Mundo com a camisa da Seleção. Sem apoiar o ataque, fazia o Brasil atuar com inferioridade numérica no último terço.
No lance do gol, após erro de passe de Danilo, ele escolhe correr acompanhando o jogador japonês com a bola. Douglas Santos, Gabriel Magalhães e Marquinhos formam a linha defensiva enquanto Danilo recompõe.
Casemiro acompanha e não rouba a bola no gol do Japão
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Tudo bem que Casemiro já estava amarelado, mas era tarefa dele impedir o avanço do adversário. Em um lance muito parecido com o da eliminação para a Croácia em 2022, deixa a bola passar e sequer estica a perna para tentar o desarme. O resultado foi o gol japonês.
Casemiro fez primeiro tempo ruim
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Veja as reações de Carlo Ancelotti nos gols do Brasil
ANCELOTTI VOLTA AO 4-2-4 E OUSA COM MARTINELLI COMO PONTA-DE-LANÇA
E aí, como você faria para furar uma das melhores retrancas da Copa do Mundo perdendo por 1 a 0?
Para Carlo Ancelotti, a resposta foi Endrick no lugar de Paquetá, O desenho com a bola permaneceu semelhante. Mas agora era Vini quem ficava aberto e protagonizou seus melhores lances, como a bola na trave. Endrick não participou tanto, mas ajudou a prender a defesa japonesa e abrir espaço por dentro.
Ancelotti inverteu Vini com Douglas Santos e colocou Martinelli como segundo atacante
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Com muitos cruzamentos e o empate salvador de Casemiro, Ancelotti começou a encontrar uma forma de quebrar a defesa.
E ousou ao colocar Gabriel Martinelli no lugar de Matheus Cunha. O jogador do Arsenal não atuou pelo lado, mas sim como segundo atacante. Apesar de ter atuado mais como ponta pela esquerda, Martinelli se destacou no Ituano e foi contratado pelo Arsenal jogando nessa função entre 2019 e 2022. Leia esse texto, em 2020, que explica justamente isso.
Martinelli celebra vitória do Brasil: “Muito feliz”
Com Martinelli no 4-2-4 e Bruno Guimarães mais adiantado, o Brasil partiu para cima. Foram 717 passes, com 89% de aproveitamento, e 20 finalizações. A Seleção ficou mais no campo de ataque e também recuperou melhor a bola, com Martinelli e Endrick participando da pressão pós-perda.
Com os lados bem fechados, o espaço estava pelo meio. O gol resume bem a dificuldade para romper a defesa japonesa.
A jogada começa pela esquerda e Martinelli é o único a oferecer opção por dentro, recebendo de costas para o gol. Faz isso duas vezes antes de a bola chegar pela direita, Rayan recuperar a posse e encontrar Bruno Guimarães, outro destaque da partida.
Martinelli busca a bola duas vezes antes de chegar na área
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A Seleção sofreu, não jogou bem, não construiu um placar elástico e ficou devendo futebol. Mas passou.
Só não espere um cenário muito diferente na Copa do Mundo. Você lembra das oitavas de final de 2018? O México fez exatamente o que o Japão fez. E a Turquia e Bélgica em 2002?
“Equipe estava bem”, fala Ancelotti
Bélgica e Croácia, que eliminaram o Brasil nas últimas Copas, também entregaram a posse e defenderam perto da própria área. Se tocarmos em um tema ainda mais espinhoso, quatro dos sete gols da Alemanha no 7 a 1 nasceram de situações parecidas.
Furar retrancas é o grande desafio do Brasil nas últimas Copas. Carlo Ancelotti encontrou uma resposta contra o Japão. Mas o sofrimento e o drama mostram que a Seleção precisará evoluir, e muito, para continuar sonhando com o hexa.
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