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Fluidez marroquina mostra que é possível fazer história de um jeito novo

Fluidez marroquina mostra que é possível fazer história de um jeito novo

O que Marrocos construiu na Copa do Mundo de 2022 está para sempre marcado. Um time quase intransponível defensivamente e de muita força nos contragolpes. A versão marroquina de 2026, no entanto, agrada mais a quem gosta de uma equipe que passa mais tempo com a bola nos pés e mostra um repertório amplo de jogadas. A classificação para as oitavas de final teve essa marca.
Mesmo com o empate por 1×1 no tempo normal e na prorrogação, ficou nítido qual foi o time que mostrou mais domínio das ações nos 133 minutos antes da decisão por pênaltis. A vitória só não foi obtida com a bola rolando em virtude da grande atuação do goleiro Verbruggen, que acabou não defendendo nenhuma penalidade depois. Bono, por sua vez, brilhou ao pegar uma.
Escalações
Desde março de 2024 Ronald Koeman não escalava três zagueiros. Fez isso diante de Marrocos com a entrada de Aké. Van de Ven atuou como ala-esquerdo. Reijnders deixou a equipe. Já Mohamed Ouahbi repetiu o time que escalou nos dois primeiros jogos da competição. Saibari partiu do centro do ataque.
Como Holanda e Marrocos iniciaram o duelo de 16 avos de final da Copa do Mundo 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
Aquele que na teoria era o confronto mais equilibrado desta fase confirmou essa face logo nos primeiros minutos. A Holanda buscou trocar passes no seu trio de defesa para atrair Marrocos e progredir preferencialmente pelos lados. Na sequência, a ideia era explorar a profundidade com um dos potentes atacantes que tem. No lance em que conseguiu fazer isso, Summerville estava impedido.
Marrocos aproveitou que os holandeses não subiam o bloco de marcação na metade inicial do 1º tempo para colocar em prática seu estilo fluído em fase ofensiva. Mais uma vez contou com muitos movimentos diferentes para fazer a bola andar e encaixar as combinações em progressão no campo de ataque.
Saibari mal ficava entre os zagueiros, buscava um dos lados do campo, preferencialmente o esquerdo. Tentava atrair a atenção dos defensores para liberar algum espaço de infiltração a seus companheiros ou a ele mesmo num segundo momento. Brahim Diaz abria o corredor direito para os apoios de Hakimi. Mazraoui trabalhava mais tempo por trás da linha da bola, auxiliando nas trocas de passe.
El Khannouss circulava livremente a partir da esquerda, assim como o onipresente Ounahi. El Aynaoui se projetava mais em relação ao jovem Bouaddi, que gerava equilíbrio ao meio-campo. A seleção africana conseguiu trabalhar com maior naturalidade e teve as jogadas de mais perigo da 1ª etapa. Duas delas em bolas paradas aéreas e outras duas em ataques rápidos, após roubadas de bola.
Holanda x Marrocos
REUTERS/Eloisa Sanchez
Verbruggen fez duas grandes defesas em finalizações de El Aynaoui, que venceu muitos duelos no meio-campo, e de Hakimi. Saibari e Ounahi também assustaram. A naturalidade que sobrava aos marroquinos, faltava aos holandeses. Em um esquema que não atuavam há mais de dois anos, as conexões para trocar passes por dentro foram perdidas, isolando peças importantes do time.
Os ataques que incomodavam Marrocos ocorriam de forma direta ou em acelerações pós-desarmes. Brobbey foi muito bem marcado pela dupla Issa Diop-Chadi Riad. Mazraoui e El Khannouss reagiram positivamente ao potente lado direito laranja. Gakpo ficou isolado e não conseguiu render. Van de Ven, apesar de ter dado a finalização mais perigosa do time no 1º tempo, não gera tanta ofensividade.
Os marroquinos seguiram melhores no 2º tempo. Através da conexão Ounahi-Hakimi chegaram muito perto de marcar duas vezes. O meia enfiou lindos passes para deslocamentos do lateral em profundidade, por dentro da defesa. Ele acertou o travessão em um e foi impedido de marcar em grande intervenção de Van de Ven na sequência.
Se a ideia de Koeman era jogar com linha de cinco atrás e reforçar sobretudo o lado esquerdo da defesa, para controlar os avanços de Hakimi, ela não estava funcionando na prática. Os holandeses eram cada vez mais envolvidos. El Khannouss finalizou outras duas vezes com perigo antes dos 15 minutos. Verbruggen voltou a mostrar segurança e velocidade de reação.
De Jong e Saibari em Holanda x Marrocos
REUTERS/Raquel Cunha
Logo depois da parada para hidratação, Koeman sacou Aké e Brobbey para as entradas de Koopmeiners e Weghorst. O meio-campista entrou como zagueiro, mantendo a linha de cinco na defesa. Não demorou para a Holanda se aproveitar dos quase dois metros de altura de seu novo centroavante.
Weghorst raspou de cabeça a ligação direta de Verbruggen e Summerville atacou as costas da defesa. Lutou contra Mazraoui, venceu o duelo e serviu Gakpo, que bateu firme para marcar o seu terceiro gol neste Mundial. Na comemoração, o atacante do Liverpool não segurou as lágrimas e foi abraçado por todos os jogadores da seleção, inclusive os suplentes.
Salah-Eddine, El Mourabet e Yassine entraram em Marrocos. Chadi Riad, Brahim Diaz e Bouaddi sairam. Mazraoui foi jogar na zaga. Pouco depois foi a vez de Mohamed Ouahbi sacar Ounahi e El Khannouss para as entradas de Talbi e Rahimi. Hato e Quinten Timber tentaram segurar o resultado nos minutos finais. Gravenberch e Van de Ven descansaram.
Gakpo se emociona ao anotar o gol da Holanda
Eloisa Sanchez/Reuters
Apesar de ter perdido organização momentâneamente, Marrocos manteve a agressividade. Por mais que os minutos pós-gol tenham sido confusos e proporcionado contragolpes aos holandeses, foi fundamental não esmorecer. No mínimo o time africano merecia o empate. E foi o que aconteceu aos 45 minutos.
O zagueiro Issa Diop resolveu ir para a área. Se infiltrou entre Van Dijk e Koopmeiners, e cabeceou o cruzamento perfeito de Talbi. O estádio de Monterrey se inflamou com a imensa quantidade de marroquinos que foram ao México.
A prorrogação mal começou e Vebruggen voltou a operar milagres. Fez uma defesa impressionante em finalização à queima-roupa de Rahimi, que entrou driblando os zagueiros após o passe de Saibari e chutou em cima do goleiro holandês. Velocidade impressionante de reação do arqueiro.
Holanda x Marrocos gol Diop
ALFREDO ESTRELLA / AFP
Mesmo cheio de reservas em campo, Marrocos manteve-se mais fluente em relação aos holandeses, que trabalhavam com algumas bolas longas para Weghorst vencer um duelo aéreo e colocar Summerville ou Gakpo para correr. Ronald Koeman tirou o apagado De Jong no 2º tempo da prorrogação. De Roon entrou. Depois sacou o exausto Gakpo para a entrada de Justin Kluivert.
A Holanda teve menos de 20% de posse de bola durante o tempo extra. Nitidamente se fechou e tentou explorar algum erro marroquino. Ou quis esperar as penalidades. Os africanos não foram tão agressivos, provavelmente receosos de ceder alguma transição e ver as chances de classificação se esvaírem. As penalidades foram inevitáveis.
O índice de erros foi grande. Das dez batidas, apenas cinco entraram. Kluivert acertou a trave, Timber mandou para fora e Summerville parou em Bono. No lado marroquino, Hakimi mandou na trave e El Aynaoui no travessão. Rahimi contou com a sorte para fazer o dele. A bola pegou na trave, no corpo de Verbruggen e entrou. Talbi e Saibari foram os outros cobradores que botaram Marrocos nas oitavas. geRead More