Torcedor de 96 anos mostra amor pela Seleção com arte em postes e quer desenhar sexta estrela
Esporte: torcedor de 96 anos decora ruas há mais de 10 Copas em Juiz de Fora
Existem várias maneiras para alguém demonstrar o amor pela seleção para a qual torce. Alguns gritam, se esgoelam, colecionam camisas ou fazem tatuagens. Mas um torcedor nordestino de 96 anos que mora em Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais, prefere usar tinta, pincel, postes e arte para materializar esta paixão.
É assim que Leônio Soares Galvão, ou simplesmente Seu Leônio, pinta postes há 11 Copas do Mundo. Com as memórias de ter visto os cinco títulos da seleção brasileira e os fracassos mais dolorosos da equipe canarinho, incluindo a presença na derrota para o Uruguai no Maracanã em 1950, o torcedor chega para mais um mundial com o verde, o amarelo, o azul e o branco do Brasil e com o desejo de pintar a sexta estrela.
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Leônio Soares Gallvão tem 96 anos, viu todos os títulos da seleção brasileira e pinta postes há mais de 10 Copas do Mundo
Bruno Ribeiro
Leônio sabe que a tarefa não vai ser fácil. No entanto, ele demonstra otimismo de que o Hexa vem, mesmo que não seja nesta Copa do Mundo.
“O que está difícil é pintar a sexta estrela (risos). Todo mundo quer ganhar, mas não tem como. Se perder também, na próxima Copa vamos estar aqui, pintando, decorando, enfeitando, do mesmo jeito”
Antes de chegar à Rua Augusto Mariani, no Bairro Industrial, Seu Leônio rodou bastante. Nascido em Maceió, morou em Pernambuco e migrou para o Sudeste ainda criança. Depois de viver em São Paulo e no Rio de Janeiro, o alagoano que sempre trabalhou com arte em vidro se mudou para Juiz de Fora.
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Daí até começar a enfeitar ruas para a Copa do Mundo foram alguns anos. Ele se lembra qual foi o ponto de virada para que ele passasse a usar a arte em nome do bairro e da Seleção.
— Quando eu cheguei aqui, as ruas não tinham postes. Aí a Cemig (empresa concessionária de energia elétrica que presta serviços em Minas Gerais) começou a colocá-los e eu passei a pintar tantos os postes quanto os meios-fios das ruas. Aí a galera toda animou também e me acompanhou. Eu puxei o movimento — contou.
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Bruno Ribeiro
Aquele momento era a Copa de 1982. Filho de Seu Leônio, Fabiano Galvão se lembra da época e afirma que a qualidade daquela seleção brasileira, com jogadores como Zico, Sócrates e companhia, animou os moradores do bairro a se movimentarem.
— Aquele foi o ano em que as pessoas mais enfeitaram as ruas. E o meu pai foi quem tomou à frente disso. Enfeitamos a rua todinha, pintamos tudo. Os postes foram pintados pelo meu pai. Aquela época ficou marcada e foi ali que meu pai começou — destacou.
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Ruas Augusto Mariani, onde Seu Leõnio mora, está toda decorada para a Copa do Mundo
Bruno Ribeiro
Depois disso Seu Leônio não parou mais. De lá para cá esta, é a 11ª Copa seguida em que o torcedor pinta os postes da rua onde mora. Hoje Leônio não se abaixa para desenhar e colorir o chão, nem pendura as bandeirinhas, suspensas e amarradas nos portões das casas, mas mostra destreza e muita qualidade para fazer o que sempre fez bem.
— Cada um ajuda como pode. O pessoal pinta a rua, coloca as bandeirinhas e eu fico com os postes. Eu geralmente pinto eles com cores ou desenhos diferentes. Agora eu pintei eles todos iguais — disse.
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Nascido em 1930, Leônio viu todos os títulos da seleção brasileira e se sente privilegiado por ter acompanhado o pentacampeonato. Só que ele também viu as tristezas.
Torcedor de 96 anos mostra amor pela Seleção com arte em postes em Juiz de Fora
A maior delas, segundo ele, foi estar no Maracanã em 1950 e ver a derrota para o Uruguai. De acordo com Leônio, aquele 2 a 1 no episódio conhecido como Maracanazo foi pior do que o 7 a 1 para a Alemanha em 2014.
— Foi uma tristeza toda. Todo mundo chorando. Todo mundo sem saber para onde ia, sem rumo. Quando me perguntam o que foi pior, se a Copa de 1950 ou o 7 a 1 em 2014, não tenho dúvidas: a Copa de 50 machucou demais — opinou.
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Luiz Belfort
A partir daquela derrota, Seu Leônio afirma que o amor pela seleção brasileira só aumentou. Morador do Bairro Industrial, que sofre recorrentemente com enchentes e que passou pela pior cheia da história no fim de fevereiro de 2026, o torcedor afirma que a mobilização dos vizinhos para decorar as ruas foi algo emocionante.
— O pessoal está animado. É bonito de ver esta união, porque a turma não desanimou apesar do que aconteceu. Foi muita tristeza — destacou.
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Bruno Ribeiro
Com 11 Copas do Mundo de arte e alegria e tantas outras como espectador, Leônio espera estar bem para o próximo mundial de seleções em 2030, quando terá 100 anos de idade. Fabiano diz ter orgulho da animação do pai
— Eu me sinto extremamente feliz por ser filho dele e ver esta animação, alegria e confiança dele. Apesar de ele não ter este fanatismo por clubes, ele acredita no futebol brasileiro. Ele tem este amor louco na Seleção e acredita que pode ser campeã — concluiu. geRead More


