RÁDIO BPA

TV BPA

França desponta com o melhor futebol da Copa

França desponta com o melhor futebol da Copa

França 3 x 0 Suécia | Melhores momentos | Segunda fase | Copa do Mundo 2026
Na semana em que começou a Copa do Mundo, o “The Athletic”, excelente braço esportivo do “The New York Times”, ranqueou as 48 seleções de acordo com o favoritismo ao título. E colocou a Espanha em primeiro lugar. Mas se viu impelida a fazer uma ressalva: disse que seria possível jogar uma moeda para cima, entre ela e a França, e deixar a sorte decidir qual das duas teria mais chances de ser campeã.
Eu também via a Espanha um milímetro à frente – consequência do título europeu e dos resultados muito consistentes no ciclo para esta Copa, incluindo duas vitórias justamente sobre a França: 2 a 1 nas semifinais da Euro e 5 a 4 nas semifinais da Liga das Nações. Mas mudei de opinião.
A França jogou o melhor futebol da Copa do Mundo até aqui. São quatro vitórias em quatro jogos, com 13 gols marcados e dois sofridos. Só não esteve bem no primeiro tempo da estreia, o 3 a 1 sobre Senegal. De resto, sufocou os adversários com talento, velocidade, força e muito conjunto. É a equipe com mais gols e finalizações certas na Copa.
A parceria entre Olise e Mbappé compete com a genialidade de Messi pelo posto de maior assombro do Mundial. Eles parecem nascidos um para o outro: o camisa 11 é o jogador com mais assistências na Copa (cinco), o camisa 10 é o goleador do torneio (seis, junto com o craque argentino).
A dupla comanda um setor ofensivo devastador: enquanto um encaixa passes em espaços que só ele vê, o outro desbrava as defesas com a mistura explosiva de técnica, potência física e rapidez. E junto com eles ainda tem Dembélé, eleito o melhor jogador do mundo na última temporada. E Barcola. Ou Doué. Ou Cherki. Ou Thuram. É uma loucura.
Olise e Mbappé em França x Suécia
John Sibley / Reuters
Toda essa qualidade é potencializada por um trabalho de longo prazo. Didier Deschamps assumiu a seleção francesa em 2012, depois do caos na Copa da África do Sul (em que o elenco se revoltou contra o técnico Raymond Domenech após ele cortar o atacante Anelka por tê-lo xingado em um treino).
Alguns frutos já foram vistos em 2014, quando a França, com um elenco bastante inferior ao atual, foi às quartas de final da Copa no Brasil. Depois, vieram o título em 2018 e o vice nos pênaltis para a Argentina em 2022.
Nesse período, especialmente depois do acréscimo de Mbappé, a França se consolidou como uma equipe entrosada, de movimentos automáticos, muito confiante e altamente competitiva. E ainda foi impactada por uma renovação invejável. Olise, aos 24 anos, é um espanto de jogador. Doué tem 21, Barcola tem 23, Cherki tem 22.
Mas a França não é imbatível, como mostraram as derrotas para a Espanha nos últimos anos, o revés contra a Costa do Marfim em amistoso antes da Copa e alguns problemas defensivos nos primeiros jogos no Mundial. Com tanta qualidade na frente, ela se permite descuidos em contra-ataques e na saída de bola. Isso resulta em chances para os adversários. A Suécia teve seis finalizações na derrota de 3 a 0, nesta terça-feira, pela segunda fase. Antes, na etapa de grupos, a Noruega, mesmo com equipe reserva, teve dez. Como comparativo, o Brasil, no jogo duro contra o Japão, permitiu apenas cinco finalizações ao adversário.
Ainda há muita Copa pela frente, a começar pelo duelo da França contra o Paraguai pelas oitavas de final, no próximo sábado. Algumas seleções, como Espanha, Portugal e Inglaterra, podem engrenar. Outras, como o Brasil, podem sustentar uma evolução até a reta final. E tem a Argentina – e tem Messi. Mas, até agora, ninguém desponta para o título com a convicção da França. geRead More