Criador da remada viking dá dicas para torcida brasileira e crê em vitória da Noruega: “É o momento”
Criador da remada viking da Noruega dá dica para os brasileiros
O próximo domingo promete fortes emoções. Se em campo a seleção brasileira terá uma batalha para travar contra Erling Haaland e companhia, nas arquibancadas a torcida verde e amarela já pode se preparar para a grande guerra contra os remadores vikings da Noruega, que se tornaram sensação desta Copa do Mundo.
O ge conversou com Ole Frøystad, o criador da celebração coreografada também conhecido como Senhor Row Row. O torcedor que trabalha como professor de ensino fundamental em Oslo, capital da Noruega, falou à reportagem sobre a popularização do cântico e aproveitou para dar dicas para os brasileiros que prometem lotar as arquibancadas do estádio de Nova Jersey.
– Não conheço muito os cânticos do Brasil, mas façam algo que seja brasileiro, algo de que todos vocês se orgulhem, algo que faça parte da cultura de vocês, da história. Algo que desperte a paixão dentro de vocês. Simplifiquem, facilitem e garantam que o máximo de pessoas possa se divertir e participar – falou Ole Frøystad.
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Apaixonado por futebol desde que se entende por gente, o professor palpitou o resultado do confronto entre Brasil e Noruega que vale vaga nas quartas de final da Copa do Mundo. A partida será no domingo, às 17h (de Brasília).
– Tenho um bom pressentimento sobre o jogo com o Brasil! Se existe um momento para vencer o Brasil, é agora. Os torcedores e a equipe estão muito sincronizados neste momento – comentou Ole Frøystad.
Torcida da Noruega faz a remada viking na Times Square, em Nova York
REUTERS/John Sibley
Row-Row é um sucesso
Desde o início da competição, a torcida norueguesa espalhou pelos três países-sede (EUA, Canadá e México) a “remada viking” e contagiou o mundo inteiro. Imagens de pessoas fazendo a celebração coreografada em outros lugares do planeta tomaram a internet. Toda essa repercussão surpreendeu o professor Ole Frøystad.
– Não fazia ideia de que esse cântico fosse se tornar tão grande, mas ele cresceu tanto graças aos torcedores noruegueses. Ele está vivo por causa deles, mas não fazia ideia de que iria alcançar tanta gente. É muito gratificante ver nações diferentes remando juntas. Estamos criando uma união entre nações, todos se divertem muito. É muito mais do que eu poderia ter sonhado. Estou sem palavras e muito grato por reunir pessoas do mundo inteiro – comemorou.
Noruegueses invadem a Times Square para fazer a remada viking e acabam em aula de ioga
A origem é mais simples do que parece. Quando a Noruega se classificou à Copa do Mundo de 2026 depois de 28 anos de ausência, Frøystad passou a quebrar a cabeça pensando em possíveis cânticos que pudessem contagiar e motivar os jogadores da seleção. Ele escreveu letras, gravou vídeos, até que uma luz se acendeu em sua cabeça: o Rosenborg, um dos maiores times de futebol de Noruega.
— A ideia da remada viking surgiu há muitos anos, quando eu assistia a um jogo do Rosenborg, na Noruega, e ouvi a torcida do time de futebol cantar seu cântico no estádio. Eles dividiam o nome do time em três partes: RO-SEN-BORG. E eu sempre amei o som de “RO” e o impacto e a pressão que causava no estádio. Por muitos anos, eu realmente gostei disso e pensei: por que eles não teriam um cântico só com “RO”? — disse.
O professor levou todas as ideias para a associação de torcedores da seleção da Noruega, e a “remada viking” foi a grande eleita para se tornar a marca do país na Copa do Mundo. E funcionou. Desde o início do Mundial, o Senhor Row Row ganhou mais de 60 mil seguidores e até adiou seu retorno ao país escandinavo para curtir mais a competição in loco.
Ole Frøystad, o professor norueguês, que levou a “remada viking” à Copa do Mundo
Lokman Vural Elibol/Anadolu via Getty Images
— Anos depois, eu estava assistindo à seleção e nos classificamos para a Copa do Mundo. Quando estávamos perto da classificação, pensei que a Noruega precisava de um cântico legal para a Copa do Mundo. Precisávamos de algo com a nossa cultura, mostrando quem somos. Queria algo viking, algo forte. Então lembrei do Rosenborg. Percebi que significava “reme” e tinha um movimento legal. Pensei: “Meu Deus, esse é o canto”.
— Levei a ideia para a torcida organizada da Noruega, eles adoraram e então planejamos a batida que deveríamos usar. Concordamos que seriam duas batidas para tornar o mais fácil possível para que os torcedores participassem e apoiassem a seleção da melhor maneira possível.
Remada Viking! Seleção da Noruega celebra a classificação para as oitavas da Copa
Um dos momentos mais especiais, segundo Ole Frøystad, foi quando os jogadores da seleção se reuniram com a torcida para celebrar a vitória sobre Senegal por 3 a 2, que selou a classificação do time para a fase mata-mata, com a já famosa coreografia. Depois, quando a Noruega venceu a Costa do Marfim e conquistou a vaga nas oitavas de final, os atletas repetiram o gesto.
— Sou apaixonado pela seleção norueguesa, sempre quis jogar futebol. Queria fazer algo para ajudá-la em campo, e isso foi importante para mim. Por isso, sempre vou ao estádio para gritar e apoiar. Essa paixão existe desde que eu me lembro — disse Frøystad.
Torcedores e jogadores da Noruega “remam” após vitória
Entenda a remada viking
O sucesso da seleção da Noruega no início da Copa do Mundo rompeu as quatro linhas dos gramados norte-americanos e invadiu as ruas, as redes sociais e até as instituições políticas. Embalada por uma estreia com goleada por 4 a 1 sobre o Iraque, a torcida nórdica transformou a celebração das arquibancadas em uma comemoração que extrapola o estádio graças à “remada viking”.
Parlamento da Noruega faz “remada viking” dentro do Congresso para apoiar seleção na Copa
A coreografia sincronizada imita o movimento do remo, esporte tradicional no país e uma marca que simula os remadores dos antigos barcos nórdicos.
Torcedores da Noruega fazem “Remada Viking” em escada rolante da South Station de Boston
A febre começou chegou ao transporte público da sede onde os noruegueses estão, em Massachusetts, nos Estados Unidos. Dezenas de torcedores sentaram-se em fila nos degraus de uma escada rolante em movimento na South Station, o principal terminal ferroviário de Boston. O deslocamento gerou uma ilusão perfeita de uma embarcação viking subindo a estação.
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Nos últimos dias, em Oslo, capital do país, o presidente do Parlamento norueguês, Masud Gharahkhani, interrompeu os trabalhos legislativos para manifestar apoio ao time. Deputados de terno e gravata sentaram-se no chão do plenário para reproduzir o movimento da remada.
Antes mesmo da Copa começar, o marketing oficial da Federação Norueguesa emplacou um ensaio fotográfico dos jogadores com armaduras, escudos e machados em um fiorde, clicado pelo fotógrafo David Yarrow, cujas vendas foram revertidas para caridade.
Viking Haaland! Jogadores da Noruega se vestem como vikings em ensaio de fotos
A foto da seleção norueguesa em estilo viking antes da Copa do Mundo pode gerar um total de 39 milhões de coroas norueguesas (cerca de R$ 21,3 milhões, na cotação atual) em receitas. No total, serão comercializadas 250 cópias da imagem.
A foto produzida com o astro Erling Haaland e os 25 companheiros de elenco feita pelo renomado fotógrafo David Yarrow, em um fiorde perto de Oslo, com barcos de madeira reais ao fundo, está sendo vendida por valores que valiam entre 100 mil coroas (aproximadamente R$ 54 mil) e 375 mil coroas (R$ 205 mil), dependendo do tamanho da impressão escolhida.
Haaland posa como viking em ensaio da Noruega
Reprodução
A Copa do Mundo de 2026 marca o retorno da Noruega ao torneio após 28 anos. A última participação da seleção havia sido na edição disputada na França, em 1998.
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