Sócios votam a favor, e Avaí tem aval para vender 90% da SAF
Os sócios avaianos votaram a favor, replicando o resultado favorável da votação do Conselho Deliberativo, e deram o aval para o Avaí vender 90% da SAF do clube à empresa Kactus Capital.
A votação dos sócios aconteceu na noite desta terça-feira, na Ressacada. Primeiro, Alessandro Abreu, presidente do Conselho Deliberativo do Avaí, abriu a palavra para manifestações dos presentes.
A partir de 19h40 (de Brasília), começou a votação, e os portões foram fechados às 22h para o início da contagem dos votos.
Foram 519 votos, com 411 votos a favor e 108 contra.
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Sócios do Avaí votam a venda da SAF do clube
Bruno Atanazio/ge
A proposta da Kactus Capital ao Avaí
A empresa Kactus Capital oferece R$ 400 milhões por 90% da SAF do Avaí. No contrato, a Kactus se compromete a arcar com todas as dívidas do Avaí, que já somam mais de R$ 290 milhões.
— Pra gente que é acostumado a trabalhar com ativos estressados isso é uma oportunidade. Acho que a gente consegue fazer uma negociação melhor para dívida. A gente tá assumindo toda a dívida, seja ela R$ 300 ou 600 milhões. Já iniciamos a due diligence para poder entender sobre a nossa ótica qual é realmente o endividamento do clube. Mas não, não é algo que nos assusta — disse Rafael Matheus, sócio e co-fundador da Kactus Capital, ao ge.
Além do pagamento das dívidas, o investimento da Kactus será dividido em:
R$ 75 milhões no projeto desportivo do Avaí (R$ 25 milhões nos três primeiros anos de SAF);
R$ 20 milhões para investimento na categoria de base em dez anos;
R$ 5 milhões para infraestrutura do clube em cinco anos;
Assumir os custos da operação e manutenção do clube no dia a dia.
Além disso, a Kactus promete um empréstimo-ponte de R$ 5 milhões ao Avaí como reforço imediato de caixa se a proposta for aceita.
— Os R$ 25 milhões são aporte, é dinheiro novo. O clube tem receita, ela tá muito abaixo do que a gente espera para um clube do tamanho do Avaí. Então, muito do que a gente vai empregar é gestão, trazer expertise, governança sobre os números para que a gente possa, primeiramente, aumentar essa receita e, no paralelo, nosso aporte para que consiga levar o Avaí de volta para Série A, que aí sim é quando o negócio do futebol começa a ficar muito mais sustentável — falou Rafael.
— Uma das principais linhas de receita pra gente é a torcida do Avaí, que é muito apaixonada, independente de estar na Série A, B ou C. Isso é algo que nos motiva. Nós não temos pretensão nenhuma de deixar o Avaí caso seja rebaixado — acrescentou.
CFA e Ressacada – Avaí
Leandro Boeira / Avaí F.C.
Para além do investimento citado, a Kactus promete uma folha mínima para os jogadores, de acordo com a série que o Avaí estiver disputando. Pra Série B, R$ 2,5 milhões mais impostos. Na Série A, no mínimo, R$ 7 milhões mais impostos.
Antes da votação definitiva da venda da SAF, a Kactus realizou um empréstimo de R$ 2,5 milhões ao Avaí.
— No primeiro momento, a gente tá preocupado com a permanência do Avaí na Série B. Nossos esforços estão muito voltados nesse sentido, por isso houve uma antecipação de crédito de caráter emergencial para que pudesse melhorar a situação de atleta, de comissão, de todo mundo — contou Rafael.
De acordo com o presidente Bernardo Pessi, no contrato, o Avaí tem garantias, como:
1/3 garantido das cadeiras do conselho de administração do clube;
Garantia de veto em decisões capitais, como alterações no nome do clube, cores, hino, estádio e cidade;
Poder de veto para qualquer outra negociação que a Kactus queira fazer com outros investidores, entrada, saída e substituição de qualquer relação negocial;
Garantia integral de todo o patrimônio do Avaí (Ressacada e centro de treinamento).
— Foi um pedido nosso ter pelo menos 10% das cotas da SAF para torcedores do Avaí. A gente quer todo mundo dentro desse projeto, que as pessoas que torcem pelo clube façam parte desse processo dessa nova jornada — completou Rafael.
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