Análise: Picco confirma o que parecia evidente, mas bola parada define derrota do Remo
Mirassol x Remo – Melhores Momentos
Na derrota por 2 a 1 para o Mirassol, nesta quarta-feira, no Estádio Maião, pela 21ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro, a equipe de Léo Condé fez um primeiro tempo competitivo, encontrou o empate antes do intervalo, mas voltou pior para a etapa final e viu o adversário definir o confronto justamente em uma jogada aérea.
Leo Conde técnico do Remo durante partida contra o Mirassol no estádio Jose Maria de Campos Maia pelo campeonato Brasileiro A 2026
Cleder R Damasceno/RP FOTOPRESS/AGIF
Veja mais
+ Atuações do Remo: desempenho ruim da defesa esconde boa atuação de Picco; dê suas notas
Mudanças no time titular
Condé promoveu três mudanças em relação ao triunfo sobre o Vitória. Marllon retornou de suspensão e reassumiu a vaga de Matheus Felipe na zaga. No meio-campo, Picco permaneceu entre os titulares, enquanto Zé Welison deixou a equipe. No ataque, Gabriel Taliari ganhou a oportunidade no lugar de Jajá.
A alteração ofensiva também modificou a dinâmica do setor. Alef Manga deixou de atuar centralizado e ficou no esquerdo do ataque, enquanto Taliari ficou mais centralizado, exercendo uma função de falso 9. Em vez de permanecer preso entre os zagueiros, o atacante saía da área para participar da construção e abrir espaços para os companheiros.
Defesa segura e ataques esporádicos
Sem a bola, o Remo manteve a estrutura que já virou marca da equipe: duas linhas de quatro bem compactas e um ataque preparada para acelerar as transições. O plano funcionou durante boa parte da etapa inicial. O Mirassol controlava a posse, circulava a bola de um lado para o outro, mas encontrava dificuldades para infiltrar.
O Leão fechava os espaços e chegou a encaixar um bom contra-ataque aos 15 minutos, quando Zé Ricardo encontrou Alef Manga em profundidade. O atacante, porém, desperdiçou a melhor oportunidade azulina até então.
Depois disso, o time paraense praticamente deixou de ameaçar. O problema é que a boa organização defensiva ruiu justamente onde mais tem apresentado dificuldades. Sem conseguir furar o bloqueio com a bola rolando, o Mirassol encontrou no escanteio a solução. Após cobrança na área, Marllon acabou desviando contra o próprio patrimônio e colocou os donos da casa em vantagem.
Mesmo atrás no placar, o Remo pouco conseguiu construir. A equipe tinha dificuldade para conectar os setores e encontrava poucas alternativas para superar as linhas do Mirassol, que passou a defender mais próximo da própria área. Foram 95 passes errados. Difícil ferir o adversário com tantos erros.
Ainda assim, insistir no campo ofensivo trouxe recompensa. Patrick finalizou, a bola desviou, sobrou para Picco e o volante argentino também contou com um desvio para deixar tudo igual antes do intervalo.
Picco e Alef Manga comemoram gol do Remo contra o Vitória na Série A
Cristino Martins / OLiberal
Picco participou da saída de bola, defendeu bem, ocupou espaços entre as linhas e ainda conseguiu balançar as redes.
Esse gol premiou o bom primeiro tempo do volante argentino e fez o torcedor azulino confirmar o que apenas Condé parecia não saber: Picco precisa ser titular.
Queda de desempenho no segundo tempo
O cenário mudou completamente após o intervalo. Empurrado pela necessidade da vitória, o Mirassol voltou mais agressivo e passou a explorar o lado esquerdo do ataque — o setor direito da defesa azulina. Foi por ali que nasceram as principais investidas da equipe paulista, culminando em mais um escanteio. Novamente, a defesa remista falhou na marcação, e o Mirassol voltou a balançar as redes em uma bola parada.
Aos 8 min do 2º tempo – gol de cabeça de Victor Carroll do Mirassol contra o Remo
A resposta do Remo foi tímida. Logo após sofrer o segundo gol, Gabriel Taliari encontrou Zé Ricardo dentro da área, mas o meia não tinha opção de passe e a jogada terminou sem perigo. Se ajudava na construção, Taliari deixava o time sem tanta profundidade. Em um lance no segundo tempo, lançou Zé Ricardo, que não viu ninguém na área para tocar a bola.
O banco não resolveu
Pouco depois, Condé tentou corrigir o problema pelo lado direito com as entradas de Matheus Alexandre e Jajá nas vagas de Marcelinho e Pikachu. As mudanças, entretanto, pouco alteraram o panorama da partida.
Se no primeiro tempo o Remo conseguia manter as linhas compactas e sair em velocidade, na etapa final a equipe perdeu intensidade. O bloco defensivo passou a oferecer espaços, a pressão na marcação diminuiu e, com a bola, o time já não conseguia construir ataques organizados. As substituições também não surtiram efeito e o Leão produziu muito pouco ofensivamente.
A única oportunidade clara para evitar a derrota surgiu já nos minutos finais, quando David Braga encontrou Jajá em boa condição dentro da área. O atacante, porém, desperdiçou a chance que poderia ter garantido um ponto fora de casa.
Aos 43 min do 2º tempo – chute dentro da área para fora de Jaja do Remo contra o Mirassol
Mais do que o resultado, a atuação escancarou um problema que precisa ser corrigido rapidamente. O Remo sofreu dois gols em cobranças de escanteio. Em um campeonato equilibrado e decidido nos detalhes, seguir vulnerável na bola parada custa caro.
A derrota também teve impacto direto na tabela. O Leão desperdiçou a oportunidade de deixar, ao menos provisoriamente, a zona de rebaixamento e ainda foi ultrapassado por um concorrente direto na luta contra a queda. geRead More


